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Manejo de pragas e doenças começa pela biotecnologia

Natanael Motta Garcianatanaelmottagarcia@outlook.com

Bruno Englerth Pedrozobruno_englerth@hotmail.com

Graduandos Agronomia – Unifio

Adilson Pimentel JúniorDoutorando em Agronomia – UNESP e professor de Agronomia – Unifioadilson_pimentel@outlook.com

Algodão – Crédito: Shutterstock

Na safra 2019/20 houve um prejuízo de R$ 1,89 bilhões ao setor, em decorrência de fungo na cultura do algodão, que representa 35% do potencial de perda à produção em razão de doenças fungicidas.

Outras ameaças à cultura incluem o bicudo, com potencial de perda de até 100% à produção, o complexo de lagartas, com 40 a 60%, e a mosca-branca, tripes e pulgão, pragas que reduzem a qualidade da fibra em razão dos índices de pegajosidade, atribuindo diferentes perdas, de acordo com sua infestação.

O controle dessas pragas, ervas daninhas e doenças equivale a 38% do custo total de produção das lavouras. A perda média fixa de produtividade é de 5,3%, inviabilizando o cultivo da cultura se não houver um controle efetivo em todo o processo.

O maior desafio dos cotonicultores é a eficiência em oferecer um algodão de qualidade para o mundo todo, frente às ameaças naturais do clima tropical.

Formas de controle

Uma das principais medidas preventivas para pragas é o plantio-isca, que atrai e elimina vetores do plantio definitivo, no entanto, outras medidas preventivas deverão ser tomadas para retardar ou diminuir a intensidade de ataque à cultura, como a destruição de soqueiras, por exemplo.

Uma alternativa viável é a antecipação do preparo de solo em pelo menos 40 dias, eliminando os refúgios de pragas inoculadas e desalojando-as da área. Logo, o controle biológico ocorre predominantemente pelos inimigos naturais da área. Por isso, é importante escolher inseticidas seletivos, como defensivos naturais, e só realizar pulverizações quando necessário.

Manejo biotecnológico

A biotecnologia é capaz de controlar uma planta daninha, ou a ação de um inseto ou fungo, com total especificidade, sem efeitos colaterais em qualquer organismo vivo do ambiente que não seja o alvo, por meio de técnicas de controle de pragas e doenças baseadas na interferência por RNA (RNAi), que permitem essa precisão e podem ser uma alternativa ao controle químico.

O manejo de pragas e doenças pela biotecnologia traz segurança, que é uma das maiores vantagens, pois é possível controlar apenas a espécie desejada sem afetar outras, principalmente as benéficas, como espécies que se comportam como inimigos naturais desta praga, ou mesmo polinizadores, como abelhas e borboletas.

Além disso, é possível realizar análises preliminares para saber se haverá risco de afetar espécies não-alvo.

Outro aspecto positivo da biotecnologia aliada ao controle de pragas é a possibilidade de tratar mais de uma praga de forma simultânea, em que, mesmo se tratando de um inseto e um fungo, pode-se desenhar uma molécula de RNA que contenha a parte da sequência de um gene de um inseto e parte da sequência de um fungo, de modo a afetar estes dois organismos simultaneamente.

Possibilidades

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Uma das possibilidades de implantação desta técnica é a criação de produtos comerciais que contenham as moléculas de dsRNA para serem utilizados via pulverização. Até algum tempo atrás, o custo para produzir artificialmente grandes quantidades de dsRNA tornava a tecnologia inviável.

Este gargalo aparentemente foi superado, e produtores do setor acreditam que o custo de produção não será alto. Neste caso, o produtor poderia, por exemplo, aplicar na lavoura para “combater” a resistência de determinada planta daninha aos herbicidas disponíveis.

Recentemente foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio), para comercialização no Brasil, a primeira variedade de milho com resistência a insetos mediada por RNAi. Plantas melhoradas a partir desta tecnologia já estão disponíveis no mercado.

A planta é resistente à larva-alfinete, inseto que não tem grande relevância nas lavouras brasileiras, mas provoca severos danos nos Estados Unidos, onde foi desenvolvida a variedade.

Vale ressaltar que, no caso de plantas transgênicas contendo a tecnologia, estas são regulamentadas pela CTNBio e ainda não existe uma regulamentação do governo brasileiro quanto ao uso de produtos comerciais contendo tecnologia RNAi.

Ponto-chave

A biotecnologia é um ponto-chave em questão de produtividade, que se tornou fundamental para a produção de alimentos em todo o mundo na era da agricultura moderna. Isso aconteceu desde quando estudos apontaram como utilizar as características do DNA de organismos vivos na biologia para diferentes fins, resultados estes obtidos nos anos 1950, nos Estados Unidos, quando, junto a descobertas, aprofundou-se o foco da biotecnologia aliada ao combate de pragas e doenças para o aumento de produtividade em campo.

O Brasil tem conquistado cada vez mais espaço no mercado global de algodão, de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que apontam uma colheita de 2,34 milhões de toneladas de pluma na safra 2020/21.

Segundo a ANEA (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão), apesar da queda de 22% de produção em relação à última safra, o País deve exportar um volume recorde, de cerca de 2,3 milhões de toneladas.

