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sexta-feira, agosto 12, 2022
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Fosfitos – Indutores de resistência da cana às doenças

Autores

Renato Passos Brandão
Gerente do Departamento Agronômico do Grupo Vittia
renatobrandao@vittia.com.br
Rafael Bianco Roxo Rodrigues
Gerente Técnico de São Paulo e Sul de Minas – do Grupo Vittia
rafaelbianco@vittia.com.br
José Renato Otávio
Estagiário do Departamento Agronômico do Grupo Vittia
joserenato@yahoo.com.br

Foto Ana Maria Diniz

Nas últimas décadas, a utilização de fertilizantes à base de fosfitos nas culturas tem crescido significativamente, proporcionando aumento na produtividade e qualidade dos produtos agrícolas. Dentre os principais benefícios dos fosfitos estão a rápida absorção e translocação no floema das plantas, excelente agente complexante, favorecendo a absorção dos nutrientes catiônicos e atuando no controle e prevenção de doenças.

Inicialmente, os fosfitos foram utilizados no controle de doenças de plantas causadas pelos fungos da ordem dos Oomicetos, principalmente os fungos pertencentes ao gênero Phytophtora (Castro et al., 2017).

Posteriormente, os fosfitos foram testados em outras doenças com resultados semelhantes, destacando-se a gomose e o estiolamento em citros, míldios em roseiras, videiras e hortaliças, seca dos ponteiros em cafeeiro, podridão da raiz em maçã e podridão do caule em pimentão.

Atualmente, os fosfitos são largamente utilizados no Brasil e em diversos países, dentre os quais a Austrália, Espanha, Itália, Estados Unidos e Israel, nas mais variadas culturas – abacate, abacaxi, batata, berinjela, café, citros, cucurbitáceas, feijoeiro, frutas de caroço, hortaliças em geral, maçã, morango, plantas ornamentais, soja e videira.

Entretanto, no Brasil o uso de fosfitos em cana ainda é incipiente, havendo a necessidade de pesquisas para a adequação da dose e a época de aplicação.

O que são fosfitos?

A fonte mais usual de fósforo para as plantas são os fertilizantes fosfatados provenientes do ácido fosfórico. Quando o ácido fosfórico (H3PO4) é neutralizado por uma base, como o hidróxido de potássio, este origina, em solução aquosa, os íons fosfatos (PO43-).

Quando o ácido fosforoso (H3PO3) é neutralizado por uma base, como o hidróxido de potássio, originam em solução aquosa os íons fosfitos (HPO33-).

O íon fosfito difere quimicamente do íon fosfato, devido à substituição de um átomo de oxigênio por um de hidrogênio (Figura 1).

Portanto, o fosfito é a designação genérica para os sais de íons HPO32- e H2PO3- que derivam da dissociação do ácido fosforoso (H3PO3) em meio aquoso na presença de uma base.

Devido a essa característica química dos íons fosfitos – substituição de um átomo de oxigênio por um de hidrogênio –, apresentam maior solubilidade em água, sendo absorvidos com extrema rapidez pelas plantas. Cerca de 90% dos íons fosfitos aplicados na parte aérea das plantas são absorvidos entre três e seis horas após sua aplicação.

Uma vez absorvido pelas plantas, os íons fosfitos são muito móveis no floema, conferindo uma ampla distribuição desde os brotos até os pontos de crescimento das raízes.

Benefícios

Os fosfitos são considerados indutores de resistência de plantas às doenças e podem atuar diretamente sobre os patógenos. Segundo Lovatt & Mikkelsen (2006), as respostas fisiológicas dos fosfitos podem estar relacionadas ao metabolismo do açúcar, à estimulação da rota do ácido chiquímico ou alterações hormonais e químicas nas plantas.

Os fosfitos funcionam como agentes de controle de doenças causadas por fungos da ordem dos Oomicetos, principalmente os fungos pertencentes ao gênero Phytophtora (McDonald et al., 2001).

Há relatos de usinas e fornecedores de cana de que os fosfitos aumentam a resistência da cana à estria vermelha, doença bacteriana causada pela Acidovorax avenae subsp. avenae. Os fosfitos controlam as doenças nas plantas por meio de dois mecanismos: ação preventiva e curativa, ou direta sobre os patógenos (Fenn & Coffey, 1984; Smillie et al., 1989).

