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quarta-feira, julho 6, 2022
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Maior enraizamento do tomate é alcançado com algas marinhas

Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilvatteixeira@yahoo.com.br

Créditos Shutterstock
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São inúmeras as espécies de algas marinhas, porém, a mais empregada na agricultura é a Ascophyllum nodosum (L), ordem Fucales e família Fucaceae, conhecida como alga parda ou marrom, devido à coloração marrom amarelada apresentada quando viva, que se destaca, dentre as demais, pela sua bioatividade.É encontrada nos mares árticos, nas costas rochosas do oceano Atlântico, no Canadá e no norte da Europa, onde a temperatura da água não excede 27ºC.

Composição

As algas marinhas são ricas em estimulantes naturais como: auxinas, giberelina e citocininas. São fontes de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário das algas que estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças, de vitaminas, de glicoproteínas, como o alginatoe aminoácidos, que podem funcionar como bioestimulantes vegetais.

O emprego de formulados compostos de algas marinhas no sistema produtivo propicia, também, a produção de fitoalexinas (indutoras de resistência das plantas às doenças e pragas).

As auxinas são fitohormônios que participam da divisão celular e do alongamento da célula, além de promoverem a formação de raízes laterais e adventícias, retardar o início da abscisão foliar e regular o desenvolvimento das gemas florais.

As citocininas fazem parte da regulação da síntese proteica, podem induzir a divisão celular, retardam a senescência foliar, promovem a expansão de cotilédones em dicotiledôneas, entre outros processos.

As giberelinas estão relacionadas com a divisão celular, iniciação floral e frutificação, com a germinação de sementes e outros aspectos fisiológicos.

Ainda, a alta concentração de alginato, um polissacarídeo que compõe a estrutura da parede celular das algas e que faz com que elas armazenem água nas células e permaneçam hidratadas por todo o período que passam expostas ao sol, é um aspecto interessante.

O alginato desempenha no solo o papel de reter água e agregar as partículas do perfil, proporcionando um ambiente ideal para o desenvolvimento das raízes e absorção dos nutrientes.

Assim, a inclusão de produtos contendo algas pode proporcionar melhor desenvolvimento das raízes (por favorecer a divisão celular) e maior retenção de água propiciando, assim, melhor arranque e menor perda em transplantes e de necessidade de replantes. Favorece, ainda, a divisão celular, por serem ricas em estimulantes naturais, o que possibilita melhor uso do solo, de água e de nutrientes.

A utilização de algas na tomaticultura possibilita melhor uso do solo, de água e de nutrientes - Créditos Shutterstoc
A utilização de algas na tomaticultura possibilita melhor uso do solo, de água e de nutrientes – Créditos Shutterstoc

Experimentos

Resultados experimentais têm comprovado os benefícios obtidos com a introdução de algas marinhasnos plantios de tomateiro. Assim, estudo conduzido em casa de vegetação no setor de Nutrição de Plantas do Curso de Engenharia Agronômica do Unipinhal, município de Espírito Santo do Pinhal (SP), com mudas de tomateiro cvKombat,mostraram os benefícios da inclusão das algas marinhas

O ensaio, instalado com delineamento estatístico, foi o inteiramente casualizado com cinco tratamentos (controle e 0,2%; 0,3%; 0,4% e 0,5% de formulado contendo 85% de extrato de algas A. nodosum) e cinco repetições.

Cada parcela constou de um vaso plástico de cinco litros de capacidade, contendo areiapreviamente lavada. As mudas de tomate, com 10 dias de idade, foram transplantadas para o recipiente experimental e, em dias alternados, alimentadas com 250 ml de solução nutritiva contendo todos os nutrientes de planta.

As algas foram incluídas, no dia do plantio das mudas, via drench com volume de calda de 200 ml.l-1.As avaliações foram: altura de plantas aos 20 e 30 dias do início do ensaio,e comprimento de raízes e massa verde e seca, de raízes e parte aérea, aos 30 dias.Todos os dados foram submetidos à análise estatística e os resultados mostraram que a adição das algas beneficiou o enraizamento e o desenvolvimento aéreo das plantas, considerando-se todos os critérios de avaliação. Porém, 0,4% foi a melhor dose.

Haber (s.d.) observaram efeitos positivos de derivado de A. nodosum na germinação das sementes, que foram deixadas em imersão por seis horasem solução aquosa. O extrato aquoso foi preparado a partir de 0,010g de alga seca, diluída em 500 mL de água destilada. (Haber, L. L., Moreira, G. C., Tonin, F. B., Goto, R.; Valente, M. C. Alelopatia do extrato aquoso de Ascophyllumnodosum na germinação de cenoura e tomate, s.d..)

Também, Koyamaet al., trabalhando em condições controladas e no campo e avaliando: diâmetro do caule, teor relativo de clorofila da folha, número de folhas, massa média dos frutos, número de frutos, diâmetro longitudinal e transversal dos frutos, comprimento da ráquis e produção média, verificaram que a dose de 0,3% de extrato de alga, nos dois sistemas de produção em aplicações quinzenais, proporcionou o aumento da produção, sem alterar as características dos frutos e o crescimento vegetativo da planta.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de fevereiro 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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