A alta expectativa de safra alarma ainda mais o produtor de algodão, que enfrenta desafios com o bicudo-do-algodoeiro, praga que pode destruir até 70% da lavoura quando não controlada. Além do bicudo-do-algodoeiro, os produtores do setor têm problemas com outra praga, a Helicoverpa armigera, que pode ocasionar até 30% de perdas nas lavouras.

A saída para o problema foi a adoção de novas técnicas e parcerias para controlar o inseto, uma vez que a agricultura tropical pode ser impactada por plantas daninhas e insetos. Diante disso, a utilização de biotecnologias no algodão torna-se um aliado do agricultor para que ele possa garantir o potencial produtivo de sua lavoura.

O uso da biotecnologia, já usada nas culturas de soja e milho, irá entregar para o algodão atributos desejados para a construção de margens ao produtor, como resistência, tolerância, precocidade, produtividade e meio ambiente.

Porteira adentro

Várias práticas culturais, permitindo manejo sustentável dos problemas fitossanitários ligados às pragas ou doenças, são conhecidas e usadas há muito tempo. Pesquisas realizadas dentre as cultivares que o IAC tornou disponível para o mercado, a IAC 17, IAC 19, IAC 20 e IAC 22, dentre outras, fizeram história na cotonicultura brasileira.

Até agora, a maior parte dos trabalhos com algodoeiro ligados à biotecnologia envolve o controle de insetos (lagartas) e tolerância a herbicidas, visando diminuir as perdas no campo.

Muitos desses genes são provenientes do Bacillus thuringiensis (Bt), um microrganismo encontrado no solo de várias regiões do Brasil. Essa bactéria tem sido usada como inseticida biológico, desde a década de 60, por meio da pulverização dos esporos sobre a lavoura. Ela não é tóxica ao homem, apenas aos insetos-alvo considerados pragas.

Diferentes genes Bt têm sido isolados e incorporados ao algodoeiro, sendo os genes Cry1Ac, Cry2Ab, Cry1F e Vip3A, que produzem proteínas capazes de controlar diferentes populações de lagartas.

O gene Cry1Ac, presente em três dos eventos liberados até o momento no Brasil, atua no controle da lagarta do curuquerê, lagarta-da-maçã e lagarta rosada. Adicionalmente, os genes Cry1F e Cry2Ab2, presentes em dois desses eventos, permitem controlar a Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho ou militar) e plusideos (P. ni e P. includens).

Genes que conferem às plantas tolerância aos herbicidas à base de glifosato e glufosinato de amônio também estão presentes em dois outros eventos aprovados no Brasil. Em vários países já estão sendo utilizadas cultivares de algodoeiro com diferentes características combinadas (introdução de diferentes genes com ações específicas numa mesma planta), como para resistência a lagartas e tolerância a herbicida.

Erros

Os erros mais frequentes estão ligados à colheita mecanizada do algodão. A qualidade da fibra e o sucesso da lavoura de algodão estão muito relacionados às boas práticas de manejo. E alguns dos erros mais comuns na colheita mecanizada do algodão são: velocidade inadequada da colhedora; presença de daninhas na colheita; altura das plantas (que deve estar entre 1,0 e 1,3 m); erro na utilização de desfolhantes e maturadores; falta de sistema de contenção de incêndios.

As perdas qualitativas se referem à maturação inadequada das plantas; ao excesso de umidade no momento da colheita; à variação no comprimento e elasticidade das fibras; e aos problemas na coloração (devido à presença de poeira ou má regulagem dos equipamentos).

A colheita deve ser realizada, de preferência, com os frutos a 12% de umidade e entre 90 e 95% dos capulhos abertos. As velocidades podem variar de acordo com modelo da colhedora, mas recomenda-se entre 3,5 e 8,0 km/h. Geralmente, velocidades mais elevadas acarretam quedas dos capulhos no chão e maior coleta de impurezas, ocasionando perdas na qualidade.

É desejado que, no momento da colheita, haja insolação e total escassez hídrica, uma vez que a qualidade das fibras pode ser prejudicada pela umidade.

As perdas de colheita podem variar de 5,0 a 15%, sendo que, segundo alguns autores, são valores aceitáveis entre de 6,0 e 8,0%. Por isso, é essencial realizar avaliações em campo e, se necessário, regular novamente as colhedoras ou capacitar melhor os operadores.

Investimento x retorno

O custo de produção de algodão em Mato Grosso na safra 2021/22 subiu em julho, segundo informou o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), em boletim semanal sobre a cultura.

Segundo o relatório, o custo operacional efetivo (COE) aumentou 1,61% em relação a junho, estimado em R$ 13.594,92/ha até o mês anterior. A safra 2021/22 foi semeada no fim do ano. Em relação à safra 2020/21, que está sendo colhida, estima-se que haverá aumento de 39% no custo operacional efetivo.

O COE inclui despesas com aquisição de insumos agrícolas (sementes, fertilizantes, defensivos), operações mecanizadas, mão de obra, impostos e taxas, combustíveis, custo de pós-produção (beneficiamento, classificação, armazenagem, transporte) e despesas financeiras (financiamentos, seguros).

Os principais itens que sustentaram a alta do custo de produção foram os fertilizantes e corretivos (+ R$ 96,90/hectare) e defensivos (+ R$ 33,42/hectare), afirmou o instituto.

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