Mancha-alvo é o terror do agro

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A Fundação MT realizou no Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD) Norte situado em Sorriso um ensaio para avaliar a mancha alvo na cultura da soja em área queimada. A Pesquisadora da área da Fitopatologia Dra Mônica Müller, juntamente com a equipe do CAD, conduziram os ensaios com intuito de averiguar a pressão de Corynespora cassiicola, patógeno causador da mancha-alvo, na área que teve a palhada da cultura antecessora (milho) queimada, cenário que foi observado por muitos produtores da região em um ano seco como 2019, e o outro ensaio sobre área com palhada de milho não afetada pelo fogo, sendo que em ambas áreas foram aplicados os mesmos tratamentos fungicidas.

Resultado prévio observado a campo:

Comparando os ensaios, foi possível observar que no ensaio sobre a área queimada a severidade da doença foi maior do que na área não queimada.

Em ambos os ensaios, tanto na área queimada quanto na área não queimada, o tratamento 1, sem aplicação de fungicidas nitidamente apresentou maior severidade nos dois ensaios, mesmo em um cenário com ambiente pouco favorável à doença, pela baixa umidade e precipitação durante o início do ciclo da cultura.

No tratamento 2 em que foram feitas apenas duas aplicações durante o ciclo, utilizado um produto com baixa eficiência de controle para mancha alvo na primeira aplicação (35 DAE), e um grande intervalo entre as aplicações, a severidade ficou muito próxima da observada na testemunha.

Já nos tratamentos com três aplicações de fungicidas durante o ciclo (tratamentos 3 e 4), iniciando as aplicações aos 35 DAE e com intervalos de 15 dias entre as aplicações, foram os tratamentos que apresentaram menor severidade nos dois ensaios, revelando que a primeira aplicação aos 35 DAE, seguida de aplicações com intervalos de 15 dias e o posicionamento de fungicidas eficientes no controle da mancha alvo logo nas primeiras aplicações, apresenta o melhor resultado de controle de mancha alvo. 

No tratamento 5, com apenas duas aplicações, e a primeira aplicação tardia (45 DAE), simulando um atraso na primeira aplicação, mesmo que com produtos eficientes controle de mancha alvo, não apresentou resultado satisfatório, apresentando manchas no baixeiro.

Conclusão com base no que foi observado: No comparativo das duas testemunhas a severidade foi maior na área queimada em relação a não queimada. Uma hipótese levantada pela equipe da Fundação MT, levando em conta que mancha alvo é uma doença que está presente nas áreas, foi que a ausência de cobertura do solo fez com que, durante a chuva, o respingo facilite a chegada do patógeno causador da mancha alvo, nas folhas da soja. Outro ponto a ser considerado de acordo com o observado, é a importância do posicionamento de produtos direcionados ao controle de mancha alvo já nas primeiras aplicações, de forma preventiva, mesmo que em condições desfavoráveis à ocorrência da doença, para evitar que quando as condições forem favoráveis e haja o fechamento do dossel, a doença não consiga se estabelecer no baixeiro da planta, bem como manter intervalos de 15 dias entre as aplicações, para evitar a evolução da doença na lavoura.