Giberelina na cana-de-açúcar

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Cana – Crédito: Miriam Lins

O objetivo principal é alongar os entrenós, resultando em colmos maiores e mais pesados, sendo que nos últimos anos, o time Sumitomo Chemical criou um Big Data comprovando os fatos que demonstram incremento de produtividade em torno de 7,67 ton/ha

Os reguladores de crescimento, conhecidos como hormônios, fazem parte da agricultura moderna e serão o pilar principal para elevar as produtividades por hectare. Dentro de sua classe, os principais são: giberelinas, auxinas, citocininas, etileno e ácido abscísico.

Segundo Fausto Bugalho, especialista em BioRacionais da Sumitomo Chemical, os reguladores de crescimento podem ser utilizados em todas as culturas, entretanto, cada ferramenta terá uma função específica para determinado vegetal. “Na cana, por exemplo, ocorre a alongação de entrenós com a utilização da giberelina. Já na cultura da soja, a mesma giberelina teria a função de fecundação uniforme das flores do rácemo. Para a cultura do limão, a giberelina, aplicada em pós-colheita, faz a manutenção da clorofila, mantendo a qualidade de casca e polpa dos frutos”, explica.

Definindo de modo geral, na cana a giberelina atua no terço médio da planta, alongando entrenós e, consequentemente, deixando as canas mais pesadas, enquanto no caso da florada da soja, ela terá função única e exclusiva no rácemo da planta, porém, sem interferir no crescimento vegetativo, já que a planta mudou para fase reprodutiva.

No caso da manutenção de clorofila, este é um benefício que se tem da não degradação dessa clorofila, resultando em uma maior vida de prateleira, podendo chegar a 40 dias.

Realidade

No exterior, os reguladores de crescimento já estão na agricultura há longa data, mas no Brasil, culturas de clima temperado, como a maçã, estão entre as pioneiras no uso desta tecnologia. “Outras culturas ainda estão caminhando para o uso. Na cana, a Sumitomo está há 10 anos desenvolvendo a giberelina, sendo que comercialmente nos últimos cinco anos dispõe de foco total na cultura, pensando no crescimento de negócios e expandindo a tecnologia. Sem dúvida, este é um mercado de muito potencial para a agricultura brasileira”, ressalta o especialista.

Em um passado não tão distante, trabalhava-se com nutrição de solo, em seguida a nutrição foliar veio para agregar ao sistema, primeiramente à base de sal, depois com os quelatos, fosfitos, extratos de algas, aminoácidos e agora com os reguladores de crescimento (hormônios), ferramentas que a Sumitomo Chemical possui de modo isolado, da mesma forma que se faz com apenas um nutriente isolado, utilizando apenas quando a planta realmente necessita.

Para a cana-de-açúcar

O posicionamento da Sumitomo Chemical para a cana-de-açúcar, atualmente, é que obrigatoriamente se tenha entrenós visíveis, porque a giberelina não atua no ponteiro. A dose de bula recomendada é de 7,5 g/ha. Fausto Bugalho enfatiza a importância que a aplicação seja feita com espalhante adesivo, devido à baixa dosagem requerida. “A cobertura é fundamental para a eficiência da operação e o momento da aplicação é de suma importância. Temos que utilizar essa ferramenta exatamente no momento de umidade, ou seja, em período seco a giberelina não tem função de alongação de entrenós. Detalhando a função da giberelina na cana-de-açúcar, podemos afirmar que a água no sistema vai trabalhar como um ‘bombeamento’ nas células não fibrosas e a giberelina promove um amolecimento nas paredes celulares que ficarão flácidas e então vão expandir, aumentando a capacidade de alongar entrenós, acumulando sólidos solúveis, ou seja, açúcar”, pontua.

Para fins de registro e entregando mais cana na esteira, uma aplicação somente é o que posicionamos para a cultura da cana, mas o time Sumitomo Chemical já está preparando novidades, pensando em um novo posicionamento com um novo registro, e em breve divulgará mais informações.

Benefícios

Quando falamos de reguladores, os benefícios são muitos, a partir de diferentes ferramentas e objetivos. Em especial, a giberelina, no cultivo da cana-de-açúcar, tem como objetivo principal alongar os entrenós, resultando em colmos maiores e mais pesados, ou seja, incremento de produtividade.

Em toneladas por hectare, a Sumitomo tem resultados de pesquisas que avaliaram 123 áreas colhidas de modo separado, com incremento médio de produtividade de 7,67 ton/ha quando utilizada a giberelina associada à nutrição versus apenas nutrição.

Fausto Bugalho lembra que o hormônio não deve substituir a nutrição de plantas, trata-se de um complemento.

Custo-benefício

Com um custo baixo, os reguladores de crescimento demandam um investimento de 0,5 tonelada de cana por hectare, enquanto o retorno ultrapassa 1 para 10, segundo o especialista, podendo chegar a 1 para 14 de retorno. “Essa é uma tecnologia que não há, no mercado, outra que entregue um custo-benefício como este”, garante.

A Sumitomo está em processo de extensão de registro para uma segunda aplicação. “Já temos o conhecimento de campo, porém, estamos avançando com o registro. Sabemos de outros benefícios indiretos, como a estruturação do número de perfilhos na touceira, transformando os inviáveis em viáveis e a manutenção da clorofila da cana, preparando-a para entrar em uma condição de frio intenso, como é o caso das geadas, e sair em melhores condições”, esclarece o especialista.

Resumindo, a giberelina tem a função única de produtividade, e não necessariamente de preparar a cana para os períodos de seca – esta é a função de outro regulador de crescimento que faz a abertura e fechamento de estômatos.

“A Sumitomo Chemical tem, nos planos, desenvolver mais reguladores de crescimento para a cultura da cana. Aguardem, em breve teremos mais novidades”, adianta Bugalho.

Diferenciais

Para a cultura da cana, a Sumitomo tem dois reguladores de crescimento registrados, sendo eles a giberelina ProGibb 400, que tem objetivo de alongar entrenós e oferecer incremento de produtividade e o etileno, de nome comercial Impulse, à base de ethefon, que tem o objetivo de não deixar a cana florescer ou isoporizar.

 ProGibb 400 é único no mercado. “Não existe nenhuma outra giberelina isolada GA3 com 40% de concentração, e no caso do ethefon, temos o diferencial, que é a mudança da concentração para chegar a uma dose inteira no campo, ou seja, 1,0 L/ha do produto comercial Impulse”, compara Fausto Bugalho.

Ele acrescenta, ainda, que o ProGibb 400 foi desenvolvido para pegar ‘carona’ com outros fitossanitários, como os inseticidas para broca, possibilitando a mistura, sem incompatibilidade de calda (não talha nem ferve). Além disso, o produto é natural, chegando a ser certificado para agricultura orgânica. “Nos últimos quatro anos, temos o prazer de informar que a área tratada cresceu 10 vezes no Brasil, com esse produto”, esclarece.

A Sumitomo

A Sumitomo tem foco no desenvolvimento, fabricação e venda de defensivos agrícolas, atuando com grande atenção às questões de sustentabilidade e na produtividade das culturas. “Com o aumento da população mundial, nosso propósito é garantir alimentos seguros e de qualidade. Nosso portfólio possui herbicidas, fungicidas, inseticidas, produtos biológicos, reguladores de crescimento e tratamento de sementes que protegem seu cultivo desde a semeadura até a pós-colheita”, pontua Fausto.

Além disso, a divisão de proteção de cultivos possui equipes especializadas dedicadas ao atendimento das demandas de cada região para fornecer um auxílio técnico diferenciado para o produtor rural.