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domingo, julho 3, 2022
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Goma resina – Um mercado em franca expansão

Ananda Virginia de Aguiar

Pesquisadora em Conservação e Melhoramento Genético Florestal – Embrapa Florestas

ananda.aguiar@embrapa.br

Jarbas Y. Shimizu

Engenheiro florestal, Ph.D., chefe adjunto técnico do Centro Nacional de Pesquisa de Florestas – Embrapa Florestas

Valderês Aparecida de Sousa

Engenheira florestal, Ph.D. e pesquisadora da Embrapa Florestas

Crédito Laércio Couto
Crédito Laércio Couto

A resinagem é uma atividade que consiste na extração de goma resina de algumas espécies arbóreas, em especial do gênero Pinus. A produtividade média de resina de pinus no Brasil é de 3,5 kg por árvore ao ano.

Porém, em alguns povoamentos pode-se atingirde 06 a 08 kg por árvore/ano. Todavia, existemárvores que, aos 27anos de idade, chegaram a produzir até 16 kg por ano. Essa atividade possibilita a obtenção de receitas extras por vários anos até o corte final das árvores quando, então, a madeira pode ser destinada ao mercado.

Todas as espécies de Pinusproduzem resina em maior ou menor quantidade. Dentre aproximadamente 80 espécies já submetidas à resinagem, algumas têm se destacado na economia florestal de diversos países. Por exemplo, Pinuselliottii var. elliottii e P. palustris no Sul e Sudeste dos Estados Unidos, P. massoniana e P.yunanensis na China, P. pinaster e P. sylvestris na Europa.

Resina

Porém, sendo o México o centro da maior diversidade de espécies de Pinus, é, também, onde se encontra o maior número de espécies envolvidas na extração de resina como P. oocarpa, P. tenuifolia, P. pseudostrobus, P. lawsonii, P. devoniana, P. pringlei, P. herrerae, P. montezumae, P. leiophylla, P. teocote e P. douglasiana.

No Brasil, a extração comercial de resina é feita em plantações comerciais de P. elliottii var. elliottii, P. caribaea (variedadescaribaea, hondurensis e bahamensis) e híbridos de P. elliottii var. elliottii com P. caribaea.

Extração

A extração da resina de pinusno Brasil se inicia em povoamentos com idade variando de sete a 10 anos, dependendo do crescimento que apresentam. Vários métodos podem ser utilizados no processo. Dentre eles, o mais utilizado éo método americano, que consiste na remoção da casca e do floema em estrias horizontais com 14 a 18 cm de largura a 20 cm do nível do solo.

Logo abaixo da estria fixa-se um saco plástico para coletar a resina exsudada. Em contato com o ar, a resina tende a se solidificar. Assim, para que ela continue fluindo por mais tempo, aplica-se uma fina camadade pastaácida sobre o tecido exposto na estria.

Trata-se de uma mistura de ácido sulfúrico e etileno que age como estimulante do fluxo de resina, fazendo com que os canais resiníferos permaneçam abertos por até 15dias.

Após esse período, realiza-se a coleta da resina e a abertura de nova estria acima da anterior e a fixação de novo saco coletor. São efetuadas, em média, 17 estrias em cada árvore por ano. A resina pode ser extraída durante a maior parte do ano. Somente no período mais frio do ano (normalmente junho e julho) a atividade é interrompida devido ao baixo fluxo de resina.

Importância nacional

O Brasil é o segundo maior produtor de resina do mundo, com aproximadamente 167.000 t/ano em 2016/17, perdendo somente para a China. A produção nacional de resina representa uma transação financeira da ordem de US$ 25 milhões. Os Estados que mais produzem resina no País são: São Paulo e Rio Grande do Sul.

Outros, onde essa atividade vem se desenvolvendo ou têm potencial são: Espírito Santo, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins.

A resina é empregada na geração de dois subprodutos básicos utilizados nas indústrias farmacêutica e química: breu e terebintina. Esses são destinados à produção de solventes, tinta, verniz,adesivos, inseticidas, lubrificantes e muitos outros.

Sendo uma “commodity“, a resina tem o preço dependente das condições do mercado internacional, mas, em média, tem sido da ordem de R$2,75/kg. Os custos da sua produçãoincorporam aqueles relacionadosà implantação dos povoamentos, ao preço da terra e à mão deobra para extraçãoe transporte dessa matéria-prima.

Essa matéria você encontra na edição de maio/junho de 2018 da Revista Campo & Negócios Floresta. Adquira o seu exemplar.

 

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