Manejo da madeira pode interferir na rentabilidade

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Autor

Alessandro Magalhães Boccia Ribeiro
Engenheiro florestal e diretor técnico da Forte Florestal
alessandro@forteflorestal.com.br
Crédito Gustavo Castro

O objetivo principal do manejo é o cultivo e colheita de árvores de maiores diâmetros e livres de nós, num ciclo de rotação de 16 a 20 anos, para produção de madeira certificada FSC (Forest Stewardship Council), podendo ser comercializada como toras, madeira serrada bruta, aplainada, seca ou industrializada sob a forma de pisos, móveis, forros, esquadrias, portas, janelas, ou então, laminada.

Essas toras de primeira qualidade estão sendo produzidas em um sistema sustentável, com técnicas de cultivo mínimo do solo, que contemplam o uso restrito de agrotóxicos e o plantio de leguminosas para cobertura orgânica no solo.

Para consolidar o ciclo florestal sustentável, aproveitando-se do potencial produtivo do sítio de plantio, consorciamos nossas florestas com culturas agrícolas nos primeiros anos e no manejo semi-sombreado com gado, café, juçara, dentre outras, conforme a região.

Estes sistemas agrosilvipastoris possuem capacidade para custear a floresta até a colheita da madeira, além de enriquecer a terra e propiciar tratos culturais livres de agrotóxicos.

Sustentabilidade, impacto social e retorno financeiro

O retorno financeiro que esperamos, sem dúvida, será no final do primeiro ciclo de 20 anos, uma vez que as receitas secundárias obtidas com desbastes e culturas agropastoris servirão para compor o fluxo de custeio ao longo dos anos, tornando o projeto economicamente sustentável.

Nas nossas fazendas adotamos o sistema agrossilvipastoril com manejo de desbaste, condução de rebrotas e plantios de enriquecimento. Adotando este sistema, cria-se a possibilidade de se perpetuar a plantação florestal, tratando-a como uma florestal nativa, que se regenera e se potencializa.

No vigésimo ano, as árvores dos plantios de enriquecimento estarão com 15 anos de idade; as rebrotas conduzidas dos desbastes estarão com 10 e cinco anos; as rebrotas do corte aos 20 anos estarão com 0 anos; novo plantio de enriquecimento. E assim, após a primeira rotação de 20 anos, o ciclo de corte da floresta torna-se anual e sustentável.

Socialmente, estamos em uma região de baixo índice de desenvolvimento, e nossos projetos geram uma vaga de emprego direto a cada 10 hectares de plantio, em que, além do impacto social em termos de geração de renda, temos um impacto social com a introdução na região de novas culturas e novos sistemas de produção.

Vantagens desse tipo de cultivo

As árvores tornam-se um ativo físico em crescente valorização, a cada ano que passa a árvore vale mais, e para potencializar isso ‘tentamos’ imitar a natureza, buscando um sistema orgânico de alta produtividade e diversidade de espécies.

A geração de renda com os consórcios agropastoris é relevante no custeio do manejo. A diversidade de espécies garante um maior equilíbrio em casos de intempéries climáticas, pragas e doenças, demandas do mercado e ciclos de cortes.

Espécies florestais envolvidas nesse tipo de cultivo

Como espécies fundadoras temos os três mognos africanos, a teca e o jequitibá rosa. Para plantios de enriquecimento, temos o eucalipto citriodora, o guanandi, ipê roxo, jatobá, jacarandá da bahia e cedro.

Quanto ao manejo em relação ao cultivo convencional, mudam os tratos culturais, uma migração do controle de ervas daninhas com herbicida para controle de ervas daninhas com cobertura morta, plantio de forrageiras e leguminosas. Muda também o manejo das árvores, pois não haverá corte raso na floresta, já que não é um monocultivo, e o fluxo de caixa do negócio, com antecipação dos rendimentos.

Esse tipo de sistema já acontece em muitos sistemas agrosilvipastoris pelo Brasil há muitos anos. Este sistema de manejo que falamos foi desenvolvido especificamente para a região do Vale do Ribeira (SP) e está implantado em nossas fazendas.

Investimento x retorno

O investimento envolvido no nosso modelo de negócio, n a implantação e manutenção do projeto até o quarto ano, gira em torno de R$ 30.000,00/ha, com tudo incluso. O retorno do investimento se inicia a partir do décimo ano, quando começa a produção da palmeira juçara e os cortes intermediários das árvores.

No sistema convencional, o retorno do investimento depende exclusivamente do corte das árvores. O que devemos levar em consideração é que o corte pode ser técnico, que respeita o ciclo de produção, ou seja, pode gerar uma colheita sem valor comercial, ou corte comercial, que aproveita oportunidades comerciais, independente da idade da floresta.

A taxa de retorno estimada é de 15 a 20% ao ano no ciclo de 20 anos. Consideramos o preço médio do metro cúbico serrado de R$ 2.5000,00 no mercado interno e uma expectativa de produção média de 200 m³ de madeira serrada, de primeira qualidade, por hectare. Consideramos a comercialização da polpa de juçai a partir do décimo ano.


Atenção

A implantação desse sistema de manejo depende da região do projeto: clima, solo e logística. Depende, também, da aptidão do produtor em trabalhar com florestas plantadas sustentáveis e ciclo longo, pois madeira boa cresce devagar.