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sexta-feira, maio 20, 2022
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Gengibre: Nova aposta para exportação

Gengibre – Créditos: Shutterstock

O gengibre (Zingiber officinale Roscoe) é considerado uma das especiarias mais importantes e valorizadas ao redor do mundo, utilizada há mais de dois mil anos. O rizoma é muito utilizado no emprego alimentar e industrial, especialmente como matéria-prima para fabricação de bebidas, perfumes, essências e produtos de confeitaria, como pães, bolos, biscoitos e geleias.
Além disso, é muito conhecido popularmente pelo uso medicinal para aliviar sintomas como inflamação, doenças reumáticas, desconfortos gastrointestinais e ser um alimento termogênico (capaz de acelerar o metabolismo).
No entanto, outros produtos, além do rizoma in natura, podem ser ofertados ao mercado consumidor. Do rizoma imaturo, tenro e menos pungente, colhido em torno de seis meses, prepara-se a conserva e o gengibre cristalizado.

Regiões produtoras

No Brasil, este vegetal é cultivado na faixa litorânea de Santa Catarina e do Paraná, no Sul do Estado de São Paulo e também no Espírito Santo, que é responsável por metade da produção nacional. A boa produtividade nesses Estados brasileiros se dá em razão das condições de clima favorável e de solo (fértil, rico em matéria orgânica e de boa drenagem).
A produtividade média fica em torno de 20 a 25 t ha-1, porém, com manejo adequado e uso de tecnologias, como por exemplo, a irrigação, a produtividade pode chegar a 40 t ha-1.
Segundo a Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – DF), dois terços dos custos da implantação da cultura se dão em insumos, principalmente adubo, agrotóxicos e mudas. No entanto, outra aposta que vem associada à produção de gengibre é o cultivo orgânico, uma vez que é utilizado pelas indústrias farmacêutica e cosmética, além da alimentícia, podendo ser uma forma de agregar valor ao produto final e reduzir custos com defensivos agrícolas que representa grande fatia do preço de produção.
Por ainda ser uma cultura pouco expressiva no Brasil, há carência de informações no que se refere à evolução da produção brasileira. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta dados do ano base 2006, sendo a produção de 11,13 mil toneladas (IBGE, 2020).

Pelo mundo afora

No âmbito mundial, a FAO (Food and Agriculture Organization), nos dados mais recentes (ano de 2018), aponta como Índia e China os países com maiores produções, 893 mil t e 510 mil t, respectivamente, seguidas por Nigéria, Nepal e Indonésia. No mundo, são 373 mil ha com a cultura, a Ásia representa 81,7% da produção mundial de gengibre, enquanto as Américas apenas 0,8% (Faostat, 2020).
Comparativamente com outros países, o Brasil se inclui entre os pequenos produtores de gengibre, cuja produção é orientada para exportação. A produção brasileira é, geralmente, comercializada no estado in natura e se destina essencialmente à exportação, de 70 a 80%, principalmente para Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e Canadá.
O restante da produção normalmente não atinge a qualidade para exportação e é destinada ao mercado regional. Em 31/08/2020 o preço médio do quilo de gengibre comercializado na Ceagesp, segundo informações no site, foi de R$ 7,22.
Contudo, a presença de mercado consumidor e o número reduzido de produtores no Brasil, inclusive nas regiões de clima e solo favoráveis, tornam o gengibre como opção viável de produto destinado à exportação, em que preços mais rentáveis podem ser viabilizados aos produtores.

Investimento e retorno

O consumo do gengibre vem crescendo ano a ano no País por causa da difusão das informações sobre os benefícios que o rizoma pode oferecer à saúde. O mercado internacional de raízes tropicais já apresenta hoje uma demanda definida e, ainda, com uma potencialidade muito grande de crescimento.
O custo de produção do gengibre está, em média, em R$ 15 mil/ha, e a rentabilidade é de 100%. Os preços de mercado para gengibre costumam ficar mais baixos entre junho e julho, quando são colhidas as safras, e atingem picos mais elevados entre outubro e fevereiro.

Autoria:
Veridiana Zocoler de Mendonça – Engenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Energia na Agricultura – UNESP/FCA – veridianazm@yahoo.com.br
Aline Mendes de Sousa Gouveia – Engenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Horticultura – UNESP/FCA e professora – Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos (UNIFIO) – aline.gouveia@unifio.edu.br
Maria Idaline Pessoa Cavalcanti – Engenheira agrônoma e doutoranda em Ciência do Solo – Universidade Federal da Paraíba (UFPB) – idalinepessoa@hotmail.com

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