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Manejo da água em sistemas hidropônicos

Eduardo Ferreira Rodrigues

Mestre em Genética e Melhoramento de Plantas, doutor em Produção Vegetal e professor da Universidade Estadual do Maranhão

edumagro@yahoo.com.br

 

Crédito Eduardo Miyayaciki
Crédito Eduardo Miyayaciki

A água, para ser servida aos vegetais inseridos nos ambientes protegidos, deve essencialmente ser potável, e para atingir os parâmetros ideais, deve ser rigorosamente analisada por um laboratório de referência que ateste a qualidade da mesma, pois o seu consumo deve ser atendido de acordo com o que determina a Portaria 2914 do Ministério da Saúde, especialmente no que exige no artigo I, enfatizando que “água para consumo humano ” água potável destinada à ingestão, preparação e produção de alimentos e à higiene pessoal, independente da sua origem“ e no artigo II que a mesma não ofereça riscos à saúde humana.

A água, para se tornar potável, pode também passar por processos físicos e/ou químicos para atingir os parâmetros de potabilidade, que é o caso que configura a água tratada.

Após atender o parâmetro de potabilidade, o manejo ideal para que essa água possa atender aos processos produtivos de espécies vegetais implica em manter sempre uma renovação ideal, tendo em vista que em torno de 25% da água é perdida naturalmente para o ambiente sob a forma de evaporação.

Há de se ter, também, o cuidado para que a fonte de onde se retira a água esteja sempre muito bem protegida contra contaminações por microrganismos, como é o caso frequente das contaminações do lençol freático, ou ainda por ações antropocêntricas, quando os mananciais são contaminados por excesso de sal, famoso processo conhecido por salinização, ou ainda mais grave, quando se contamina por meio de metais pesados.

Como evitar a evaporação

Para evitar a evaporação do sistema, é necessário que o ambiente interno das estufas agrícolas sofra algumas modificações que irão implicar em um melhor manejo da temperatura, em que o processo produtivo vegetal esteja inserido. Para isso, usa-se de malhas de proteção que permitem uma grande reflexão dos raios solares, que é ocaso das telas aluminets, que possibilitam uma melhor adequação da temperatura da estufa para a exploração de processos produtivos.

Neste aspecto, a hidroponia da alface, que domina os cultivos protegidos em nosso país, se vale muito da grande contribuição que esta tela fornece, baixando a temperatura da estufa em relação ao ambiente externo em torno de 5ºC.

Ainda neste sentido, a fonte ou o local onde o reservatório se encontra deve estar protegido dos raios solares, o que pode ser conseguido por uma proteção feita nos reservatórios, e ainda que este reservatório esteja enterrado há pelo menos dois a três metros de profundidade.

Reposição da água

Adota-se a reposição de toda água perdida pela evaporação somada à transpiração das plantas. Então, para usar um termo já conhecido, lançamos mão das tabelas de evapotranspiração.

Portanto, deve-se ter uma preocupação direta com o consumo de água (pela planta e pelo ambiente), pois em determinados períodos do ano iremos encontrar demandas evaporativas muito intensas, implicando em uma constante reposição da água perdida pela evaporação em uma dada localidade.

Para saber realmente o quantitativo de água a ser reposto, adota-se o uso dos cálculos de evapotranspiração, que nada mais é do que as perdas de água ocasionadas pela evaporação do ambiente e aquelas decorrentes das transpirações das espécies vegetais.

Para um manejo mais informal, o volume do reservatório (caixa d’água) que foi utilizado no dia anterior deve ser igualmente reposto no dia seguinte. Essa é uma prática muito comum para efeito de reposição, especialmente nos sistemas hidropônicos que utilizam o mecanismo de recirculação de água.

Mas, também, usa-se a reposição de água ao mesmo tempo em que a água está sendo perdida. Para esta opção de reposição no mesmo momento da perda, deve-se ter cuidado com a condição da água quanto à sua condutividade elétrica, pois este é um índice muito usado para aferir a adubação da água, o que tem reflexo direto na produtividade agrícola.

Evite riscos desnecessários

Os danos oriundos de um sistema cuja quantidade de água a ser reposta é superior ou inferior reflete exatamente na qualidade da adubação da água, pois para os ambientes protegidos costumeiramente serão utilizados os sistemas de fertirrigação, em que ao mesmo tempo a água é agente vetor da nutrição das plantas e ainda exerce todas as suas funções no vegetal, desde a dissipação de calor, resfriando a planta no momento da transpiração, até a manutenção das estruturas celulares (p.ex: membranas celulares) que estão sendo protegidas pela molécula da água, evitando a perda de viabilidade celular, nesse caso.

Então, o sistema pode estar fortemente hidratado, conduzindo a uma grande diluição e enfraquecimento da solução nutritiva, ou por outro lado, pode ser que esteja com tão pouca água que a solução nutritiva torna-se hipertônica e os processos de entrada de nutrientes na célula vegetal ficam seriamente comprometidos a ponto de inviabilizar a célula vegetal.

O monitoramento adequado da água que serve a planta deve tão somente ser monitorado por dois aparelhos imprescindíveis: peagâmetro e condutivímetro. O peagâmetro irá informar sobre o pH da solução nutritiva e o condutivímetro sobre a condutividade elétrica da água.

Essa matéria completa você encontra na edição de maio 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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