Fosfito proporciona mais teor de sólidos solúveis em citros?

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Autores

Roque de Carvalho Dias
roquediasagro@gmail.com
Leandro Bianchi
leandro_bianchii@hotmail.com
Samara Moreira Perissato
samaraperissato@gmail.com
Vitor Muller Anunciato 
vitor.muller@gmail.com 
Engenheiros agrônomos, mestres e doutorandos em Agronomia – UNESP/FCA

Em citros, o enchimento de frutos é etapa fundamental para atender as demandas do mercado de frutas in natura e indústria. Os fatores de qualidade e que determinam a valoração dos frutos in natura são a cultivar, o calibre ou tamanho da fruta, a coloração e o aspecto da casca, além do principal fato, a quantidade e a qualidade do suco (teor de sólidos solúveis e acidez).

Essas características, principalmente a qualidade do suco, dependem do destino da fruta, ou seja, se esta é direcionada à indústria, os principais fatores de qualidade são o conteúdo de suco e açúcar, enquanto para a comercialização de fruta in natura, os parâmetros de qualidade dependerão do mercado em que a fruta será vendida, cujas exigências poderão ser evoluídas com o decorrer do tempo.

Teor de sólidos solúveis em citros

O fosfito é um composto originado do fosfato. Esse produto puro pode ter ação fungicida e atuar como uma possível fonte de fósforo em sua forma reduzida. O fósforo é um nutriente que não afeta diretamente o teor de sólidos solúveis (°Brix), interferindo diretamente em outras características positivas da casca, acidez dos frutos, evita o crescimento excessivo dos frutos e aumenta o teor de suco.

O fosfito pode ser uma fonte de suplementação de fósforo, principalmente quando as demandas das plantas por esse composto são altas, como na floração, brotação, formação e maturação.

Vale ressaltar que produções médias de 40 toneladas de frutos tendem a aproximadamente 130 kg de P2O5 por hectare. Devido ao citros ser uma cultura perene, a disponibilidade de nutrientes de forma ideal pode não ser muito eficiente via solo, ainda mais se levando em consideração que essas plantas não possuem uma capacidade de aproveitamento tão grande desse elemento, cerca de 12%, enquanto que para o nitrogênio é de 55% e potássio é de 60%.

Dessa forma, o fósforo não atua diretamente no aumento dos °Brix, contudo, a sua ausência pode afetar negativamente outras rotas metabólicas da planta e indiretamente diminuir o teor de grau °Brix. Vale destacar que o fosfito em sua forma “solteira”, somente como fonte de fósforo, não é mais comumente comercializada nos dias atuais.

Hoje é realizada em mistura de 20±30% de fósforo e 20±25% de potássio, sendo esse nutriente essencial para o aumento do teor de sólidos solúveis nos frutos. O potássio atua no metabolismo de carboidratos, refletindo-se diretamente na translocação de carboidratos produzidos nas folhas e na síntese de sacarose, amido, lipídeos, aminoácidos e proteínas.

Todos esses compostos são acrescidos na quantidade de compostos solúveis, que correspondem ao total de todos os compostos dissolvidos em água. Essa quantidade total considera o teor de sólidos solúveis (°Brix), em uma colocação mais simplista em grau Brix é igual a 1,0 g de açúcar por 100 g de solução.

Além disso, o fosfito pode auxiliar indiretamente no aumento do °Brix dos citros por meio do auxílio da sanidade. É comprovado que a sua ação fungicida, por meio de sua forma Fosetyl-Al aplicando normalmente 0,3%, é eficiente no controle de uma série de fungos patogênicos, dentre eles a gomose (Phytophthora nicotianae var. parasitica), podridão parda (Phytophthora citrophthora) e tombamento (Pythium aphanidermatum).

Essas doenças possuem diferente níveis de patogenicidade e podem afetar negativamente as plantas, gerando redução na produção e no grau °Brix. Outra forma na qual os fosfitos podem auxiliar na sanidade da planta é pelo estímulo à produção de fitoalexinas nas plantas. Esse composto atua como ‘anticorpo’, inibindo a infecção de patógenos.

Assim, garantir a boa sanidade das plantas é de suma importância para que as plantas possam expressar o seu máximo potencial produtivo, refletindo na qualidade do produto final.

Mais eficiência

O fosfito apresenta um alto grau de solubilidade e mobilidade, sendo rapidamente absorvido pelas plantas, deslocando-se através das membranas celulares. O caráter sistêmico dos fosfitos (ascendentes e descendentes) e a rápida absorção pelas raízes, caule e folhas permitem vários métodos de aplicação, como pulverização foliar, via fertirrigação, pincelamento ou ainda por imersão, de acordo com o tipo de planta.

Essa característica de rápida absorção e mobilidade na planta reforça a utilização do fosfito como remediador para problemas de deficiência de fósforo em todos os órgãos vegetais, pois ele pode circular por toda a planta.

Em citros, o tipo de pulverização mais utilizado é via foliar em uma concentração de 0,3 a 1%. Geralmente essa pulverização se dá em mistura com outros agroquímicos, sendo necessária a realização de três a quatro aplicações: iniciando pouco antes do florescimento e as demais com intervalo de 45 a 60 dias.

Essas pulverizações tendem a aumentar a floração e formação dos frutos devido à maior sanidade das plantas.

Viabilidade

O custo-benefício da utilização dos fosfitos é bastante variável e difícil de ser mensurado, de forma geral. Assim, é fundamental a análise de caso a caso, contudo, de maneira geral as formulações comercias que possuem maior valor custam por volta de R$ 300 o galão de cinco litros.

Apesar de não apresentar um elevado preço final para o produtor, o uso do fosfito não pode ser empregado de forma arbitrária e deve sempre contar com a recomendação e acompanhamento de um engenheiro agrônomo responsável. Isso porque o uso demasiado do fosfito, em combinação com outros fatores, pode trazer uma série de problemas, principalmente à qualidade dos frutos, já que o fósforo e potássio em excesso podem prejudicar a formação e desenvolvimento dos frutos.

Os principais sintomas de excesso de fósforo nos frutos são: redução do tamanho dos frutos, as cascas ficam grossas e enrugadas, e o fruto com acidez excessiva. Já o excesso de potássio nos frutos causa frutos excessivamente grandes, com casca espessa, esponjosa e enrugada, diminuindo o teor de suco e sólidos solúveis.

Devido a sua característica de fertilizante foliar, o fosfito muitas vezes é utilizado na calda de pulverização, em mistura com muitos produtos. Contudo, deve-se ressaltar os cuidados com possíveis incompatibilidades da mistura, prejudicando assim a eficácia dos produtos.

Além da incompatibilidade física, o fosfito pode sofrer com interações negativas entre os produtos em mistura. Já se sabe que ele apresenta menor eficiência e pode comprometer negativamente a eficiência de alguns fungicidas. Assim, é necessário sempre a consulta de um engenheiro agrônomo e a realização de uma mistura teste, observando o comportamento dessa mistura antes de ir para o tanque.