Invasão de plantas daninhas e seu controle

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Giovanna Campos Mamede Weiss de Carvalho
Engenheira agrônoma – Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF)
David Pessanha Siqueira
Mestre em Produção Vegetal – UENF
pessanhasdavid@hotmail.com
Deborah Guerra Barroso
Doutora em Produção Vegetal – UENF P

As plantas indesejáveis apresentam grande rusticidade, e por isso capacidade de crescer em ambientes adversos. São mais resistentes a pragas e doenças e ainda produzem grande quantidade de sementes viáveis, repletas de adaptações que auxiliam sua dispersão no tempo e no espaço.

Além disso, algumas se propagam vegetativamente por meio de estruturas como tubérculos, estolões, rizomas e bulbos. Devido a essas características, as plantas invasoras podem dificultar o crescimento e estabelecimento da maioria das espécies florestais de interesse.

Crédito – Caio Carbonari

Prejuízos

Os prejuízos da matocompetição em lavouras florestais ocorrem principalmente nas fases inicias de crescimento, seja por transplantio de mudas ou por indivíduos juvenis provenientes de regeneração natural. Isso ocorre porque há concorrência entre as espécies por luz, água e nutrientes, e por estarem mais adaptadas a ambientes adversos, as espécies invasoras podem prevalecer sobre as florestais.

Esses danos são agravados nas fases iniciais de crescimento. No entanto, com o crescimento das plantas de interesse, as mesmas se estabelecem na área promovendo a cobertura do solo com consequente redução na incidência de luz abaixo do dossel, quando as plantas invasoras não conseguem mais dominar a área.

Aliado a isso, algumas espécies de plantas invasoras podem inibir a germinação de sementes e o crescimento de espécies florestais devido à exsudação de compostos químicos, prejudicando a cultura de interesse, efeito também conhecido como alelopatia.

Podem servir, ainda, como hospedeiras intermediárias de pragas e doenças, embora também possam abrigar inimigos naturais importantes para o equilíbrio do ambiente.

Quem são elas

As plantas indesejáveis mais frequentes em plantios florestais se enquadram no grupo de gramíneas e também são conhecidas como invasoras de folha estreita, entre as quais destacam-se: Andropogon bicornis (rabo-de-burro), Urochloa decumbens (braquiária decumbens), Urochloa humidicola (braquiária – humidícola) e Panicum Maximum (capim colonião), enquanto outras podem ser benéficas em plantios florestais voltados à restauração.

Manejo

A classificação entre invasoras de folha larga e de folha estreita pode ser importante no momento da escolha do método de controle, especialmente no manejo químico, influenciando a escolha do produto adequado, bem como o sucesso do manejo, reduzindo prejuízos ao plantio de interesse.

Com o objetivo de minimizar os danos ocasionados pela matocompetição, é aconselhável realizar o manejo das mesmas antes do plantio. A limpeza da área faz parte do preparo do solo antes da implantação dos plantios florestais, podendo representar parte expressiva do custo de formação dos povoamentos.

Ainda assim, após o plantio as plantas indesejadas tendem a crescer rapidamente, sobrepondo-se ao plantio de interesse, sendo necessário que se faça o coroamento das mudas, que consiste na retirada das espécies invasoras no entorno das plantas e também o controle nas entrelinhas de plantio.

A qualidade das mudas, aliada aos cuidados no preparo do solo, manejo hídrico e nutricional direcionados e controle fitossanitário dos povoamentos irá favorecer também o controle das plantas daninhas, pelo rápido crescimento após o plantio e consequente sombreamento do solo, reduzindo a matocompetição.

Técnicas de controle

Para eliminação das plantas invasoras, destacam-se algumas técnicas de controle químico, mecânico e cultural. O primeiro consiste na aplicação de herbicidas que, devido à velocidade de obtenção de resultados, é o método mais empregado, especialmente para limpeza inicial da área.

Neste caso, a identificação das espécies que dominam a área é importante para a decisão de qual herbicida aplicar. Entretanto, deve-se ter cautela na aplicação de herbicidas após o plantio, visto que determinados produtos e dosagens podem ocasionar efeitos tóxicos às plantas de interesse, levando ao atraso no crescimento das mesmas, o que acaba por permitir a reinfestação das plantas daninhas na área.

As capinas e roçadas são práticas do controle mecânico, podendo ser executadas de maneira manual ou mecanizada. O controle com capina manual pode estimular o banco de sementes de plantas invasoras pelo revolvimento do solo, havendo necessidade de várias operações consecutivas, e pode ainda causar exposição indesejada do solo, com consequente erosão, sendo mais indicada no coroamento das mudas.

