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quinta-feira, agosto 11, 2022
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Manejo de produção de inhame

Autores

Fernando Simoni Bacilieri
Engenheiro agrônomo, mestre e doutorando em Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
ferbacilieri@zipmail.com.br
Antonio Santana Batista de Oliveira Filho
Graduando em Agronomia – Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)
a15santanafilho@gmail.com
Roberta Camargos de Oliveira
Engenheira agrônoma, doutora em Agronomia – UFU
robertacamargoss@gmail.com Bruno Novaes Menezes Martins
Engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia/Horticultura – UNESP
brunonovaes17@hotmail.com
Veridiana Zocoler de Mendonça
Engenheira agrônoma, doutora em Agronomia/Energia na Agricultura
Letícia Galhardo Jorge
Bióloga e mestranda em Botânica – IBB/UNESP

A produção agropecuária brasileira é de vasta riqueza e entre as muitas plantas hortícolas cultivadas, encontram-se as do gênero Dioscorea, conhecidas como yam, ñame e inhame. São plantas perenes ou anuais, com tubérculos aéreos ou subterrâneos, de tamanho, forma e coloração variáveis.

Na América do Sul eram chamadas “ká-rá” pela população tupi-guarani e são atualmente conhecidas como inhames. Apresentam ramas herbáceas, com ou sem espinhos, volúveis (trepadeiras), de caule anguloso ou cilíndrico. Na região sudeste do Brasil, é plantada quase que exclusivamente para fins comerciais a espécie Dioscorea alata L., enquanto a Dioscorea cayennensis Lam. é importante na região nordeste do Brasil, sendo cultivadas outras espécies comestíveis de menor importância econômica (D. trifida, D. bulbifera e D. esculenta).

Planta da família Dioscoreaceae, o inhame é útil no preparo de sopas, bolos e pães. Algumas cultivares, por sua alta produtividade, prestam-se também como forrageiras para alimentação animal.

Demanda

A demanda pelo inhame tem crescido e ocorre em sua maior parte visando o mercado interno, estando ligada principalmente a questões culturais das regiões, permitindo à cultura atingir bons preços. Porém, a oferta ainda é limitada, e em alguns estados a produção não consegue suprir se quer a demanda interna do mesmo.

A produção nacional de inhame, segundo dados divulgados pela Food and Agriculture Organization – FAO, em 2014 foi de aproximadamente, 247 mil toneladas em uma área de aproximadamente 25.000 hectares, sendo que a maior contribuição se concentra na região Nordeste, principalmente nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Piauí.

Por onde começar

Antes de iniciar o plantio de inhame, deve-se levar em consideração alguns atributos de extrema relevância para obtenção de produção satisfatória. Deste modo, a escolha da área para o plantio deve ser realizada levando em consideração o tipo de solo, de preferência com textura arenosa até os de textura argilosa-média, profundos e bem drenados e também as características climáticas, uma vez que as ideais são as que apresentam clima tropical, com temperaturas médias na faixa de 30ºC, e estação seca bem definida, de dois a cinco meses, com precipitação pluvial anual de 1.500 mm.

A análise do solo é outro passo de grande relevância, haja vista que por meio dela se dá o processo de avaliação da fertilidade do solo, bem como as recomendações de calagem e adubação.

O calcário deve ser utilizado para elevar a saturação por bases a 80% e os fertilizantes para o plantio deverão fornecer 20 kg ha-1 de N, 50 a 100 kg ha-1 de P2O5 e 40 a 100 kg ha-1 de K2O. Aos 30 dias após a brotação, aplicar 30 kg ha-1 de N em cobertura.

Preparo de solo

O preparo do solo consiste em arar o terreno para que fique bem solto até a profundidade de 20 a 30 cm e, posteriormente, gradeá-lo, de modo a desmanchar muito bem os torrões. Sulcar a 10 cm de profundidade, no espaçamento entre leiras a ser adotado, distribuir e incorporar o adubo no sulco de plantio.

Levantar os camalhões (leiras) com o auxílio do arado de aiveca, ou mesmo de disco, preferencialmente em movimento de ida e vinda, lançando a terra em sentido contrário. As leiras devem ter entre 30 e 40 cm de altura, espaçadas de 0,80 a 1,00 m com 0,30 a 0,40 m entre plantas.

Após a realização do preparo do solo deve-se obter o material propagativo, que deverá apresentar boas condições sanitárias e ser livre de pragas e doenças. O plantio é realizado manualmente, no início do período chuvoso.

São necessárias de três a cinco toneladas de inhame-semente de tamanho médio, pesando de 60 a 150 g para cada hectare. No caso de sementes muito graúdas, pode-se cortá-las transversalmente ao meio e armazená-las em lugar ventilado para cicatrização, e em sequência efetuar o plantio.

Durante o desenvolvimento da cultura, o tutoramento é uma prática muito comum e de grande importância para a planta, servindo como suporte para se desenvolver e assim evitar contato das ramas diretamente com o solo. Pode ser realizado com o auxílio de varas de bambu ou fitilhos de tamanho variável. Geralmente, utiliza-se de 1,5 a 2,5 metros de altura.

Colheita

O período mais adequado de colheita coincide com o repouso fisiológico da planta. Nessa época, as folhas senescem e caem, as ramas secam e as radicelas formadas nos tubérculos secam e se soltam com facilidade, melhorando seu aspecto visual, propiciando melhor qualidade culinária e aspecto favorável à comercialização.

Essa fase é caracterizada por baixa atividade metabólica e sua duração é função, principalmente, das condições ambientais. A operação é feita cavando-se lateralmente e cuidadosamente, descobrindo-se o material e em seguida realizando a separação do mesmo da planta-mãe.

Após, devem ser transportados em caixas adequadas, em seguida lavados, secos e armazenados, evitando formar empilhamento dos materiais. Colheitas fora do período adequado requerem operação adicional de toalete, que consiste na remoção manual das radicelas dos tubérculos, feita com auxílio de facas ou lâminas, necessária para a comercialização.

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Custo x rentabilidade

O custo de produção da cultura do inhame pode ser considerado relativamente baixo e vai depender da variedade e dos tratos culturais utilizados pelo produtor. O produtor consegue obter um lucro de mais da metade do que foi investido para o cultivo, dependendo da produtividade, que normalmente atinge 25 toneladas por hectare.

Desse modo, é notório que a relação custo-benefício é satisfatória para o produtor, sendo hoje uma cultura em expansão, em que avanços tecnológicos estão cada vez mais sendo inseridos, o que traz perspectivas positivas de crescimento para a cultura.

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