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quarta-feira, julho 6, 2022
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Lagarta-elasmo perfura a planta e provoca prejuízos

 

Crébio José Ávila

Engenheiro agrônomo, doutor em Entomologia e pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

crebio.avila@embrapa.br

 

Prejuízos deixados pela lagarta elasmo - Crédito Roberto Zito
Prejuízos deixados pela lagarta elasmo – Crédito Roberto Zito

A lagarta-elasmo, Elasmopalpus lignosellus Zeller, é uma praga que pode danificar plantas jovens de soja, especialmente quando o inseto já estiver presente na cultura ou na cobertura a ser dessecada (ex. trigo, aveia) antes da semeadura da soja.

O inseto é considerado polífago, ou seja, alimenta-se de diversas espécies de plantas cultivadas, silvestres e daninhas, em especial de gramíneas e leguminosas. O adulto faz a postura nas plantas de soja, no solo ou em restos culturais presentes na área.

Após a eclosão, as larvas alimentam-se inicialmente de matéria orgânica ou raspam o tecido vegetal para, em seguida, penetrarem no colo da planta, um pouco abaixo do nível do solo, onde constroem uma galeria ascendente.

Próximo ao orifício de entrada na planta, as larvas tecem um casulo formado de excrementos, restos vegetais e partículas de terra, sintomas que caracterizam a presença da praga na área.

Condições para a praga

As condições ideais para o ataque da lagarta-elasmo é a presença de plantas jovens das culturas no ambiente associado à ocorrência de condições de stress hídrico e alta temperatura no ambiente.

Danos

Uma mesma lagarta pode atacar até três plantas de soja durante a sua fase larval, sendo do período da emergência até 30-40 dias de desenvolvimento das plantas (estádio V2-V3) a fase da cultura mais suscetível ao ataque da praga.

Como consequência do dano de elasmo, as plantas de soja inicialmente murcham e posteriormente secam, em razão da obstrução do transporte de água e de nutrientes do solo para a parte aérea da planta.

Quando a planta de soja está mais desenvolvida e com o caule mais lignificado, a lagarta alimenta-se apenas da parte externa deste, deixando cicatrizes externas visíveis da injúria do inseto; nesta região, pode ocorrer a formação de um calo com tecido frágil, que pode se quebrar facilmente pela ação do vento.

Ataque à soja

Lagarta - Crédito Roberto Zito
Lagarta – Crédito Roberto Zito

A intensidade de danos de elasmo na soja é maior e mais frequente em condições de alta temperatura e déficit hídrico no solo, especialmente em solos arenosos ou mistos conduzidos em plantio convencional, especialmente nas áreas de primeiro cultivo, como eventualmente ocorre na região do Cerrado.

Manejo

O produtor precisa checar se a praga está presente na área ou se tradicionalmente tem sido um problema na sua região. Quando constatado a sua presença na área, onde normalmente ela está presente na resteva ou plantas voluntárias onde o plantio será realizado, uma das alternativas seria realizar uma pulverização dessas plantas para tentar quebrar o ciclo da praga antes de iniciar o plantio da cultura principal.

A pulverização de inseticidas na parte aérea da soja tem proporcionado baixa eficiência de controle da lagarta-elasmo, em razão da posição em que a praga fica alojada na planta.

 Crédito Roberto Zito
Crédito Roberto Zito

Outra estratégia de manejo da lagarta-elasmo, tem sido comprovado que chuvas bem distribuídas, durante os primeiros 30 dias de desenvolvimento da cultura, praticamente eliminam a infestação do inseto nas lavouras de soja.

O tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos (ex. fipronil, imidacloprido + tiodicarbe e clorantraniliprole) pode ser utilizado em áreas em que tradicionalmente essa praga tem sido problema ou que requerem ressemeadura.

Custo

O custo do tratamento de semente é normalmente muito baixo, ficando em torno de 5% do custo de produção da cultura, por isso existe o conceito de que o tratamento de sementes é um seguro barato que o produtor faz para conviver com pragas como a lagarta-elasmo.

 

 

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