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Incidência de moscas-das-frutas em cucurbitáceas

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Ronaldo Machado Junior

Engenheiro agrônomo e mestrando em Fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)

ronaldo.juniior@ufv.br

Ronaldo Silva Gomes

ronaldo.s.gomes@ufv.br

Cleverson Freitas de Almeida

cleverson.almeida@ufv.br

Engenheiros agrônomos e mestrandos em Genética e Melhoramento pela UFV

Flávia Maria Alves

Engenheira agrônoma, mestre em Produção Vegetal e doutoranda em Fitotecnia pela UFV

flavia.m.alves@ufv.br

Crédito Valter Arthur
Crédito Valter Arthur

A família Cucurbitaceae compreende cerca de 120 gêneros e mais de 800 espécies, dentre as quais cerca de 26 são cultivadas em todo o mundo. No Brasil, as cucurbitáceas possuem elevada importância socioeconômica e alimentar, correspondendo a 23% de todas as hortaliças comercializadas, com destaque para as abóboras (Cucurbita spp.), pepinos (Cucumissativus L.), melões (Cucumis melo L.) e melancias (Citrullus spp.).

O ataque de pragas constitui uma das principais limitações na produção de cucurbitáceas, causando danos às partes vegetativas e reprodutivas das plantas e ocasionando perdas diretas na produção e qualidade de frutos.

A mosca-das-frutas

Anastrephagrandis (A. grandis) destaca-se como uma das principais pragas nas lavouras de cucurbitáceas. Trata-se de um inseto neotropical com registros de ocorrência desde a América Central até a América do Sul, sendo caracterizado por atacar espécies nativas e exóticas. No Brasil, há relatos de sua ocorrência nas regiões sul, sudeste, centro-oeste e no extremo norte do nordeste.

Essa praga é conhecida popularmente como mosca-das-frutas, mosca-das-cucurbitáceas, mosca-da-abóbora e mosca sul-americana das cucurbitáceas.A. grandis possui características peculiares que podem facilitar a sua identificação, podendo-se destacar o tamanho dos machos adultos (são maiores) em relação aos adultos das demais espécies de moscas-das-frutas, sua coloração amarela e as marcas difusas presentes em suas asas.

As fêmeas apresentam longo aparelho ovipositor, com cerca de 6,0 mm de comprimento e ápice afilado.

 

A mosca-das-frutas é uma das principais pragas nas lavouras de cucurbitáceas - Crédito Miriam Lins
A mosca-das-frutas é uma das principais pragas nas lavouras de cucurbitáceas – Crédito Miriam Lins

Potencial destrutivo

As fêmeas de A. grandisovipositam no interior dos frutos em diferentes estágios de desenvolvimento e a eclosão das larvas ocorre em torno de quatro dias após a oviposição. Após a eclosão, as larvas passam a se alimentar da polpa dos frutos, formando galerias típicas que os inviabilizam para o consumo.

O potencial destrutivo das larvas de A. grandis é muito grande, pois uma única larva é capaz de inviabilizar o consumo do fruto. Com maiores infestações, as larvas consomem praticamente toda a polpa do fruto.

Estudos avaliando a biologia da A. grandis em diferentes cucurbitáceas indicaram que a fecundidade desse inseto pode atingir até 532,6 ovos e o período de oviposição varia de 55 a 59 dias em abóboras. Em relação à capacidade de infestar frutos de diferentes gêneros de cucurbitáceas, contatou-se maior prevalência para o gênero Cucurbita, seguido por Cucumis, não sendo observado desenvolvimento para Citrullus e Sechium.

Além do dano causado propriamente pela ação das larvas desse inseto, a inserção do aparelho ovipositor nos frutos provoca o rompimento de suas cascas, o que facilita a entrada de microrganismos e o apodrecimento dos frutos.

Uma única larva da mosca-das-frutas é capaz de inviabilizar o consumo do fruto - Crédito Itaueira
Uma única larva da mosca-das-frutas é capaz de inviabilizar o consumo do fruto – Crédito Itaueira

Incidência de Anastrephagrandis e restrições fitossanitárias

A presença da mosca-das-cucurbitáceas pode limitar a comercialização de cucurbitáceas tanto no mercado interno quanto externo. A. grandis é considerada pelo Animal andPlant Health Inspection Service (APHIS), setor do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, como uma praga quarentenária, ou seja, uma praga de importância econômica potencial para uma determinada zona, região ou país, mesmo que a praga ainda não esteja presente ou, se estiver, não esteja dispersa e se encontre sob controle oficial.

Com base nessas medidas fitossanitárias, países como a Argentina, Uruguai e os Estados Unidos impõem restrições em relação à importação de frutos frescos de cucurbitáceas do Brasil.

Para garantir a comercialização do produto entre os países deve-se atender a requisitos fitossanitários dos importadores. Para isso, os países exportadores têm aderido à chamada implantação de Áreas Livres de Pragas (ALP), ou seja, áreas que por evidência científica demonstram ausência de determinada praga na área, mantendo-se oficialmente nesta condição.

Existem também as áreas sob sistemas de mitigação de riscos de pragas (SMR), organizadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), mediante solicitação dos agricultores interessados em exportar. Ambos são de extrema importância para o controle de pragas, principalmente no que diz respeito às pragas e doenças ainda inexistentes no País.

O procedimento para reconhecimento e estabelecimento de área livre de pragas (ALP) encontra-se nas Normas Internacionais de Medidas Fitossanitárias, NIMF 22 e NIMF 29, estabelecidas pela Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação e, especificamente para moscas-das-frutas, nas NIMF 26 e NIMF 30.

O modelo de área livre de pragas envolve uma série de fatores biológicos, físicos e operacionais que podem afetar a incidência, viabilidade e potencial reprodutivo da praga, tornando seu nível populacional tão baixo que a probabilidade de infestação é próxima de zero.

Crédito Agristar
Crédito Agristar

Monitoramento

O monitoramento para estabelecer a ALP da A. grandis deve ser realizado por dois anos, consistindo em um plano de contingência com início logo após a detecção do primeiro exemplar. Neste caso, instalam-se 30 armadilhas McPhail e cortam-se 500 frutos de cucurbitáceas em uma área de 01km², visando a detecção de larvas. Ao redor do núcleo inicial também devem ser instaladas 50 dessas armadilhas em uma área de 10 km².

Essa matéria completa você encontra na edição de Julho 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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