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quarta-feira, junho 29, 2022
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Lagarta-parda – como acabar com essa praga

Gerson Adriano Silva

Professor de Entomologia Agrícola do Laboratório de Entomologia e Fitopatologia – Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

silva.gersonadriano@gmail.com

Laís Viana Paes Mendonça

Graduanda em Agronomia – UENF

 

Crédito Arquivo
Crédito Arquivo

A Thyrinteinaarnobia, conhecida popularmente como lagarta-parda, lagarta-de-cor-parda ou lagarta-mede-palmo, é considerada um dos mais importantes lepidópteros desfolhadores de plantas de eucalipto no Brasil. A lagarta-parda está presente em plantios de eucalipto em quase todos os Estados do Brasil.

As fêmeas da lagarta-parda são de coloração branca, com pontuações negras esparsas e duas linhas escuras e sinuosas nas asas anteriores, e envergadura de 05 cm. As lagartas são de coloração marrom clara a escuras, e quando em repouso sobre as folhas e galhos do eucalipto, assumem posição ereta que as tornam parecidas com galhos secos.

Elas apresentam grande capacidade de desfolhar plantas de eucalipto, com consumo estimado entre 12 a 110 cm2 de área foliar.A taxa de desfolha cresce à medida que as lagartas aumentam de tamanho.

A lagarta-parda ataca plantas jovens e adultas, sendo os prejuízos mais acentuados quando o ataque ocorre em plantas jovens, com relatos de redução CAP (circunferência na altura do peito) do eucalipto na ordem de 78%, quando ocorre 100% de desfolha de plantas com até dois anos de idade.

Os ataques em anos sucessivos podem paralisar o crescimento das plantas e o incremento de madeira na floresta, podendo até causar a mortalidade de plantas.

Condições para a praga

Diversas condições podem favorecer o ataque da lagarta-parda nas lavouras de eucalipto, no entanto, grandes áreas cultivadas com poucos clones de eucalipto, períodos secos e temperaturas adequadas ao desenvolvimento dela são determinantes para ocorrência de surtos populacionais.

A chuva é um dos principais fatores responsáveis pela mortalidade de insetos. Ela provoca a morte de ovos, lagartas, pupas e adultos por danos mecânicos, por afogamento, além de criar ambientes propícios à sobrevivência e germinação de esporos de fungos causadores da mortalidade de insetos.

Em períodos do ano com baixos teores de chuvas, situação típica de invernos e de veranicos, a mortalidade da lagarta-parda é reduzida, o que contribui para o aumento de sua população. A situação pode ser agravada se a temperatura-ambiente for adequada para o desenvolvimento das lagartas (25-30°C), podendo haver surtos populacionais nas lavouras de eucalipto.

Prevenção

As medidas preventivas mais efetivas que os produtores podem adotar para prevenir a entrada ou o estabelecimento da lagarta-parda na cultura do eucalipto são a obtenção de mudas de alta qualidade fitossanitária adquiridas de produtores idôneos e o plantio de clones de eucalipto resistentes à lagarta-parda.

Estudos em laboratórios e observações a campo têm demonstrado que a lagarta-parda apresenta alta taxa de mortalidade quando consome folhas do Eucalyptuscamaldulensis.

A manutenção de faixas de vegetação nativa em povoamentos de eucalipto fornece abrigo e alimento para a população de inimigos naturais (pássaros, répteis, pequenos mamíferos, insetos predadores e parasitoides) da lagarta-parda.

Devem-se eliminar as plantas que podem servir de hospedeiras para a lagarta-parda. Diversos trabalhos científicos têm relatado a ocorrência da praga se alimentando temporariamente de pau-terra, tingui, goiabeira, cagaiteira, murici, assa-peixe e angico cangalha, plantas que podem abrigá-la na ausência de plantas de eucalipto.

Surtos populacionais da lagarta-parda são mais frequentes em plantios de eucalipto instalados em solos de baixa fertilidade natural.Por outro lado, plantas de eucalipto bem nutridas apresentam maior tolerância ao ataque de pragas por sintetizar e acumular em maior nível compostos utilizados na defesa contra insetos e patógenos.

O controle mecânico (catação e destruição de fêmeas e de ovos) e instalação de armadilhas luminosas para a captura de adultos se mostra eficiente, porém, são viáveis apenas para pequenas áreas.

Medidas curativas

Medidas curativas devem ser tomadas apenas quando a densidade populacional da lagarta-parda atingir níveis capazes de causar sérios danos aos povoamentos de eucalipto. A determinação desse limiar é conseguida pelo monitoramento da população de adultos e lagartas.

O monitoramento de adultos deve ser realizado utilizando armadilhas luminosas instaladas nas periferias das lavouras, e a contagem do número de adultos capturados feita a cada 15 dias. Medidas de controle devem ser tomadas quando o número médio de adultos capturados por armadilha for superior a 3.000 indivíduos.

O monitoramento de lagartas é realizado por meio dos métodos ‘parcela ao acaso’ e pela percentagem de desfolha. No método de parcelas ao acaso demarcam-se parcelas de tamanho fixo ou distribuídas ao acaso, avaliam-se 9-20 plantas/parcela, onde se realiza a contagem do número de lagartas por planta. Em seguida, calcula-se o número de lagartas em 100 folhas, por meio de uma regra de três.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro/dezembro 2016  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

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