Itaueira investe no manejo apícola e eleva a produtividade de pomares

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Abelha – Crédito: shutterstock

Sediada na capital Fortaleza, com seis unidades nos estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e da Bahia, a Itaueira Agropecuária S.A., produtora do melão REI, figura entre os grandes produtores e exportadores de frutas do Brasil. Fundada em 1983, pelo empresário Carlos Prado, a empresa tem entre os principais produtos cinco variedades de melão, além de mini melancia, uva, pimentões, camarão e mel. O mel é o item mais recente do portfólio, e sua produção teve origem após desdobramentos de uma parceria da empresa com o Movimento Colmeia Viva.

O Movimento Colmeia Viva é uma iniciativa da indústria de defensivos agrícolas, que tem por objetivo promover o diálogo entre a agricultura e a apicultura, proteger cultivos, abelhas e o meio ambiente e assegurar o direito básico das pessoas à alimentação.

CEO da Itaueira Agropecuária S.A., o empresário Tom Prado passou a interagir com o programa Colmeia Viva Assistência Técnica há cerca de seis anos. O objetivo inicial da parceria era potencializar benefícios com o serviço de polinização das abelhas, além de evitar perdas de colmeias e apiários em decorrência de fatores externos, entre os quais a aplicação de defensivos agrícolas.

Seca e abelhas – Segundo Tom Prado, preservar abelhas na região Nordeste exige superar ao menos três desafios: conviver com a seca, manter a saúde das colmeias ante a ação do varroa (ácaro predador), entre outros inimigos naturais, e manter os enxames fortes o ano inteiro. “Um dos principais problemas da apicultura nordestina é a perda de enxames no período de seca”, enfatiza ele.

Como resultado da parceria com o Movimento Colmeia Viva, relata Prado, a Itaueira reviu a relação entre o manejo de seus cultivos e as abelhas. O grupo promoveu algumas mudanças de métodos nas estratégias de controle de pragas e doenças, no fornecimento de alimento complementar às abelhas, nas práticas agrícolas-apícolas e também no comportamento de equipes técnicas.

“Quanto às aplicações de defensivos agrícolas, que são feitas somente à noite e de madrugada – entre seis da tarde e cinco da manhã -, período em que as abelhas não forrageiam, constatamos que este não era o motivo da perda de colmeias. Havia, sim, falhas no manejo apícola”, exemplifica Prado.

Conforme o executivo, esse modelo de ação mitigou riscos de mortalidade de abelhas nas propriedades. “Foi um trabalho altamente relevante, sobretudo ao desmistificar uma antiga crença de que defensivos agrícolas seriam um fator limitante à convivência racional entre agricultura e apicultura.”

Retorno em negócios – O médico veterinário Marcos Tavares implantou o projeto apícola próprio da Itaueira e liderou a formação da equipe responsável pelo manejo apícola, que atualmente conta com 15 profissionais.

A produção de mel, que até 2013 era da ordem de 3 toneladas-ano, chegou, em 2020, a quase 22 toneladas. “Este salto impulsionou a entrada da Itaueira nos mercados nacional e internacional de mel, com a distribuição do ‘Mel REI’. Temos planos para seguir crescendo neste mercado nos próximos anos. O ‘Mel REI’ é produzido nas floradas silvestres, nas matas nativas da região Nordeste. O produto chegou ao mercado como uma alternativa natural, saudável e sustentável para o consumidor”, adianta Marcos Tavares.

Conforme o executivo, o aprimoramento da relação entre cultivos e abelhas na Itaueira impactou positivamente, ainda, na produtividade das culturas de melão e melancia, ambas dependentes da polinização. Entre as boas práticas apícolas hoje consolidadas na empresa, ele destaca a produção de abelhas-rainha, os testes de varroa, a seleção, multiplicação e o fortalecimento de enxames, além do sombreamento de apiários, do fornecimento suplementar de alimentação energética e proteica às abelhas e o treinamento de colaboradores.

www.colmeiaviva.com.br