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Interações fitotóxicas na cultura do milho

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Guilherme Vieira Pimentel

Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Fitotecnia ” UFLA

guilhermepimentel91@gmail.com

AO agronegócio brasileiro caminha para a próxima década com foco na competitividade e na modernidade, fazendo da utilização permanente da tecnologia um caminho para a sustentabilidade. Estas mudanças vêm sendo possíveis graças ao avanço tecnológico proporcionado pelo desenvolvimento de híbridos com genética superior, passando por novas tecnologias, como o milho Bt, serviços e informações disponibilizadas e ao profissionalismo dos agricultores na adoção de práticas de manejo que proporcionem maior nível de respostas e segurança aos híbridos atualmente comercializados.

Neste contexto, tem sido fundamental o papel das consultorias e profissionais da assistência técnica na difusão e avaliação das respostas oriundas do uso da combinação destas tecnologias. Tais decisões serão tomadas pelo produtor no momento correto de execução de cada operação, desde a escolha do híbrido, semeadura e germinação até a colheita. Desta forma, é fundamental conhecer a ecofisiologia da cultura de forma detalhada, e as necessidades em cada fase da cultura, a fim de estipular momentos de intervenção de forma mais segura.

Dinâmica operacional

Diante desta dinâmica operacional em razão da fenologia da cultura, muitas atividades de manejo acabam ocorrendo em um curto espaço de tempo, ou mesmo em um mesmo dia.

O controle de plantas daninhas em pós-emergência, controle de pragas iniciais e as adubações nitrogenadas de cobertura são realizadas em um curto espaço de tempo, normalmente entre os estádios fenológicos V3 a V4 (três a quatro folhas abertas).

Suspeita-se que as operações realizadas simultaneamente possam causar sintomas de fitotoxidez na cultura do milho, principalmente devido às inovações tecnológicas para a cultura referentes a herbicidas, híbridos mais produtivos e elevadas doses de nitrogênio recomendadas atualmente, trazendo dúvidas quanto à possibilidade de interações fitotóxicas, potencial de seletividade e manejo agronomicamente eficaz.

B

Mecanismos de ação

A utilização de mecanismos de ação diferentes se faz necessária quando se almeja um manejo sustentável das plantas daninhas. Uma alternativa para o controle destas na cultura do milho em pós-emergência é a utilização de herbicidas do grupo das triazinas, tendo como destaque nesse grupo a atrazina.

Outros herbicidas recentemente registrados são passíveis de serem usados, como o tembotrione, apresentando satisfatório efeito no controle de diversas espécies de plantas daninhas.

Todavia, entre os herbicidas registrados para a cultura do milho, nicosulfuron é um dos mais utilizados. Pertencente ao grupo químico das sulfunilureias, ganhou notoriedade entre os produtores e teve seu uso aumentado gradativamente devido à elevada eficácia agronômica no controle de diversas espécies de plantas daninhas, às baixas doses recomendadas, à baixa toxicidade aos mamíferos e à seletividade a várias culturas.

Contudo, estudos recentes têm mostrado que alguns híbridos de milho apresentam diferentes níveis de tolerância ao herbicida nicosulfuron, dependendo da dose, do ambiente e estádio fenológico da planta. Neste contexto, podemos citar alguns fatores que reduzem a seletividade do milho ao nicosulfuron e promovem a fitotoxidez, como:

ÃœSensibilidade dos híbridos: de acordo com alguns pesquisadores, os híbridos de milho podem ser divididos em três grupos, com base nos diferentes níveis de sensibilidade ao nicosulfuron: I) híbridos sensíveis; II) híbridos intermediários e III) híbridos tolerantes. Os primeiros são provenientes de parentais sensíveis. Os híbridos intermediários são aqueles que, dependendo da dose e de alguns fatores ambientais e de manejo, podem apresentar ou não fitointoxicação. Os híbridos tolerantes não apresentam sintomas de fitointoxicação nas doses recomendadas, pois ambos os parentais são tolerantes.

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Na maioria dos híbridos, a tolerância é mais acentuada nos primeiros estádios fenológicos. Entre duas a três folhas completamente expandidas (estádio V2 e V3), o milho tolera mais ao nicosulfuron do que nos estádios V6 a V8.

Substâncias denominadas fitoalexinas são responsáveis pela metabolização das moléculas do herbicida. Porém, a produção de fitoalexinas em níveis suficientes para a degradação destas moléculas é reduzida com o desenvolvimento das plantas.

Após o estádio de desenvolvimento V5 essas substâncias são produzidas em menor quantidade, aumentando a possibilidade de estresse da cultura. A aplicação tardia de nicosulfuron após a fase fenológica V5, no momento da definição do número de fileiras nas espigas de milho, poderá impedir a duplicação dos óvulos, causando deformações na espiga e consequente menor número de grãos por espiga, devido à translocação destes para as regiões meristemáticas da planta, inibindo a divisão celular.

Foto 03

Figura 1 ” Esquema da translocação do herbicida nicosulfuron para as regiões meristemáticas, inibindo a divisão celular e consequentemente reduzindo a produção de grãos por espiga; seta para cima – indicando o momento em que ocorreu a interferência, promovendo uma deformação e redução do número de fileiras da espiga deste ponto em diante.

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