Fósforo: Aliado na proposta de alta produtividade da soja

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Autores

Herika Paula Pessoa
Engenheira agrônoma, mestra e doutoranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV) herika.paula@ufv.br
Ronaldo Machado Junior
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia e doutorando em Genética e Melhoramento – UFV ronaldo.juniior@ufv.br
Fotos: Shutterstock

Nos últimos 25 anos a produção brasileira de soja triplicou. Considerando apenas a safra 2019/20, a produção brasileira de soja deve crescer 8% em relação à temporada anterior e atingir recorde de 126 milhões de toneladas, conforme estimado pela consultoria Datagro. De acordo com o levantamento, o resultado decorre da alta de 3% na área plantada no País de 36,06 milhões de hectares em 2018/19 para 37,03 milhões hectares neste ano.

As produtividades recordes de soja observadas no Brasil são um fenômeno multifatorial. Empresas e agricultores estudaram e se especializaram no cultivo desse grão, apostaram em novas tecnologias, novos materiais e novas estratégias de produção, o que culminou em um aumento significativo na produtividade da soja.

A expressão do potencial produtivo da soja é dependente das condições ambientais tais como incidência de luz solar, temperatura, disponibilidade de agua; de técnicas adequadas de cultivo como preparo do solo, controle de pragas e doenças, sistema de plantio e cultivares; dos fatores físicos do solo como matéria orgânica, umidade, temperatura e textura e, principalmente, do suprimento adequado de nutrientes.

Limitações

Dentre os nutrientes, o fósforo (P) é um dos mais limitantes à produtividade da soja em solos tropicais. Os solos brasileiros, no geral, apresentam baixa disponibilidade de fósforo, em consequência do material de origem e da forte inter-relação do fósforo com o solo, tais como a adsorção, precipitação, imobilização do fósforo inorgânico, sua mobilização na forma orgânica e sua mineralização.

O fósforo desempenha um papel protagonista durante o desenvolvimento da cultura da soja, e por isso produtores têm observado respostas significativas no rendimento da cultura quando o manejo desse nutriente é cautelosamente realizado.

Durante os estádios V4 e V6 as plantas de soja apresentam grande exigência em relação ao fósforo. Essa é a época em que esse nutriente é absorvido em maior quantidade, entretanto, cerca de 60% da demanda total de fósforo pela soja ocorre após R1. Dessa forma, as plantas de soja demandam suprimento constante deste nutriente durante praticamente todo o seu ciclo.

Fique atento

Embora as maiores velocidades de absorção de macronutrientes aconteçam durante o florescimento e início de enchimento dos grãos, para a maioria desses, as maiores quantidades são absorvidas após o florescimento. De fato, a deficiência de P no solo diminui o potencial de rendimento nos estádios reprodutivos iniciais, como o florescimento, pela menor produção de flores e maior aborto dessas estruturas; o efeito da deficiência de P continua a se manifestar na formação de menor quantidade e maior aborto de legumes, o que resulta na diminuição do potencial de rendimento da soja.

Dessa forma, a obtenção de desenvolvimento vegetal e, consequentemente, produtividades satisfatórias são altamente dependentes da utilização de fertilizantes fosfatados. A tomada de decisão para a aplicação de fósforo deve ser baseada principalmente nos resultados de análise de solo e no histórico da área. É interessante ter em mãos o resultado de análise das últimas três safras para uma decisão segura.

As decisões quanto à necessidade e ao modo de aplicação do fertilizante fosfatado para a cultura da suja serão dependentes dos níveis de fósforo na análise do solo. Quando os teores de fósforo por Mehlich-1 e Resina se apresentarem em níveis muito baixos, baixos ou médios, há a necessidade de correção com fósforo.

Aplicado a lanço e incorporado

Para a correção total, o fertilizante fosfatado de correção pode ser aplicado a lanço e incorporado. Para a correção gradual pode-se aplicar o fertilizante fosfatado de correção no sulco de semeadura em doses até a faixa de 120 – 140 kg ha de P2O5, de acordo com a necessidade indicada pela análise.

Quando a análise de solo indicar teores de fósforo adequados ou altos, não há a necessidade de correção com fósforo e pode se fazer uso de adubação de manutenção no sulco de semeadura ou a lanço em superfície antes da semeadura, desde que o plantio direto seja bem conduzido, com rotação de culturas, palhada e culturas cobrindo o solo durante o ano todo.

Caso o manejo do solo não esteja adequado, é necessário aumentar a dose de fósforo de manutenção em no mínimo 25%.