Ü Ação preventiva: os fosfitos ativam o sistema de defesa das plantas, estimulando a formação de substâncias naturais de autodefesa das plantas, como as fitoalexinas, protegendo-as do ataque de fungos (Fenn & Coffey, 1984).

As fitoalexinas são substâncias sintetizadas pelas plantas, atuando na defesa natural contra doenças. Apresentam grande diversidade e, atualmente, mais de 300 tipos de fitoalexinas já foram caracterizados quimicamente, dentre as quais as cumarinas, os diterpenos e os flavonoides.

Ocorre acúmulo temporário de fitoalexinas nos locais e nos arredores das infecções nas plantas. Entretanto, não apresentam especificidade e não imunizam as plantas contra as doenças.

Ü Ação curativa ou direta: atuam diretamente nos fungos, paralisando o crescimento dos micélios e inibindo a germinação dos esporos. Em citros, além do fosfito proporcionar aumento na produtividade devido à redução da incidência de doenças, tem sido verificado também melhora na qualidade dos frutos. Ocorre incremento no número de frutos com maior tamanho e na classificação comercial, aumento no teor de sólidos solúveis totais (grau brix) e na porcentagem de acidez do suco (Rickard, 2000).

A aplicação de 4,0 L/ha do fosfito em feijoeiro minimizou os sintomas causados pelo glifosato. Provavelmente o fosfito reverteu o efeito deletérico do glifosato na síntese de três aminoácidos – fenilalanina, tirosina e triptofano – pelo feijoeiro (Serciloto & Castro, 2005).

As plantas demandam menos energia para a absorção do fosfito em relação ao fosfato. Além disso, os fosfitos aumentam a absorção dos nutrientes catiônicos que estiverem na calda de pulverização, tais como potássio, cálcio, magnésio, cobre, ferro, manganês e zinco.

Experimentos com o Phitopress® K26TT em cana

Com o intuito de avaliar o efeito do Phitopress® K26TT aplicado via foliar em cana-soca, foram instalados três experimentos, sendo dois em Morrinhos (GO) e um em Tarumã (SP).

Utilizou-se o delineamento experimental em blocos casualizados (DBC) com quatro repetições. As parcelas foram constituídas por cinco linhas de cana com 10 m de comprimento e espaçadas 1,5 m entre si, totalizando área de 75 m2. A área útil das parcelas foi constituída pelas três linhas centrais, descartando-se 1,0 m nas extremidades, totalizando 36 m2.

Em Morrinhos (GO) foram instalados dois experimentos em cana-soca da variedade IAC SP95-5000 – 3º corte – em um ambiente de produção classificado como B. No primeiro experimento foram avaliadas quatro doses do Phitopress® K26TT via foliar em cana-soca: 0, 1,0, 2,0 e 3,0 L/ha. O volume de calda de pulverização foi de 150 L/ha. No segundo experimento foram avaliadas duas doses do Phitopress® K26TT via foliar: 0 e 1,0 L/ha.

Em Tarumã o experimento foi instalado em cana-soca da variedade RB86-7515 – 3º corte – em um ambiente de produção classificado como B. Neste experimento foram avaliadas duas doses do Phitopress® K26TT via foliar: 0 e 1,0 L/ha.

Resultados

Em Morrinhos o Phitopress® K26TT aplicado via foliar aumentou a produtividade da cana-soca. No primeiro experimento a dose do Phitopress® K26TT que proporcionou o maior incremento na produtividade da cana-soca foi de 1,0 L/ha (Figura 2).

No segundo experimento em Morrinhos, a dose de 1,0 L/ha do Phitopress® K26TT proporcionou aumento de 13,08 t/ha na produtividade da cana-soca. O aumento médio na produtividade da cana-soca nos dois experimentos, com 1,0 L/ha do Phitopress® K26TT via foliar em Morrinhos foi 12,26 t/ha (Figura 3).

Em Tarumã, a dose de 1,0 L/ha do Phitopress® K26TT proporcionou aumento de 11 t/ha na produtividade da cana-soca (Figura 4). O Phitopress® K26TT não alterou significativamente o ATR da cana-de-açúcar.

