Maior produtividade do milho e soja

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Jean de Oliveira Souza – Engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia/Produção Vegetal – jsoliveira1@hotmail.com

Milho – Fotos: Shutterstock

O espaçamento ideal e/ou a densidade populacional de plantas é de extrema importância para o aumento da produtividade. Hoje, o Brasil é um dos países que mais produz grãos no mundo, e com solo de bom aproveitamento e temperaturas adequadas, o desenvolvimento de novos híbridos é bastante satisfatório.
A tecnologia na agricultura permitiu avanços nos últimos anos em relação à produtividade e aos componentes de produção. A definição do melhor espaçamento e densidade de plantio pode definir o rendimento de grãos e impactar a produtividade da cultura. Trata-se da quantidade de plantas por hectare e o número ideal semeado, das condições ambientais, dos nutrientes e recursos hídricos disponíveis.

Condições ideais para a lavoura

A obtenção de uma lavoura com espaçamento e população adequada depende de diversos fatores, como o bom preparo do solo, a semeadura na época indicada e com disponibilidade hídrica, a utilização correta de herbicidas, a regulagem da semeadora (densidade e profundidade) e a boa qualidade fisiológica da semente empregada.
Todavia, frequentemente ocorrem reduções na população de plantas em virtude de um desempenho germinativo inadequado de sementes submetidas a condições adversas e que, muitas vezes, não são devidamente assimiladas pelos agricultores.
Populações muito acima da recomendada, além de acarretar aumentos nos gastos com sementes e um possível acamamento das plantas não proporcionam acréscimos na produtividade. Já a adoção de populações abaixo da recomendada favorece o desenvolvimento de plantas daninhas e pode resultar em plantas muito ramificadas e altura reduzida, o que também eleva as perdas no momento da colheita.
O melhor arranjo é aquele que proporciona distribuição uniforme de plantas por área, ou seja, equidistante entre plantas, possibilitando melhor utilização de luz, água e nutrientes. Plantas espaçadas equidistantemente são capazes de aproveitar melhor os nutrientes, luz e outros fatores de crescimento.

O caso do milho

O rendimento de grãos do milho é uma variável complexa e depende da interação entre fatores genéticos, ambientais e de manejo. No Brasil, o rendimento médio do milho é muito baixo, em decorrência de fatores ligados à fertilidade do solo, arranjo espacial de plantas, o uso de genótipos e práticas de manejo inadequadas.
A população ideal para maximizar esse rendimento varia de 30 a 90 mil plantas.ha-1, dependendo da disponibilidade hídrica, fertilidade do solo, ciclo da cultivar, época de semeadura, espaçamento entrelinhas e nível tecnológico de cada produtor.
As cultivares de milho modernas/híbridos encontrados atualmente no mercado de sementes têm recomendações de densidades de semeadura que variam de 40 a 80 mil plantas.ha-1, adotando-se espaçamentos variáveis entre 55 a 80 cm entrelinhas, apresentando 3,0 a 5,0 plantas/m, devidamente arranjadas de forma a minimizar as relações de competições por fatores de produção.

Características desejadas

Esses híbridos ou cultivares modernas apresentam ciclo mais curto, porte baixo, menor número de folhas e, principalmente, folhas mais eretas. Essas cultivares possuem uma arquitetura de planta mais favorável ao aproveitamento de luz pelo menor sombreamento e assim suportam maiores populações de plantas, com reflexos positivos no aumento do rendimento de grãos.
Permite, diante das características desses genótipos, a vantagem de adotar menores espaçamento nas entrelinhas pelo maior potencial de cobertura do solo e, com isso, a diminuição das perdas de água por evaporação, com maior competição com as plantas daninhas e principalmente, com melhor aproveitamento do ambiente pelas plantas.
Esse melhor aproveitamento é potencializado com o uso de arranjo equidistante de plantas, onde a diminuição da competição intraespecífica favorece individualmente a absorção de nutrientes, água, luz e CO2 pelas plantas.

Quanto custa?

O investimento no uso de híbridos é elevado, porém, o custo/benefício da sua utilização é rentável pelo retorno econômico e produtivo da sua exploração. Em condições de sequeiro, as populações de plantas entre 45.000 a 55.000 plantas/ha têm se mostrado as mais adequadas, principalmente em função da probabilidade de ocorrência de veranico, do nível de fertilidade do solo e do genótipo a ser empregado.
Em áreas com uso de tecnologias, como áreas irrigadas, híbridos precoces e solos com alta fertilidade, as densidades de plantio podem chegar a 80.000 plantas/ha. Populações de plantas elevadas causam diversas alterações fisiológicas e morfológicas ao milho, com respostas diferentes para cada cultivar.
As espigas ficam menores, aumenta o número de plantas sem espiga, e dentro de certos limites as plantas tendem a apresentar maior altura e os colmos ficam mais finos, os quais, juntamente com a maior estatura de plantas e a maior distância entre o ponto de inserção da espiga no colmo causada pela alta população de plantas, contribuem para o aumento do acamamento.

