21 C
Uberlândia
sábado, julho 13, 2024
- Publicidade -spot_img
InícioArtigosFlorestasGesso prepara o solo para receber espécies florestais

Gesso prepara o solo para receber espécies florestais

Túlio Machado

Engenheiro agrônomo emestrando em Fitopatologia – ICIAG-UFU

José Geraldo Mageste

Engenheiro florestal e professor – ICIAG-UFU

Ernane Miranda Lemes

Engenheiroagrônomo, M.Sc. e doutor em Fitotecnia – ICIAG-UFU

ernanelemes@yahoo.com.br

 

O gesso agrícola apresenta em sua constituição predominantemente cálcio (Ca), cerca de 20%, e enxofre (S), cerca de 15%.

Crédito Fibria
Crédito Fibria

Os solos brasileiros, em especial os da região do Cerrado, são pobres em Ca em subsuperfície e apresentam uma grande quantidade de alumínio tóxico às plantas. Diante desta situação, torna-se necessário a correção deste solo para possibilitar um melhor desenvolvimento da planta.

A correção e o fornecimento de Ca em subsuperfície podem ser feitos por meio de calagens profundas, mas isso exigiria a utilização de maquinários pesados e específicos para este fim, e tornaria a atividade onerosa para o produtor.

Oportunidade

O gesso agrícola surge como uma oportunidade mais barata e eficaz para melhorar as condições do solo em subsuperfície. Por ser mais solúvel que o calcário, tem a possibilidade de descer por até um metro de profundidade no perfil, e por isso é um excelente condicionador de solo, pois, além de fornecer Ca em profundidade para as plantas, ele neutraliza o alumínio que é tóxico às plantas.

O enxofre presente no gesso também é de grande valia para a maioria das culturas, visto que elas têm uma demanda por este nutriente, que acaba não sendo fornecido quando fazemos adubações concentradas com NPK. Ao contrário do que muitos pensam, o gesso agrícola não acidifica o solo, porque não libera hidrogênio na sua reação. Por isso deve ser aplicado junto à calagem, e não em substituição a ela.

Manejo

A correção do solo utilizando gesso pode ser feita em dois momentos, quando pensamos em plantios florestais. No momento em que preparamos a área para ser plantada e fazemos o revolvimento do solo, seja para aplicação de calcário ou aumentar a aeração do solo, para abrir sulcos de plantios, dentre outros, ou quando já temos a cultura implantada.

Neste caso, não podemos fazer o revolvimento do solo, pois danificaríamos as raízes das árvores e assim elas teriam seu crescimento prejudicado. Nesse momento devemos aplicar o gesso somente na superfície, sem incorporação e, em pouco tempo, após reagir com a água, ele começará a penetrar nas camadas mais profundas do solo, levando consigo nutrientes como o Ca, que é essencial para o crescimento das plantas.

As raízes das plantas cultivadas em solos ácidos como os do Cerrado apresentam um sistema radicular muito reduzido quando comparadas com as mesmas plantas em outros países. O fato principal disso é que, para que possa crescer, a planta precisa de Ca, e os solos brasileiros, em geral, são pobres e muito ácidos.

Quando o gesso leva Ca para camadas mais profundas, as raízes conseguem absorvê-lo e, consequentemente, crescem mais. Por apresentarem tamanhos maiores, se tornam mais eficientes na absorção de água e nutrientes, o que reflete num maior crescimento de parte aérea e, consequentemente, em maior produção.

Além disso, diminui a toxicidade do alumínio, formando Al(SO4)+, que é menos tóxico à planta. Uma consideração da aplicação de gesso é que ele pode aumentar a lixiviação de nutrientes como o Mg e Mo, mas que podem muito bem ser suplementados via adubação mineral ou foliar.

Plantas com sistema radicular mais profundo, em decorrência da aplicação de gesso agrícola, são mais tolerantes a déficits hídricos causados pela ocorrência de veranicos, que acontecem com frequência anualmente.

Quando fazer a gessagem

A aplicação de gesso deve sempre ser com referência na análise de solo. Para isso, o produtor deve consultar um engenheiro agrônomo para que ele possa analisar corretamente e fazer a recomendação com base nas necessidades reais do solo.

Amostragens específicas para aplicação de gesso devem ser feitas em camadas mais profundas do solo, entre 20 a 40 cm de solo ou de 30 a 60 cm, diferentemente da amostragem convencional, que é feita de 0 a 20 cm de solo.

Os parâmetros a serem observados pelo agrônomo são: o teor de argila do solo, a CTC (Capacidade de Troca Catiônica), teor de Ca e Al presentes no solo. Se os teores de Ca estiverem menores do que 0,4 cmc dm-3, ou teores de Al3+ estiverem maiores do que 0,5 cmc dm-3, ou a saturação por alumínio (m) for inferior a 30%, é recomendável que se faça aplicação de gesso na área.

O ideal é que cada produtor conheça bem a sua propriedade e faça o acompanhamento de sua floresta, com análises de solo anualmente para ter conhecimento dos nutrientes que deve aplicar, ou não, e a quantidade destes.

Pode-se fazer também análises foliares para avaliar a quantidade de cada nutriente presente na folha em cada fase da cultura e comparar com o que seria o ideal, e a partir disso programar suas adubações de cobertura e manutenção.

Para calcular a dose de gesso a ser aplicada em plantios florestais, utilizamos a seguinte fórmula:

NG (kg ha-1) = 75 x argila (%)

NG = necessidade de gesso,

Argila (%) = porcentagem de argila presente na análise de solo.

Custo

A aplicação de gesso é uma ótima alternativa para o produtor, haja vista a quantidade de benefícios que ele traz à cultura. É um produto relativamente barato – seus preços de venda oscilam entre R$ 50,00 e R$ 60,00 a tonelada.O que encarece é o frete.

O produtor que quiser comprar o produto deverá calcular o frete da sua propriedade até a cidade produtora.Agricultores que estiverem mais próximos às regiões produtoras do gesso agrícola terão um custo relativamente menor para a aquisição do produto, o que torna ainda mais interessante a aplicação dele em sua propriedade.

Já os produtores mais distantes devem ter tudo “na ponta do lápis“ para fazer a escolha certa. Em geral, a aplicação do gesso é viável economicamente e traz muitos benefícios às culturas florestais.

Essa matéria você encontra na edição de maio/junho de 2018 da Revista Campo & Negócios Floresta. Adquira o seu exemplar.

 

Ou assine

ARTIGOS RELACIONADOS

Telas – Mais proteção no cultivo de tomate

AutoresLuana Keslley Nascimento Casais luana.casais@gmail.com Rhaiana Oliveira de Aviz rhaianaoliveiradeaviz@gmail.com Emanoel dos Santos Vasconcelos emanoeldsvpgm@gmail.com Graduandos em Agronomia - Universidade Federal Rural da Amazônia...

Sistema de soldagem de revestimento Arcing é lançado para usinas de açúcar e álcool

Apto para ser utilizado durante a moagem e único no mercado resistente à água   A Fronius do Brasil " líder em alta tecnologia de soldagem...

Qual a ação dos fertilizantes organominerais na beterraba?

Autores Júlio César Ribeiro Engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia/Ciência do Solo) - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) jcragronomo@gmail.com Carlos Antônio...

Algas marinhas aumentam o peso da batata

Nilva Terezinha Teixeira Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora de Nutrição de Plantas, Bioquímica e Produção Orgânica do Centro...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!