Fosfito e silício potencializam fungicida

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Wesley Devair Bittencourt Machini
Engenheiro agrônomo e consultor – AgroBR Consultoria Agrícola
wdevair@hotmail.com

Crédito: Case IH

O fósforo (P) é um macronutriente que frequentemente limita a produção em solos cultivados, e necessita de maior atenção na produção agrícola onde há a limitação desse elemento.

A adubação fosfatada é uma prática imprescindível para promover maiores índices de produtividade. Quando o adubo fosfatado é aplicado ao solo, após a dissolução quase todo o P é retido pelos coloides presentes na fase sólida e formam compostos pouco solúveis.

Porém, grande parte do P retido é aproveitado pelas plantas, sendo que a recuperação depende da espécie cultivada.

Fosfitos e silício

Os fosfitos aparecem no mercado como uma grande inovação, pois possuem em sua composição o fósforo (P), um elemento essencial para o desenvolvimento e crescimento das plantas.

O silício é o segundo elemento com maior abundância. Encontrado na crosta terrestre, é o componente que mais se encontra nas rochas, chegando a ocupar 28% de toda a massa, perdendo apenas para o oxigênio.

A adubação silicatada é muito importante para o aumento da produtividade e uma grande estratégia no controle de pragas e doenças, além de fornecer cálcio e magnésio para a cultura.

Potencializando fungicidas sistêmicos

O fosfito estimula o metabolismo vegetal, possui uma absorção foliar extremamente rápida e estimula o metabolismo vegetal, auxiliando na absorção foliar de nutrientes, devido à ação quelatizante, e promovendo uma nutrição mais eficiente.

Aumenta, também, o nível foliar de clorofila, tornando a fotossíntese mais ativa e estimulando o desenvolvimento radicular. Aumenta o volume de solo explorado pela planta, favorecendo a absorção de nutrientes e água do solo.

Otimiza a resistência das plantas às condições climáticas adversas, favorece uma melhor floração e frutificação, melhorando a qualidade e tamanho de frutos, resultando em um período maior de durabilidade pós-colheita, o que ajuda a cultura a se recuperar de danos ocorridos por fitotoxidez de agrotóxicos.

O fosfito, quando aplicado às plantas, é absorvido rapidamente através de suas estruturas radiculares, com grande mobilidade na fisiologia da planta, atingindo rapidamente os locais que apresentam sintomas de deficiência deste nutriente.

Na utilização do fosfito, a planta consegue obter a capacidade estimulativa de produzir fitoalexinas. Estas são sintetizadas nas inclusões citoplasmáticas, que ficam localizadas próximas ao local de penetração do patógeno.

A ação defensiva por fungos acontece por uma desorganização celular, rompendo a membrana plasmática e inibindo as enzimas fúngicas. Devido a esses efeitos, o patógeno tem sua germinação inibida, a elongação do tubo germinativo impedido e o crescimento micelial dificultado.

Por ser sintetizador de fitoalexinas na fisiologia vegetal, o fosfito tem a capacidade de ampliar a resistência, fortalecendo sua forma estrutural, dificultando a penetração de diversos patógenos e agindo como um protetor, quando aplicado de forma correta.

Lembrando que ele protege, mas não evita em sua totalidade o surgimento de algum fator ou agente biótico que consiga derrubar essa defesa naturalmente criada. Assim, faz-se necessário, também, a utilização de outros produtos para efeito curativo e preventivo, ampliando a proteção vegetal.

Chamando a atenção

O silício é um elemento que desperta grande interesse entre agricultores e pesquisadores que atuam na área, devido ao seu histórico e diversos benefícios que vem trazendo a diversas culturas.

Tais benefícios vão desde o aumento significativo na produtividade, ataques de insetos, doenças fúngicas, resistências a estresses bióticos e abióticos e, também, resistência a deficiências hídricas.

Ao adicionar um nutriente ao solo, ocorrem diversas reações químicas que modificam, diretamente, o pH, o que pode ampliar ou reduzir a capacidade tamponante do solo (CTC, capacidade de troca de cátions), ou seja, amplia ou reduz a disponibilidade de outro nutriente para a planta. 

Benefícios

O silício, por meio de uma série de ações no metabolismo da planta, tanto do ponto de vista químico como físico, pode contribuir para que haja aumento no crescimento e na produtividade.

A palavra-chave para este elemento é antiestressante, pois ele tem um papel importante nas relações planta-ambiente, fornecendo à cultura melhores condições para suportar adversidades climáticas, biológicas e do solo, tendo como resultado final um aumento e maior qualidade de produção.

Os efeitos do silício nas plantas são mais evidentes quando elas são submetidas a algum tipo de estresse, seja ele de natureza química, física ou biológica. Maior rigidez estrutural, menor transpiração, maior tolerância a doenças e pragas, maior resistência ao acamamento, encharcamento, veranicos e geadas, bem como neutralização ou diminuição dos efeitos tóxicos de metais pesados, como manganês e alumínio, são alguns dos importantes benefícios que a adubação silicatada pode proporcionar às plantas cultivadas.

Mecanismos naturais de defesa

O silício atua na planta melhorando a forma estrutural, proporcionando diversas mudanças na anatomia dos tecidos, maior espessura às células epidérmicas e à parede celular devido à deposição de sílica nestas áreas.

Favorece a estrutura geral da planta e aumenta sua capacidade fotossintética. A tecnologia baseada no uso do silício é sustentável e limpa, com um grande potencial para diminuir o uso de químicos e aumentar a produtividade, devido à nutrição mais equilibrada e fisiologicamente mais eficiente, gerando plantas mais produtivas, com menos doenças e mais vigorosas.

Inovações

Estão chegando no mercado novos produtos que possuem em sua fórmula fosfito de potássio juntamente com silício, uma grande inovação que busca aliar e integrar os benefícios obtidos pelos dois produtos que, separados, já possuem uma grande história de vitórias em campo, no trato cultural do campo.

Essas inovações que o mercado apresenta são soluções que buscam cada dia mais o melhor resultado de controle de pragas e patógenos, de uma forma que possa agredir menos o meio ambiente.

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