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Importância da polinização para a produção do tomateiro

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Mariane Gonçalves Ferreira

Nicolás Arturo Osorio Garcia

Engenheiros agrônomos e mestrandos em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Flávia Maria Alves

Engenheira agrônoma, mestre em Agronomia (Produção Vegetal) e doutoranda em Fitotecnia pela UFV

flaviamalves91@gmail.com

Carlos Nick

Engenheiro agrônomo, doutor e professor da UFV

 

Crédito UFV
Crédito UFV

A polinização é a transferência de grãos de pólen das anteras para o estigma. Na cultura de tomate a polinização ocorre das anteras para o estigma da mesma flor, mecanismo denominado autopolinização. Este processo é necessário para que os grãos de pólen fecundem os óvulos, dando origem às sementes e assegurando a próxima geração de plantas daquela espécie.

Mais de 75% das culturas agrícolas utilizadas como alimento, dentre elas o tomate, dependem da polinização. A polinização é um dos principais fatores responsáveis pela formação de sementes e fruto. Além disso, quando a polinização ocorre adequadamente é possível observar o aumento no número de sementes que, por sua vez, é responsável pela massa e tamanho final do fruto.

O tomate possui flores com anteras poricidas, que se abrem por meio de poros apicais, os quais retêm os grãos de pólen, dificultando sua liberação e, consequentemente, a polinização eficiente da cultura.

Assim, as plantas precisam de vibrações na frequência certa para a liberação do pólen. Além disso, o cultivo protegido, mudanças climáticas, doenças, uso indiscriminado do solo e de inseticidas que colocam em risco a sobrevivência das espécies polinizadoras, como as abelhas, afetam a eficiência do processo de polinização.

Polinização no tomate

Para que o grão de pólen chegue ao estigma é necessáriaa vibração das flores, que são realizadas, na cultura do tomate, principalmente por meio das abelhas polinizadoras.

As abelhas induzem a liberação do pólen por meio de vibrações conhecidas como buzzpollination, as quais são feitas mediante movimentos torácicos dos insetos quando estão nas anteras.

Na ausência de polinizadores pode ocorrer um déficit na polinização, resultando em frutos de menor tamanho e até mesmo no abortamento de flores e o não desenvolvimento de frutos.

Dessa forma, é essencial garantir a máxima eficiência no processo de polinização para se obter altas produtividades e qualidade dos frutos. Vale ressaltar que a vibração da flor na frequência necessária (aproximadamente 400Hz) faz com que uma maior quantidade de grãos de pólen seja depositada no estigma, resultando em maior número de sementes, tamanho, peso e uniformidade dos frutos.

A Polinização natural e B Polinização mecânica - Crédito UFV
A Polinização natural e B Polinização mecânica – Crédito UFV

Como minimizar a ausência de polinizadores

Uma alternativa para minimizar a ausência de polinizadores seria a utilização de mecanismos mecânicos que consigam substituir a função desempenhada pelos polinizadores naturais. A polinização mecânica pode ser realizada por meio da vibração das flores individualmente por racemo ou pela vibração das plantas.

A polinização mecânica é realizada diariamente no período da manhã por aproximadamente cinco segundos. O processo de vibração pode ser: utilizando um aparelho elétrico em cada flor aberta; utilizando um soprador de ar em cada planta; e fazendo a movimentação do suporte de sustentação (arame ou bambu) das plantas.

O experimento foi conduzido em cultivo aberto na Universidade Federal de Viçosa para avaliar três híbridos comerciais: Pegasus (grupo Santa Cruz), Dominador (grupo Salada) e Pioneiro (grupo Italiano) e dois métodos de polinização (mecânico e natural).

A polinização mecânica foi realizada diariamente entre 9-10 horas da manhã com o auxílio de uma escova de dente elétrica para vibração de cada flor aberta durante cinco segundos. A polinização natural foi realizada deixando-se as flores livres para que fossem visitadas pelos polinizadores ou pelo vento.

Os resultados apontaram um aumento no número de sementes e na produção mediante a implementação do sistema de polinização mecânica. Esse aumento na produção foi de 25%, 35% e 30% para os híbridos de tomate comercial Pegasus, Dominador e Pionero, respetivamente. Isso demonstra a eficiência deste sistema para os três principais grupos de tomate semeados no País (Santa Cruz, Salada e Saladete).

Viabilidade

Vale ressaltar que a polinização mecânica utilizando o aparelho elétrico aumenta a produtividade em relação à polinização natural, entretanto, essa técnica é onerosa. Isso acontece devido à excessiva mão deobra para realizar a polinização, uma vez que as flores serão polinizadas individualmente durante cinco segundos.

Essa matéria completa você encontra na edição de maio 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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