O coroamento deve ser feito de maneira manual, com uso de enxadas e enxadões, evitando danos às mudas pela utilização de máquinas, como a roçadeira, bem como a deriva pela aplicação de produtos químicos.

Novidade

Uma novidade no setor é um implemento que, acoplado ao trator, faz o controle das plantas daninhas por meio de dessecação via eletricidade, conhecido como Eletroherb. O equipamento converte a energia mecânica do trator em energia elétrica.

Como vantagens deste sistema são descritos: menor revolvimento do solo; erosão minimizada, pois as plantas permanecem no local; redução de mão de obra; capina próxima aos troncos sem danos, além do apelo ecológico.

O uso de cobertura morta pode ser eficiente para o controle de plantas daninhas, em especial em áreas de reforma, quando há grande disponibilidade deste recurso e a prática comum do cultivo mínimo.

A técnica consiste na manutenção de material vegetal roçado na área, que será disposto em cobertura total, cuja efetividade dependerá da distribuição uniforme na área, ou no local de coroamento das mudas. Constituindo uma barreira física, este material limita a chegada de luz, abafando as espécies indesejadas e retardando seu crescimento, permitindo assim que as mudas de interesse se estabeleçam.

Esse método contribui também com a manutenção da umidade ao redor das mudas. A cobertura morta pode resultar no cultivo de leguminosas herbáceas na área antes do plantio florestal, contribuindo, ainda, com a fertilização da área e estruturação do solo.

Apesar das vantagens, a deposição da cobertura morta ao redor das mudas feita de forma manual pode representar um custo alto, conforme as condições da área. Deve-se tomar cuidado especial com locais sujeitos a incêndios, pois a técnica acaba por disponibilizar material inflamável, e pode aportar sementes de plantas daninhas.

Coberturas artificiais

No setor florestal também têm sido utilizadas coberturas artificiais que desempenham papel semelhante. Para isso, utilizam-se chapas de papelão ou papel kraft, que podem ser tratados com produtos químicos com o intuito de prolongar a durabilidade após a instalação em campo.

Além da redução de custos com mão de obra e replantio de mudas, o coroamento com coberturas artificiais não afeta o crescimento natural das mudas e contribui para a manutenção da umidade do solo no entorno das mudas, podendo ser viável e eficiente na supressão das gramíneas por até um ano após a sua instalação no campo, favorecendo assim o arranque inicial das mudas.

O uso do papel kraft ou papelão para controle das invasoras em plantios florestais é ainda mais interessante no caso de instalação de espécies florestais que visam a restauração ecológica, tendo em vista que, quando se tem um plantio com intuito de exploração silvicultural, é dada maior atenção ao manejo da área e da cultura, o que nem sempre ocorre com os projetos de restauração.

Direto ao ponto

Práticas culturais, como adubação e irrigação direcionadas, favorecem o crescimento mais acelerado das espécies de interesse, entretanto, deve-se tomar cuidado com áreas dominadas por gramíneas, cuja prática de roçada tenha sido o único método de controle utilizado, pois a adubação favorecerá o crescimento das gramíneas.

Nessas áreas deve-se associar a capina e o controle químico, para que haja o aproveitamento adequado dos recursos. A escolha do espaçamento deverá considerar também o grau de infestação da área e a disponibilidade de recursos para o controle das plantas daninhas em função das condições topográficas do terreno. Plantios mais adensados sairão mais rápido da matocompetição, pelo fechamento do dossel, reduzindo o número de capinas até o seu estabelecimento.

O uso prévio ou concomitante de coberturas verdes também pode favorecer o plantio florestal. A utilização de animais em baixa densidade, por tempo limitado, pode igualmente apresentar resultados satisfatórios. Nesta técnica, a redução da biomassa e da densidade de gramíneas acontece por meio do consumo das mesmas pelos animais.

Entretanto, os animais só podem ser inseridos após o crescimento mínimo da cultura florestal, para que não ocorram danos mecânicos, o que também deve ser garantido pelo espaçamento satisfatório a este manejo. Deve-se considerar, ainda, que algumas espécies são palatáveis para os animais, impossibilitando o consórcio.B

Atenção redobrada

No geral, a matocompetição representa um grande problema para o crescimento inicial de povoamentos florestais. Assim, a escolha do método de controle a ser aplicado deverá ser feita de acordo com o tamanho da área, com o valor agregado à espécie e com as condições do proprietário, devendo ser avaliada a disponibilidade de mão de obra e recursos, garantindo que o controle das espécies invasoras seja feito de maneira eficiente, sem causar prejuízos ao povoamento de interesse.