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quarta-feira, julho 6, 2022
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Lei do mínimo para racionalizar fertilizantes

Crédito Shutterstock

Maria Vitoria Mateus
mariavitoriamateus2003@gmail.com
Luana Ceriali
luceriali11@gmail.com
Graduandas do curso de Ciências Biológicas – Centro Universitário de Ourinhos (Unifio)
Aline Mendes de Sousa Gouveia
Engenheira agrônoma, doutora em Agronomia e professora – (Unifio)
aline.gouveia@unifio.edu.br

A nutrição mineral é tida como um dos gargalos mais importantes para fomentar a produtividade das culturas agrícolas. Ao nutrir as plantas temos uma série de fatores a serem considerados, todos primordiais para o sucesso da lavoura.
A primeira premissa tida como básica e indispensável é a análise de solo. Conhecer a presença, estado e quantidade dos elementos minerais em um solo é essencial para suprir a demanda nutricional da cultura agrícola na busca por altas produtividades. Saber as fragilidades e potencialidades do solo e poder aplicar a esta, de acordo com o rendimento pretendido pela cultura, uma recomendação mais eficiente e precisa.
Para que obter sucesso na produção e rendimento agrícola, é preciso conhecer e adotar da lei do mínimo ou lei de Liebig, que refere-se ao fato de que a produção de uma planta é limitada pelo elemento mais escasso entre todos os nutrientes presentes no solo.
Isto é, a produção fica limitada quando pelo menos um dos elementos necessários está disponível em quantidade inferior à requerida pela planta (nutriente limitante). Para isso, equilibrar ou balancear a adubação é o caminho para reduzir o aporte dos fertilizantes utilizados nas lavouras agrícolas.

Diagnóstico

Para iniciar a discussão sobre a eficiência da adubação, o diagnóstico da área e informações referentes à cultura instalada serão primordiais. Quando estas forem bem realizadas, identificam-se quais os elementos ou nutrientes podem limitar o potencial produtivo.
Ferramentas poderosas como amostragem de solo, histórico de manejo das áreas de acordo com as respectivas culturas são parâmetros para realizar a filosofia dos 4C´s, que engloba: nutriente, dose, local e momento correto aplicado a cada um.
Feito isso, com base nas análises extraídas do diagnóstico e a interpretação de um profissional técnico habilitado, se aplicados, dão garantia de retorno sobre o investimento.

Benefícios proporcionados

Um dos benefícios proporcionados pela lei do mínimo é a qualidade nas produções agrícolas. Ter conhecimento sobre a quantidade dos elementos minerais presentes no solo dão ao produtor rural uma noção das demandas de extração de nutrientes pela cultura implantada e ferramentas a serem realizadas para que este solo seja tratado de forma a responder e/ou refletir no crescimento, desenvolvimento das plantas, assim como na qualidade da produção.
Outro benefício é a racionalização de custos, afinal, ter conhecimento prévio dos nutrientes essenciais e úteis, possíveis deficiências ou mesmo toxicidades destes, implicariam em prejuízo no rendimento, consequentemente no bolso no produtor, que poderiam ser evitados.

Como implantar a técnica

Para que a lei do mínimo seja aplicada em uma lavoura, é importante que o produtor rural faça uma análise da fertilidade do solo anterior à implantação da cultura agrícola e também tenha conhecimento sobre a marcha de absorção e extração de nutrientes.


Essa medida é caracterizada como um conjunto de procedimentos químicos que identificam a quantidade de nutrientes disponíveis no solo, além de suas propriedades químicas, físicas e biológicas, e informações sobre a quantidade de nutrientes requeridos a cada fase fenológica da cultura.


Com base nessas análises, são permitidos cálculos de disponibilidade de nutrientes essenciais e úteis, o conteúdo de matéria orgânica, enxofre, pH e outras características do solo, como sua densidade e permeabilidade a umidade. Dessa forma, a ideia por trás da nutrição equilibrada das plantas em conjunto com a Lei do mínimo está na aplicação dos nutrientes que podem ser adequadamente fornecidos pelo solo ou até mesmo via foliar, caso haja necessidade de suplementação em determinada fase de maior requerimento à cultura.


Daí a importância de conscientizar o produtor rural sobre a realização periódica da análise de solo para saber quanto de cada nutriente deverá ser aplicado por meio de fertilizantes.

Vamos ao que interessa

Em 1850, Justus von Liebig já dizia que: “O rendimento de uma safra é limitado pelo elemento cuja concentração é inferior a um valor mínimo, abaixo do qual as sínteses não podem mais fazer-se”. Ou seja, embora todos os nutrientes estejam presentes, a produtividade de uma planta está condicionada ao fator que estiver abaixo do valor demandado, e de nada adiantaria aumentar as quantidades de outros, quando este é o limitante.


Fato corroborado em estudos práticos e pesquisas científicas, nos quais se observa que o desequilíbrio nutricional reflete em uma baixa eficiência de uso dos nutrientes e da água, maior predisposição da planta à infecção de doenças, maior atratividade ao ataque de pragas em função do acúmulo de açúcares, e maior abortamento de flores pela redução na eficiência da fotossíntese em gerar energia para o crescimento e desenvolvimento da planta.


Quando se fala em elementos essenciais, o próprio nome diz, são necessários e indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento de plantas – precisamos falar em quantidades. Os elementos demandados em maior quantidade (macronutrientes) são: nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), ou em quantidades menores (micronutrientes) como: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo), níquel (Ni) e zinco (Zn), ambos proposto por Liebig na lei do mínimo e comprovado ao longo de anos de pesquisas realizadas nas áreas de fertilidade de solo e nutrição de plantas.


Um exemplo é a interação entre N e K, que obedecem à lei do mínimo, pois quando o N é aplicado em quantidade suficiente para haver elevação da produção, esta passa a ser limitada pelos baixos teores de K aplicado.
Assim, as maiores doses de nitrogênio somente promoverão a maior produção se acompanhadas de altas doses de potássio, visto que a relação baixa N/K (cerca de 4) é a que apresenta os maiores efeitos positivos na produção do milho.
Outro fato importante sobre o do efeito positivo da interação N x K na produção agrícola seria a maior eficiência de utilização do N na presença do K. Salienta-se, ainda, que a relação N x K adequada, além do aumento da produção, pode trazer outros benefícios, como redução do acamamento no milho.


Sabe-se que o K pode levar ao acúmulo de maior quantidade de carboidratos nos colmos, beneficiando a produção de compostos orgânicos estruturais. Além disso, aumenta a qualidade de grãos (teores com a proteína). Uma possível explicação para as culturas com alto teor de proteína necessitarem (e exportarem) de grande quantidade de K por meio dos grãos seria o envolvimento do K no transporte do N para a síntese proteica.

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