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segunda-feira, julho 4, 2022
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Importância da refrigeração na estufa

Crédito Eduardo Miyayaciki
Crédito Eduardo Miyayaciki

A hidroponia é uma técnica bastante difundida em todo o mundo e seu uso está crescendo em muitos países. Sua importância não se dá somente pelo fato de ser uma técnica para investigação hortícola e produção de vegetais, mas também é empregada como uma ferramenta para resolver um amplo leque de problemas que incluem tratamentos que reduzem a contaminação do solo e da água subterrânea, e manipulação dos níveis de nutrientes no produto.

A temperatura na solução hidropônica

Quando a temperatura da solução hidropônica está alta, acima de 25ºC, a absorção dela pela raiz se torna inviável. Por causa da pressão osmótica, a água “gruda“ na raiz e essa não consegue ‘puxar’ os sais minerais. Isso ainda queima a ponta do sistema radicular e provoca um estresse até a raiz crescer novamente.

Segundo o consultor em hidroponia e produtorem Guapimirim (RJ), Gilberto Mendes, para evitar a alta temperatura da solução hidropônica uma das soluções é, no momento da hidroponia, levar em consideração a temperatura do local. “Basicamente, em todo o projeto que faço e executo, a primeira coisa que exijo na estufa é o pé direito alto ” acima de quatro metros. A importância do pé direito alto se dá para não formar um bolsão de ar quente na cultura, mas sim na parte de cima da estufa. Se a estufa é alta, o ar quente sobe“, explica.

A segunda medida do especialista é que tudo o que for dentro da estufa, se possível, seja branco, como as caneletase os pés das bancadas, por exemplo. “Sugiro que os produtores coloquem mantas brancas no chão, que não absorvem calor.Montei uma hidroponia em Santa Cruz da Esperança, perto de Ribeirão Preto, onde as temperaturas são muito altas, e muitos desacreditaram que conseguiríamos cultivar rúcula lá, por ser muito quente. A rúcula hidropônica recebeu temperatura baixa nas raízes e temperatura alta nas folhas. A temperatura alta nas folhas é essencial para a fotossíntese. Acima de 25ºC é a temperatura da solução para viabilizar a absorção de nutrientes. Portanto, à temperatura ambiente, pode ser mais alta que isso“, esclareceGilberto Mendes.

Alternativas

Uma solução sugerida por Gilberto Mendes é colocar um serpentina dentro da caixa d’água, ecompressores de refrigeração de câmara frigorífica, ou dentro do seu refrigerador, que baixam a temperatura.

“O custo de instalação disso é alto, mas resolve o problema de estufas baixas. Um produtor que precisou fazer isso instalou, em uma caixa de sete mil litros, duas serpentinas. O investimento foi, em média, de R$ 7 mil para manter a temperatura abaixo de 25ºC no verão, pois a sua estufa é baixa. Ele é produtor há mais de 25 anos, e quando montou essa estufa em Louveira, onde o seu pai plantava figo e uva, o clima era frio“, relata Gilberto Mendes.

Erros fatais

Quando a estufa está baixa e, consequentemente, quente, o primeiro erro dos produtores é colocar tela lateral de malha larga ou retirar todas as telas com o objetivo de refrigerar. Por consequência, o produtor oferece condições para a entrada de pragas e doenças.

“Por isso, todo hidroponista deve ter um projeto considerando a sua localização e a umidade relativa do ar. Quando tem muita chuva, com alta umidade do ar, não é necessário manter a bomba ligada o tempo todo. Basta ligar por 15 minutos e manter 45 minutos desligada, pois umidade nas folhas e nos pés pode causar estresse hídrico. Por outro lado, tendo uma estufa projetada com pé direito alto, as condições mudam muito, e nem precisa colocar o sistema de refrigeração na água. Mas, quando a temperatura está alta não pode deixar faltarágua na solução nutritiva de forma alguma, para que a salinização não aumente e a planta não morra por excesso de sais“, alerta o especialista.

Ainda segundo ele, o produtor mencionado anteriormente fez até torre de refrigeração de água, com três metros de altura e um ventilador embaixo assoprando essa água. Mesmo assim, o sistema não resolveu o problema.

A produção de rúcula requer mais cuidado do que a de alface, por ser mais sensível ao sol. A solução proposta por Gilberto Mendes é, então, montar um sistema de refrigeração para baixar a temperatura dos sais minerais. “Torre de refrigeração não funciona. O sistema de refrigeração que deu certo precisou de um investimento de R$ 4 mil a R$ 5 mil“, calcula.

Experimentos

A Unicamp, em parceria com um produtor, fez a dimensão da serpentina e da máquina necessária para manter a temperatura ideal dentro da estufa. “É importante saber quantos metros cúbicos de água dinâmica e estática haverá no sistema. A água que gira no sistema volta quente, e precisa encontrar na caixa uma temperatura mais baixa. Mas, com a temperatura alta das estufas as perdas do produtor foram de 100%. E a alface dele era de primeira qualidade, suas estufas são todas cimentadas e as condições de produção dele sempre foram boas. Assim, não teve outra saída a não ser investir nessa máquina para possibilitar a produção no verão“, relata Gilberto Mendes.

Ele contabiliza que o prejuízo que o produtor teve no verão foi maior do que o investimento que ele precisou fazer para refrigerar o sistema, até porque ele vende seu pé de alface a R$ 5,00. “Isso porque a sua estufa é muito fechada, o que impede a entrada de qualquer inseto na estufa. E o nicho atendido por ele é de uma religião israelense que exige isenção total de ácarose outras pragas no pé de alface. Por isso, ele teve que investir nessa máquina de refrigeração“, esclarece o consultor.

Por fim, ele diz que, diluindo esse custo em três mil pés de alface, que o produtor colhe por dia, fica muito viável.

Essa matéria você encontra na edição de setembro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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