Fosfito de potássio: resultados na produtividade do abacate

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Wesley Devair Bittencourt Machini

Engenheiro agrônomo – AgroBR Consultoria Agrícola

wdevair@hotmail.com

Foto: Pixabay

Os fosfitos de potássio aparecem no mercado como uma grande inovação no abacateiro, pois possuem em sua composição fósforo (P), um elemento essencial para o desenvolvimento e crescimento das plantas. Ele é extremamente importante para o desenvolvimento inicial das plantas, uma vez que está ligado diretamente ao equilíbrio energético e desenvolvimento radicular.

O fósforo é o nutriente maior limitante para a alta produtividade agrícola nos solos brasileiros, que em grande totalidade não possuem quantidades adequadas, sendo considerados solos pobres neste nutriente.

Fosfito

O fosfito, quando aplicado às plantas, é absorvido rapidamente através de suas estruturas radiculares. Possui grande mobilidade na fisiologia da planta, atingindo rapidamente os locais que apresentam sintomas de deficiência deste nutriente.

O fosfito se torna uma fonte de combate contra fungos, pois tem ação fungistática e consegue retardar o desenvolvimento no crescimento micelial e atraso na formação de colônias. Consegue diminuir a incidência destes patógenos, retardando o seu desenvolvimento.

Há alguns estudos que mostram que as características ácidas dos fosfitos conseguem interferir no desenvolvimento de diversos agentes patogênicos. Na utilização do fosfito a planta consegue obter a capacidade estimulativa de produzir fitoalexinas.

Estas são sintetizadas nas inclusões citoplasmáticas que ficam localizadas próximas ao local de penetração do patógeno. A ação defensiva por fungos acontece por uma desorganização celular, rompendo a membrana plasmática e inibindo as enzimas fúngicas.

Benefícios

Uma planta bem nutrida possui menor chance de ser atacada por diversos patógenos e oferece maior resistência. Por ser sintetizador de fitoalexinas na fisiologia vegetal, o fosfito tem a capacidade de ampliar a resistência, fortalecendo sua forma estrutural e dificultando a penetração de diversos patógenos, agindo como um protetor, quando aplicado de forma correta.

Protege, mas não evita em sua totalidade o surgimento de algum fator ou agente biótico que consiga derrubar essa defesa naturalmente criada. Assim, faz-se necessário, também, a utilização de outros produtos para efeito curativo e preventivo, ampliando a proteção vegetal.

Aplicação

A aplicação foliar, seja de fosfito de potássio ou de outros produtos semelhantes, apresenta grande vantagem devido à velocidade de resposta da planta à aplicação. Correções de deficiência nutricionais que podem reduzir a produtividade da planta são estabilizadas prontamente, reduzindo riscos de perdas de folhas, flores ou até mesmo frutos que não conseguem se estabilizar e se manter firmes e fortes na planta até o momento correto de colheita, bem como apresentar uma boa estrutura e aparência que sejam comercialmente viáveis.

A aplicação pode ocorrer de duas formas – após análise foliar da planta, buscando a manutenção da nutrição ou de uma forma corretiva, quando for perceptível a deficiência de fósforo ou potássio na planta.

Lembrando que a aplicação de fosfito de potássio na planta é para correção nutricional e para controle de doenças. Isso quer dizer que, ao nutrir a planta, a mesma apresenta uma melhor estrutura de defesa contra diversas adversidades.

Custo

O frasco de 1,0 L de produto pode chegar a custar em torno R$ 60,00 a R$ 130,00. Existem embalagens maiores que podem reduzir o custo inicial do produto. É um investimento baixo com grande eficiência, pois ao nutrir a lavoura o produtor estará realizando um controle preventivo contra diversos patógenos.

A quantidade a ser aplicada deve ser dosada pelo resultado da análise de solo e/ou folha realizada por um profissional qualificado. Porém, quando não houver essa possibilidade, deve-se utilizar a recomendação indicada pelo fabricante do produto, que pode variar de acordo com o seu processo de fabricação e o teor nutricional existente no produto.

A dosagem recomendada do fosfito em frutíferas depende bastante do fabricante do produto devido à qualidade de reação das fontes nutricionais que o compõem, porém, alguns fabricantes recomendam uma dosagem que varia entre 0,50 a 2,5 L/ha, utilizando entre três a cinco aplicações na fase vegetativa.

Custo-benefício

O custo-benefício da utilização do produto depende bastante da finalidade para o qual é empregado. Quando aplicado após algum estresse sofrido pela planta, quando se faz necessário a rápida recuperação da lavoura, é muito compensatório, porém, não é muito eficaz quando o produtor tenta substituir a adubação tradicional apenas por estes nutrientes, que não possuem ação residual e a aplicação tem que ser quase constante, aumentando os custos da lavoura.

O produtor deve ter a convicção de que a utilização do produto foliar tem como intuito nutrir uma planta que sofreu algum estresse e necessita de uma rápida recuperação A aplicação de produtos misturados pode reduzir os gastos com o maquinário e funcionários devido à redução do tempo de aplicação, porém, se forem utilizados produtos com incompatibilidades, poderá acarretar erros e, ao invés de somar o efeito dos produtos, quando aplicados juntos poderá gerar uma reação antagônica e neutralizar os efeitos iniciais.

Lembrando que as adubações foliares têm o princípio de realizar uma adição rápida de nutrientes às plantas, pois a absorção foliar apresenta respostas rápidas, principalmente quando há necessidade de suprir alguma deficiência nutricional na cultura.

Em campo

Os fosfitos foram introduzidos no mercado de fertilizantes na década de 70. E vieram ganhando cada vez mais espaço nestes últimos anos, porque algumas características foram observadas nestes produtos, dentre elas a capacidade de fornecer rapidamente nutrientes às plantas.

Ainda, mostra sua eficiência no controle de várias doenças causadas por patógenos, acredita-se que devido à sua alta concentração de potássio, pois adubações via foliar ricas neste nutriente reduzem a severidade de muitas doenças.

Os ganhos em produtividade são rápidos, pois a utilização do fosfito de potássio poderá ajudar no enchimento e qualidade do fruto, fortalecimento e melhora geral no aspecto fisiológico da planta. Se ocorrer a deficiência nutricional, principalmente de potássio, a qualidade do produto comercial será seriamente afetada.

A produtividade da lavoura aumenta expressivamente quando a planta está bem nutrida, podendo demonstrar em nível de campo toda sua capacidade genética, obtendo frutos com maior peso e densidade. O aumento pode chegar à ordem de 20% ou mais, pois além de amplificar os resultados, os fosfitos conseguem proteger as plantas de ataques patogênicos.

Atenção aos erros

O erro comum ao se aplicar fosfitos de potássio é quando o produtor pensa que apenas este produto poderá aumentar drasticamente a sua produtividade e acaba se esquecendo que no abacateiro é necessário realizar diversos serviços e manejos para obter resultados positivos no campo, uma vez que a cultura está exposta ao tempo durante todo o seu período de vida.

É uma indústria a céu aberto, em que o produtor não consegue manipular o ambiente, porém, pode realizar o trato cultural necessário em cada período para obter os melhores -resultados.