Mais qualidade nutricional do feijão-de-corda

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Aldeir Ronaldo Silva

Engenheiro agrônomo, doutorando em Fisiologia e Bioquímica de Plantas – ESALQ/USP

aldeironaldo@usp.br

João Pedro Ramos da Silva

Engenheiro agrônomo – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE)

joaopedro_r@outlook.com

O feijão-caupi, assim como todas as plantas, precisa dos nutrientes essenciais para seu crescimento e desenvolvimento. Esses nutrientes são divididos em macro e micronutrientes, sendo os primeiros requeridos em maiores concentrações.

Entretanto, o fato de serem requeridos em quantidades diferentes não quer dizer que um seja mais importante que o outro, pois todos são essenciais à vida da planta, participando de reações únicas, sem as quais ela não sobreviveria. Por serem elementos essenciais, as plantas precisam absorver tais nutrientes em quantidades que venham a suprir suas necessidades.

Os nutrientes estão correlacionados a diferentes processos metabólicos na planta, por exemplo o nutriente fósforo, que tem relação direta com a síntese de carboidratos e acumulação de energia, enquanto o nutriente zinco, além de servir como um regulador de um grande número de enzimas ligadas ao metabolismo das plantas, tem importância na síntese de triptofano, um aminoácido importante para a formação de proteínas.

Necessidades

Pesquisas apontam que um aumento na disponibilidade de nutrientes como o fósforo e o zinco irá beneficiar a qualidade nutricional do grão. Análises realizadas em plantas submetidas ao manejo correto de adubação constataram um aumento de dois para quatro miligramas de fósforo nos grãos, e de 43 para 53,4 miligramas no nutriente do zinco.

Como resposta à pesquisa, constatou-se que o fósforo e zinco são nutrientes que permitem tanto o aumento na produtividade como melhora na qualidade nutricional dos grãos, sendo o zinco responsável pelo aumento no teor de proteína dos mesmos.

Manejo

A prática de correção de acidez é recomendável para se obter melhores rendimentos da cultura e maior eficiência na absorção dos nutrientes. O insumo mais usado para isso é o calcário, e pode ser calcítico ou dolomítico, sendo o segundo mais recomendável quando o solo apresenta deficiência em magnésio. É recomendável que se aplique o calcário dois meses antecedentes ao início da semeadura.

A prática mais importante a ser realizada é uma análise de solo, coletando as áreas que são uniformes, as que são separadas por tipos de cultivos, as que distinguem em nível de tecnologia empregada, etc.

Dessa forma, é preciso realizar a análise separada para cada uma dessas áreas, para que possa ser descoberto o que tem disponível de nutrientes e, porventura, os nutrientes que estão faltando e comprometendo a produção. É necessário tanto a interpretação correta dos dados oriundos da análise de solo como as exigências nutricionais da cultura, pois a aplicação em demasiado de fertilizantes pode apenas onerar o custo de produção, enquanto os aumentos no rendimento da cultura acabam não sendo significativos.

Fósforo

Para a prática de adubação do feijão-caupi podem ser utilizadas adubações fosfatadas, como o superfosfato simples, superfosfato triplo, fosfato diamônico e fosfato monamônico, como também adubação potássica, com o cloreto de potássio e nitrato de potássio.

Em condições de áreas recém-desmatadas e solos de textura arenosa e com baixos níveis de matéria orgânica, pode ser empregada a adubação nitrogenada, por meio da ureia, sulfato de amônia, nitrato de cálcio e nitrato de amônia, ou compostos orgânicos, como o esterco bovino, esterco de galinha e esterco de caprinos/ovinos, e ainda a adubação verde, com a utilização da mucuna-preta (Stizolobium aterrimum) e o feijão-bravo (Canavalia obtusilolia).

De forma geral, os micronutrientes presentes nas reservas dos solos são capazes de atender à necessidade das plantas, não sendo necessário sua reposição. Entretanto, o molibdênio e o zinco possuem forte influência na nodulação e fixação de nitrogênio pelas leguminosas.

Relação com a produtividade

O processo de crescimento, desenvolvimento, brotação e enchimento de grãos requer a presença de nutrientes em plena disponibilidade para que a planta atinja seu potencial genético. Com esses processos, a planta acaba tirando os nutrientes que estão prontamente disponíveis no solo, sendo necessária a reposição dessa parcela de nutrientes para que o solo não perca sua fertilidade.

Pesquisas indicam que uma adubação bem equilibrada pode proporcionar retorno líquido cerca de três vezes maior em comparação às lavouras que não receberam fertilizantes. Mesmo sob condições de sequeiro, a produtividade pode passar de 1,6 para 1,8 tonelada, apenas com o correto manejo da terra.