Atenção

Densidades elevadas só devem ser recomendadas em condições de alta precipitação pluvial ou irrigação, pois com maior densidade aumenta o índice de área foliar e, consequentemente, o consumo de água.
A necessidade nutricional das plantas é outro aspecto a ser considerado na escolha de densidades de plantas, visto que o milho é muito exigente em fertilidade de solo. À medida que se eleva a densidade de plantas, são necessárias maiores doses de nutrientes, principalmente de nitrogênio, que é o elemento absorvido em maior quantidade pela cultura.
A manipulação do arranjo espacial de plantas, pela alteração no espaçamento e na densidade de plantas na linha, como o consórcio, tem sido apontada como uma das práticas de manejo mais importantes para maximizar o rendimento de grãos do milho, pela otimização do uso de fatores de produção como água, luz e nutrientes.
Em virtude das modificações introduzidas nos genótipos de milho mais recentes, tais como menor estatura de planta e altura de inserção de espiga, menor esterilidade de plantas, menor duração do subperíodo de pendoamento-espigamento e plantas com folhas de angulação mais ereta e elevado potencial produtivo, torna-se necessário reavaliar as recomendações de manejo para esta cultura, como o arranjo de plantas.
No entanto, modelos de distribuição mais favoráveis em virtude do uso de espaçamentos reduzidos podem aumentar a taxa de crescimento inicial da cultura, levando a uma melhor interceptação e eficiência de uso da radiação solar, resultando em maiores rendimentos de grãos devido ao aumento da produção fotossintética líquida.
Portanto, a escolha do arranjo de plantas adequado é importante para maximizar o rendimento de grãos de milho, pois afeta diretamente a interceptação de radiação solar, que é um dos principais fatores determinantes do rendimento de grãos, desde que outros fatores, como água e nutrientes, estejam disponíveis sem limitações.

Respostas da lavoura

Com a redução do espaçamento entrelinhas tem-se incremento na produtividade de grãos, principalmente devido à melhor distribuição espacial das plantas de milho na lavoura. Além disso, a redução no espaçamento entrelinhas torna possível a utilização da mesma semeadora, sem mudança no espaçamento para efetuar a semeadura de outras culturas, como a soja, entre outras.
Esse arranjo (redução entrelinhas incrementa a distância entre as plantas na linha) estimula as taxas de crescimento da cultura no início do seu ciclo, incrementando a interceptação da luz solar e aumentando a eficiência de uso da radiação.
Para a soja, o espaçamento e, consequentemente, a população de plantas são variáveis que podem afetar diretamente a produtividade da cultura, sendo determinada em função do genótipo e do ambiente de produção. É uma característica amplamente estudada, visando definir a melhor população para cada cultivar disponível.
Não há um espaçamento e/ou densidades ideais de soja para todos os ambientes e genótipos, por isso, é importante observar a interação entre espaçamento e densidade de plantas dentro de cada condição de cultivo.

População de plantas

De modo geral, a população mais apropriada varia de 150 a 300 mil plantas/hectare. A adoção de determinada densidade depende da época de semeadura e da fertilidade do solo.
Populações maiores (300 mil plantas/ha) são indicadas em casos de semeadura fora da época preferencial ou em outras condições de estresse, como áreas de baixa fertilidade, especialmente em primeiro ano de cultivo da soja.
Densidades menores (150 mil plantas/ha) são recomendadas para solos bem corrigidos e com boa fertilidade. Quanto ao uso de maiores densidades, deve-se considerar, além das condições de solo, a menor tendência ao acamamento da cultivar a ser utilizada.
Em condições favoráveis ao acamamento de plantas, 200 – 250 mil plantas/ha. O espaçamento entre fileiras mais indicado e utilizado é entre 40 – 50 cm, com 10 a 18 plantas/mL. O espaçamento adequado é um dos fatores mais importantes a serem considerados para a obtenção de altas produtividades.