O que é Phitopress® K26TT?

É um fertilizante fluido com uma formulação diferenciada. Contém íons fosfitos provenientes da neutralização do ácido fosforoso por uma base forte – hidróxido de potássio – em meio aquoso, atuando nos mecanismos de defesa das plantas contra as doenças.

O Phitopress® K26TT possui 26% de K2O e densidade de 1,50 g/mL. O pH do produto situa-se na faixa ligeiramente ácida a ligeiramente alcalina – pH entre 6,0 a 7,5.

Formas de fornecimento do Phitopress® K26TT

Como os íons fosfitos apresentam grande mobilidade nas plantas, permite que o mesmo possa ser aplicado de diferentes formas. A forma mais usual para o fornecimento do Phitopress® K26TT nas plantas é por meio das aplicações foliares. Em cana, o Phitopress® K26TT também pode ser aplicado na cobrição dos toletes.

Entretanto, há outras formas para o fornecimento do Phitopress® K26TT às culturas. O pincelamento das partes das plantas atacadas por fungos é amplamente utilizado em frutíferas. Em citros, o pincelamento ocorre na parte do tronco atacada pela gomose (Phytophora citrophtora).

A imersão das mudas das plantas em solução com o Phitopress® K26TT é um método pouco utilizado no Brasil. As raízes das plantas são imersas em uma solução de fosfitos antes do transplante definitivo. Este método é utilizado em países asiáticos na cultura do arroz.

A fertirrigação é outro método utilizado para o fornecimento do Phitopress® K26TT às plantas, sendo pouco utilizado nas condições de cultivo do Brasil. Neste método de fornecimento de fosfitos às plantas, a eficiência agronômica é menor do que a aplicação via foliar e o pincelamento no tronco das frutíferas.

Recomendações de uso

Aplicar 1,0 L/ha do Phitopress® K26TT via foliar no período de maior desenvolvimento vegetativo da cana – novembro a janeiro.

Compatibilidade dos fosfitos

O Phitopress® K26TT é compatível com a maioria dos defensivos agrícolas e fertilizantes foliares. Em misturas do Phitopress® K26TT com os fertilizantes fornecedores de micronutrientes catiônicos solúveis em água, por exemplo, Complet Express, Cerrado ou Mangan 10, reduzir inicialmente o pH da calda de pulverização para a faixa ácida com o Combine Max®.

O Phitopress® K26TT pode apresentar problemas de compatibilidade com os seguintes produtos: óleos minerais e vegetais ou produtos que contenham dicofol, dimetoato, enxofre, cartap, produtos cúpricos e estanhados e calda sulfocálcica. Realizar testes de compatibilidade entre o Phitopress® K26TT e os defensivos agrícolas mencionados antes das aplicações nos canaviais.

Considerações finais

O Phitopress® K26TT é um fertilizante fluido à base de fosfito de potássio proveniente da neutralização do ácido fosforoso com hidróxido de potássio com pH na faixa ligeiramente ácida – 6,0 a 7,5.

O Phitopress® K26TT reduz a incidência de doenças em cana por meio de dois mecanismos: ação preventiva e curativa ou direta sobre os patógenos. Ativa o sistema de defesa das plantas, estimulando a síntese de fitoalexinas. Além da ação preventiva, o Phitopress® K26TT também tem ação curativa ou direta, atuando diretamente sobre os fungos, paralisando o crescimento dos micélios e inibindo a germinação dos esporos.

A forma de aplicação mais usual do Phitopress® K26TT em cana é via foliar, podendo ser realizada em conjunto com os defensivos agrícolas e fertilizantes foliares. Nos três experimentos realizados em Morrinhos e Tarumã, a dose de 1,0 L/ha do Phitopress® K26TT aplicado via foliar na fase de maior desenvolvimento vegetativo da cana-soca proporcionou aumento médio de 11,84 t/ha na produtividade da cultura.

Aplicar 1 L/ha do Phitopress® K26TT via foliar no período de maior desenvolvimento vegetativo da cana. Mais informações, entrar em contato com os supervisores de vendas ou o departamento agronômico do Grupo Vittia.

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