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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Manejo de doenças do morangueiro

Hélcio Costa

Engenheiro agrônomo e pesquisador do Incaper

helciocosta@incaper.es.gov.br

 

Créditos Hélcio Costa
Créditos Hélcio Costa

A cultura do morangueiro é uma atividade de grande importância socioeconômica para o País, sendo empregadora de grande número de pessoas durante sua condução e requerendo o uso constante de tecnologia, destacando-se o manejo integrado das doenças.

Existem vários patógenos que ocorrem nesta cultura, causando perdas em maior ou menor intensidade em função das condições climáticas, do manejo adotado e das cultivares plantadas. O conhecimento destas doenças e as táticas de manejo a serem adotadas é um desafio para que a cultura mantenha sua importância econômica, social e ambiental e que seja sustentável por vários anos.

As principais doenças que ocorrem na cultura do morangueiro e algumas táticas para o seu manejo são agrupadas de acordo com o órgão da planta infectado, para melhor compreensão e para facilitar o monitoramento das mesmas.

Podridão de rhizopus - Créditos Hélcio Costa
Podridão de rhizopus – Créditos Hélcio Costa

Mancha de micosferela

A mancha de micosferela, causada pelo fungo Mycosphaerella fragariae, ocasiona mancha de formato arredondado e diâmetro variável, de coloração inicialmente castanho avermelhado. A doença ocorre com maior intensidade na fase inicial após o transplantio no campo (março ” abril) e no final do cultivo (setembro – outubro), quando as temperaturas são mais elevadas e perdas superiores a 30% podem ocorrer.

É uma doença importante também na fase de produção das mudas (viveiros). Os maiores danos ocorrem quando se utilizam menores espaçamentos, irrigação por aspersão e excesso de adubação nitrogenada.

Para seu manejo, o uso de cultivares resistentes é a principal medida a ser adotada, sendo que existem variações da doença entre as cultivares, conforme pode ser observado na tabela 1.

As cultivares de dias neutros ‘Diamante’ e ‘Aromas’ vêm apresentando, em experimentos conduzidos no Estado do Espírito Santo, alta severidade da doença. A cultivar Dover também tem apresentando alta suscetibilidade a esta doença, principalmente em cultivos orgânicos.

O uso de fungicidas e/ou caldas (viçosa e bordalesa), caso necessário, deve ser feito após o monitoramento da incidência da doença, uma vez que o patógeno é muito dependente da temperatura e de alta umidade relativa para sua ocorrência. O cultivo em túneis, que vem sendo cada vez mais adotado pelos produtores no Espírito Santo, limita o desenvolvimento da doença mesmo na época das chuvas.

Resultados de avaliação efetuados no Incaper-CRDR-Centro Serrano têm demonstrado a influência do tipo de mulching (branco e ou preto) sobre o desenvolvimento da doença, com maiores severidades sendo observadas no mulching branco em condições de campo aberto.

Botritis, ou mofo, no morangueiro - Créditos Hélcio Costa
Botritis, ou mofo, no morangueiro – Créditos Hélcio Costa

Pestalotiopsis longisetula

A doença originada pelo fungo Pestalotiopsis longisetula, que causa a “mancha-da-folha“, vem ocorrendo com alta severidade em lavouras do Espírito Santo, a partir de 2004, com danos acentuados principalmente em viveiros. A doença foi constatada também em outros Estados, como Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.

Em condições de campo, a doença ocorre principalmente na fase inicial de cultivo, quando as mudas ainda não estão totalmente adaptadas e sofrem um pequeno estresse. Os sintomas são lesões de coloração castanho-escuras com a formação de pontuações escuras e a presença de acérvulos no centro destas lesões.

Em viveiros, a doença infecta os estolhos e pecíolos das mudas, levando-as, muitas vezes, à morte, como vem sendo observado no Espírito Santo, em algumas cultivares.

O manejo desta doença envolve o uso da irrigação por gotejamento e de cultivares resistentes (Tabela 1). A cultivar Dover tem apresentado resistência à doença, enquanto que as demais são todas suscetíveis. A cv. Sweet Charlie é a mais suscetível quando comparada com as cvs. Camarosa, Oso Grande, Camino Real, Ventana, Aromas, Diamante, Albion e Seascape.

Em viveiros, e na fase inicial de cultivo no campo, o uso de fungicidas muitas vezes se faz necessário, sendo importante o monitoramento, pois, no geral, a doença se inicia por pequenos focos. O uso de silicato de potássio reduz a severidade da doença nas mudas em condições de casa de vegetação.

Campos com mancha de micosferela em morango - Créditos Hélcio Costa
Campos com mancha de micosferela em morango – Créditos Hélcio Costa

Mais doenças

Outras doenças foliares que ocorrem no morangueiro são as manchas de Diplocarpon e Dendrophoma causadas, respectivamente, pelos fungos Diplocarpon earlianum e Dendrophoma obscurans.

Estes patógenos geralmente são observados no campo, na fase inicial (10 a 30 dias) e no final do ciclo da cultura, infectando as folhas mais velhas, bem como nos viveiros.

Em 2006, a mancha foliar causada por Gnomonia comari foi observada no Espírito Santo, na cultivar Diamante, mas sem necessidade do uso de fungicidas para o seu controle, pois a incidência e a severidade foi muito baixa, e no Rio Grande do Sul, nas cultivares Aromas e Camarosa. Geralmente, para estas doenças, o manejo cultural adotado é a retirada das folhas velhas, que tem se mostrado eficiente, não necessitando do uso de fungicidas.

Phytophthoraem frutos de morango - Créditos Hélcio Costa
Phytophthoraem frutos de morango – Créditos Hélcio Costa

Mancha de dendrophoma - Créditos Hélcio Costa
Mancha de dendrophoma – Créditos Hélcio Costa

Folha com lesão de pestalotia - Créditos Hélcio Costa
Folha com lesão de pestalotia – Créditos Hélcio Costa

Detalhe de folha com bacteriose - Créditos Hélcio Costa
Detalhe de folha com bacteriose – Créditos Hélcio Costa

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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