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terça-feira, julho 5, 2022
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Fungicidas multissítios atingem o alvo certo

Carlos Gilberto Raetano

Doutor e professor da FCA/UNESP ” campus de Botucatu

raetano@fca.unesp.br

Diego Miranda de Souza

Doutorando em Agronomia/Proteção de Plantas ” FCA/UNESP-Botucatu

diego-agronomia@hotmail.com

Créditos Carlos Gilberto Raetano
Créditos Carlos Gilberto Raetano

Desde a detecção da ferrugem asiática da soja (FAS), na safra 2001/2002, a pulverização de fungicidas é uma das principais técnicas de controle. Dentre as moléculas fungicidas utilizadas neste período, destacam-se aquelas dos grupos químicos triazóis, estrobilurinas, e mais recentemente as carboxamidas.

Historicamente, os primeiros fungicidas recomendados continham apenas uma molécula fungicida, atuando em sítio de ação específico no agente causador da doença. Devido à enorme pressão de seleção exercida pelo número limitado de moléculas fungicidas disponíveis, foi possível notar redução significativa e cíclica da eficácia dos fungicidas. Assim, ao longo das safras agrícolas surgiu a recomendação de associar fungicidas de mecanismos de ação distintos para o controle da FAS.

No entanto, mesmo com o lançamento das carboxamidas, os mecanismos de ação disponíveis para o controle deste patógeno continuaram limitados e a redução da sensibilidade do fungo aos fungicidas ainda continua sendo presenciada. Uma situação preocupante, visto a importância econômica da cultura para o País e o potencial destrutivo da FAS.

Os multissítios

Com tratamento
Com tratamento

Sem tratamento
Sem tratamento

Nos últimos anos, em razão da ocorrência de isolados cada vez menos sensíveis aos fungicidas com sítio de ação específicos disponíveis no mercado tornou-se necessário a busca por alternativas mais eficazes. Neste contexto, a adoção de fungicidas que atuem em vários sítios de ação (multissítios) passou a ser considerada fundamental para o manejo de resistência da ferrugem asiática da soja.

Os fungicidas denominados multissítios atuam de forma conjunta em diferentes sítios de ação do fungo, ou seja, são inibidores não específicos de reações bioquímicas e ou metabólicas, o que torna este grupo de fungicidas menos propensos à resistência do agente patogênico.

Segundo o Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas ” Brasil (FRAC-Br), os grupos químicos representantes dos fungicidas multissítios, grupo M, são: enxofre, cobre, quinoxalina, maleimida, ditiocarbamato, cloronitrila, ftalimida, sulfonamida, guanidina, triazina e antraquinona, com 23 moléculas disponíveis (Tabela 1).

Grupo FRAC-Br Grupo químico Ingrediente ativo
M1 Inorgânico (Cobre) Cobre
M2 Inorgânico (Enxofre) Enxofre
M3 Ditiocarbamatos e relativos Zinco tiazol, Ferbame, Mancozebe, Manebe, Metiram, Propinebe, Tiram, Zinebe, Ziram
M4 Ftalimida Captana, Captafol, Folpete
M5 Cloronitrila Clorotalonil
M6 Sulfonamida Diclofluanida, Tolilfluanida
M7 Guanidina Guazatina, Iminoctadina
M8 Triazina Anilazina
M9 Antraquinona Ditianona
M10 Quinoxalina Quinometinato
M11 Maleimida Fluoroimida

Fungicidas com atividade de contato multissítio, grupo M, segundo o FRAC-Br, em março de 2018.

No entanto, dentre os 244 fungicidas comerciais registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para a cultura da soja podem ser considerados multissítios os grupos: enxofre, cobre, ditiocarbamato e isoftalonitrila.

Técnicas eficazes

Com tratamento
Com tratamento

Sem tratamento
Sem tratamento

A ação inespecífica destas substâncias não permite que os fungicidas multissítios sejam absorvidos pelas plantas, motivo pelo qual também são chamados de protetores e imóveis. Assim, para obter eficácia satisfatória destes fungicidas é necessário que a aplicação proporcione excelente cobertura da superfície vegetal a ser protegida.

Em razão das condições climáticas favoráveis, o início da doença FAS ocorre comumente nos folíolos das partes inferior e média das plantas. O manejo com fungicidas multissítios deve considerar uma tecnologia de aplicação que garanta a deposição e cobertura adequadas da calda fungicida nos folíolos mais propensos ao início da epidemia.

A proteção dos alvos iniciais da FAS não é tarefa fácil. A falta de mobilidade dos fungicidas multissítios exige que a distribuição da calda seja priorizada na pulverização. Para isso, o produtor dispõe de algumas técnicas: aplicações que antecedam o fechamento entre linhas (R1), utilizar volume de calda compatível com o estádio de desenvolvimento da cultura, respeitar os momentos climáticos adequados à aplicação (temperatura < 30°C, umidade relativa > 60 % e velocidade do vento entre 3 e 10 km/h), reduzir o tamanho das gotas de pulverização, utilizar assistência de ar ou outro dispositivo que incremente a penetração das gotas no dossel.

Essa matéria completa você encontra na edição de agosto de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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