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sábado, agosto 13, 2022
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Inoculação e extratos de algas marinhas beneficiam floração da soja

 

Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora e professora de Nutrição de Plantas e Produção da UniPinhal

nilvatteixeira@yahoo.com.br

Foto 01 - Crédito Luize HessA soja é uma lavoura exigente em nutrientes, principalmente nitrogênio e potássio, cujas fontes são quase totalmente importadas, o que torna os insumos caros.A soja é uma espécie vegetal com possibilidades de aproveitar o nitrogênio da atmosfera, por meio do processo denominado fixação biológica de nitrogênio (FBN). Isso ocorre por meio de relação simbiótica soja-bactérias de estirpes das espécies Bradyrhizobiumelkanii e Bradyrizobiumjaponicum, o que faz com que os produtores brasileiros apliquem menos de 6% do nitrogênio requerido para a soja, levando a significativa redução de custos.

O Bradyrizobiumé uma bactéria aeróbica de solo. Entretanto, cada uma das suas estirpes se associa a uma determinada espécie de leguminosa. Assim, é necessário que, ao explorar a soja, por exemplo, haja na área uma população ativa da estirpe adequada para tal cultura.

Assim, é necessário se proceder à chamada inoculação, que nada mais é que adicionar a bactéria ao solo, por meio do que se refere como inoculante, que são colônias de bactérias associadas a veículos.

Há, no mercado, disponibilidade de inoculantes sólidos (turfosos) e líquidos.A inoculação pode ser feita via sementes ou no sulco de plantio, mas alguns cuidados têm que ser tomados em ambos os casos.

A inoculação via sementes deve ser feita à sombra, com semeadura no mesmo dia (especialmente se as sementes forem tratadas com outros insumos, como fungicidas, inseticidas ou micronutrientes)e a operação deve ser feita à sombra.

No caso de inoculantes sólidos, recomenda-se umedecer as sementes e usar um espalhante adesivo ou com solução de água e açúcar a 10%.Tanto os inoculanteslíquidos quanto turfososdeve ser misturados bem e secosà sombra, para então proceder ao plantio.

O inoculante pode ser aplicado por aspersão no sulco, por ocasião da semeadura. A vantagem desse procedimento é que assim se reduz os efeitos tóxicos do tratamento de sementes com fungicidas e da aplicação de micronutrientes nas sementes sobre a bactéria.

As algas marinhas

Para que se entenda a ação das algas marinhas no processo de fixação biológica de nitrogênio é preciso esclarecer dois aspectos: o potencial das algas marinhas na agricultura e a fisiologia da fixação de nitrogênio.

As algas marinhas representam uma fonte natural de macro e micronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S, B, Fe, Mn, Cu e Zn), aminoácidos (alanina, ácido aspártico e glutâmico, glicina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, prolina, tirosina, triptofano e valina), citocininas, auxinas e ácido abscísico, substâncias que beneficiam o metabolismo celular das plantas e conduzem ao aumento do crescimento, floração, bem como ao incremento da produtividade da cultura da soja.

São, ainda, portadoras de compostos antioxidantes. Tais substânciasafetam o metabolismo celular das plantas e conduzem ao aumento do crescimento, bem como ao incremento da produtividade.Os extratos de tais algas, pela riqueza de conteúdo, atuam na divisão celular e na síntese de proteínas (por teremem sua composição citocininas, auxinas e giberelinas) emantêm a integridade das membranas celulares por terem emsua composição antioxidantes (capazes de proteger as células das toxinas que ela própria produz naturalmente ou em resposta a estresses).

Já a fixação biológica simbiótica de nitrogênio envolve uma sequência de processos, iniciando-se na infecção das plantas pelas bactérias. O processo de infecção ocorre da seguinte maneira:as raízes das plantas secretam substâncias comoisoflavonoides e betaínasque atraem as bactérias que, em resposta, liberam carboidratos como a lipoquitina, promovendo,assim, o contato hospedeiro-microrganismo.

Durante o contato as células dos pelosradiculares se enrolam, favorecendo a penetração das bactérias que invadem o córtex das células radiculares. Então, as células dentro e fora do córtex das raízes se dividem, formando o que se denomina de nódulo.

Influência direta

Os níveis de auxinas, citocininas eetileno influenciam anodulação, pois afetam a divisão e a expansão celular.A divisão celular é regulada pelo gradiente de auxinas e citocininas, promovendo o desenvolvimento do nódulo.

Sabe-se que elevados níveis de citocinina estão associados ao aumento na nodulação. Os níveis de auxinas diminuem após o início da nodulação, mas aumentam no decorrer do processo. Já para a soja, o aumento na produção de etileno favorece a nodulação. Nas demais espécies de leguminosas ocomportamento é inverso.

Vários nutrientes de plantas afetam a divisão celular e a formação das novas células (fundamental para a formação dos nódulos). Assim, o cálcio integra a parede celular, sendo o boro fundamental para a formação dos ácidos pécticos que reagem com o cálcio para a formação da parede celular.

O zinco e o boro agem na formação da auxina ácidoindolacético que dirige a divisão celular. Já o fósforo é fonte de energia (indispensável para as sequências bioquímicas que ocorrem no processo).

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