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quarta-feira, agosto 10, 2022
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Fungicidas multissítios

Erica Camila ZielinskiEngenheira agrônoma e mestranda em Produção Vegetalericacamilazielinski@gmail.com

Daniela AndradeMestre em Fitotecnia e gerente de planejamento Agrícola – Santa Colombadaniela.agronomia9@gmail.com

Soja – Crédito: Daniel Cassetari

A ferrugem asiática da soja é uma das doenças mais importantes na cultura da soja, com perdas que variam de 10 a 90%, dependendo das condições climáticas e sensibilidade da cultivar.

A doença é causada pelo patógeno Phakopsora pachyrhizi, que é um fungo biotrófico que necessita do hospedeiro vivo para sobreviver. A doença pode acometer a cultura em todas as fases de cultivo, sendo mais comum a ocorrência na fase próxima ao florescimento.

Sintomas

A doença inicia-se pela base da planta, causa clorose e reduz a área fotossintética. Quanto mais cedo a entrada da doença, maiores os danos ocasionados. Em casos de ataques severos e falta de controle adequado, a planta é acometida por desfolha intensa e perda elevada da produtividade.

A doença pode ser identificada pela presença de pústulas na parte inferior da folha e aspecto ferruginoso. Os sintomas por sua vez, variam em decorrência da suscetibilidade da cultivar. Em cultivares suscetíveis ocorrem lesões do tipo TAN, com pouca necrose do tecido, intensa esporulação, com pústulas castanhas na parte inferior da folha.

Já em variedades que apresentam genes de resistência genética, como as que possuem tecnologia Inox ou Shield, ocorre reação de hipersensibilidade, conhecida como redish-brown (RB), com lesões necróticas marrom escuras no local da infecção e pequena ocorrência de pústulas.

Controle

Apesar de as cultivares com genes de resistência serem ferramentas que auxiliam no manejo, é indispensável a utilização de fungicidas para evitar perdas na produtividade, visto que a doença não deixa de ocorrer, ocorre apenas o retardamento dela a campo.

A doença é amplamente distribuída nas principais regiões produtoras de soja ao redor do mundo. No Brasil, ela entrou em 2001 no Estado do Paraná e se distribuiu para as principais regiões produtoras do País, estando atualmente presente em todo o território nacional.

Sua ocorrência e severidade nos locais de cultivo dependem fortemente da presença de inóculo, condições climáticas favoráveis e cultivar utilizada. Diante disso, é necessário utilizarmos medidas que diminuam a presença de inóculo no ambiente.

Pensando nisso, normativas foram estabelecidas nos Estados produtores, como a implantação do vazio sanitário, visando eliminar plantas voluntárias que são pontes verdes para a doença entre as safras, estabelecer a janela de plantio da soja para diminuir a pressão de inóculo no ambiente e evitar o plantio de soja sobre soja.

Manejo químico

Apesar da utilização de todas essas medidas, é indispensável o controle químico, visto que medidas culturais reduzem o inóculo, mas não erradicam o patógeno. O controle químico vem sendo empregado desde o início da ocorrência da doença no País, inicialmente com ingredientes ativos isolados disponíveis no mercado e ao longo do tempo foram sendo ajustados ingredientes ativos com melhor eficiência ao patógeno.

Com o passar dos anos, começaram a ocorrer casos de redução da eficiência dos produtos a campo. Esses passaram a ser posicionados em mistura, e mesmo assim atualmente é relatada resistência aos três principais grupos disponíveis no mercado, triazóis (DMIs), estrobilurinas (QOIs) e carboxamidas (SDHIs).

Com o aumento dos casos de resistência, outras medidas foram sendo preconizadas. Além da utilização dos produtos sítio-específicos em mistura, vem sendo recomendado também a utilização de multissítios, que por sua característica de atuar em vários sítios de ação dentro do fungo reduzem a proporção de indivíduos resistentes, auxiliando no manejo.

Dentro das formas de controle químico, é comum o controle preventivo, que é realizado antes da ocorrência da doença, quando os produtos funcionam como uma barreira de proteção contra a entrada do patógeno na planta.

Esses produtos geralmente atuam nas etapas iniciais de germinação e pré -penetração, inibindo a entrada do fungo na planta e posterior ocorrência da doença. Os fungicidas curativos, por sua vez, atuam após a entrada do patógeno no tecido, seja nas fases de colonização ou reprodução, causando a morte das células fúngicas e o controle da doença.

Recomendações

Apesar das duas formas serem eficientes, o controle será sempre mais efetivo quanto mais cedo for realizado. Dessa forma, o controle preventivo geralmente é mais eficiente e melhor para o sistema, reduzindo as chances de resistência do que o controle curativo.

Os produtos multissítios que vêm sendo amplamente empregados no manejo atuam de forma preventiva, eles agem formando uma camada protetora ao redor da planta. Como característica, eles não são absorvidos e nem translocados na planta, permanecem na superfície, sendo necessário uma boa cobertura de toda a planta para um controle eficiente, visto que o esporo será controlado ao entrar em contato com o produto.

Essa característica os torna muito dependentes das condições do ambiente pois, são facilmente lavados pela chuva. Apesar de suas peculiaridades, esses produtos possuem um bom controle da doença, por meio do controle dos esporos depositados nas folhas e vem auxiliando de forma significativa no controle da ferrugem a campo e no manejo da resistência, sendo altamente recomendado.

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