Espaçamento ideal

Espaçamentos menores que 40 cm resultam em sombreamento mais rápido entre as linhas, melhor controle das plantas daninhas e maior captação da energia luminosa incidente, mas não permitem a realização de operações de cultivo entre fileiras sem imprimir perdas significativas por amassamento das plantas.
A utilização do espaçamento adequado entre e dentro das fileiras de semeadura da soja é um dos fatores importantes a serem considerados para a obtenção de altas produtividades. O uso de populações muito elevadas, além de elevar os custos com sementes, não necessariamente aumenta o rendimento das culturas.
O aumento de densidades de plantas na fileira tem o efeito inverso do aumento no espaçamento entre fileiras. Quanto maior a densidade de plantas na linha de semeadura, maior a redução do número de ramificações por planta.
Ao reduzir o espaçamento entrelinhas com as novas cultivares, sem o devido ajuste da densidade das plantas na linha, o produtor poderá estar contribuindo para o acamamento da cultura. Por outro lado, se o ajuste da densidade resultar em poucas plantas por metro, estas poderão crescer com menos altura e ramificar mais, porém, com maior probabilidade de aumentar as perdas de colheita, pela baixa inserção das vagens, reduzindo a produção.
Um dos objetivos da modificação no arranjo de plantas, pela diminuição da distância entre as linhas, é encurtar o tempo para a cultura interceptar 95% da radiação solar incidente, e com isso, incrementar a quantidade de luz captada por unidade de área e de tempo.

Relação direta com a produtividade

Populações menores do que as recomendadas para a cultivar favorecem o desenvolvimento de plantas daninhas, diminuindo o rendimento. O aumento do espaçamento favorece a diminuição na altura da planta, na inserção da primeira vagem, no grau de acamamento e aumenta o número de ramificação e de vagens por planta, a produtividade por planta e o peso médio das sementes.
Em condições de baixa densidade populacional, o rendimento tende a se manter estável devido ao aumento de ramificações laterais, fato que pode ser aplicado pela alteração na intensidade de competição das plantas, em função das variações da população e da disponibilidade ambiental para cada planta.
O ajuste da população de plantas na sojicultura deve ser compreendido no âmbito da interação entre genótipo, ambiente e manejo. Ou seja, não há valor alto ou baixo de número de plantas por unidade de área na instalação da cultura, mas sim adequado ou inadequado para cada situação de cultivo.
Há genótipos que expressam o seu máximo potencial produtivo com altas densidades de semeadura, acima de 400 mil plantas por hectare, em determinadas situações de ambiente e manejo. Em outros casos, estandes com menos de 200 mil plantas por hectare são suficientes para que se atinja o máximo rendimento de grãos.

Precocidade

Em várias regiões do Brasil há forte empenho para buscar cultivares cada vez mais precoces e, em muitos casos, almeja-se antecipar as épocas de semeadura, forçando as lavouras a terem altas taxas de crescimento vegetativo em períodos cada vez mais curtos, e em condições ecofisiológicas menos favoráveis.
Nesse cenário, há necessidade de aprimorar processos e tecnologias, tais como cultivares adaptadas, sementes de alto vigor, maquinário com regulagem refinada, etc. Além disso, é imprescindível buscar o detalhamento no ajuste da população de plantas para o estabelecimento da soja, no âmbito das diferentes realidades de cultivo, compreendendo as interações entre genótipo, ambiente e manejo.
No entanto, a combinação da densidade de plantas na linha de semeadura com o espaçamento entrelinhas influencia algumas características agronômicas da planta de soja, bem como pode modificar a produtividade final.
Os espaçamentos entre as linhas e a densidade de plantas nas linhas podem ser alterados, com a finalidade de estabelecer o arranjo mais adequado à obtenção de maior produtividade e adaptação à colheita mecanizada.
Hoje, isso é possível devido à alta tecnologia das máquinas de plantio, sendo possível utilizar espaçamentos mais adequados para cada tipo de cultura e tamanho de semente. A classificação das sementes por tamanhos realizada durante o processo de beneficiamento facilita a semeadura mecanizada e contribui para o estabelecimento de populações adequadas de plantas.
No arranjo em que o espaçamento entrelinhas é igual ao espaçamento entre plantas dentro das linhas, têm sido observados aumentos na produtividade da soja. Dessa forma, existe a necessidade de se fazer a semeadura em linhas, com espaçamentos bem definidos.
Contudo, o uso de genótipos, seja de soja ou de milho, com manejo adequado do espaçamento e densidade de plantio, levando em consideração as condições de fertilidade do solo, o tipo de cultivar, o sistema de plantio, a necessidade de irrigação, permite que as plantas de cada espécie sejam exploradas para que tenham seu potencial genético potencializado para obter resultados significativos de rendimentos.