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sexta-feira, julho 1, 2022
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Manejos alternativos para controle da mosca-branca

 

Sergio Corrêa Pimenta

Engenheiro agrônomo, especialista em sistemas sustentáveis de produção pela BrasilGAP e membro do Núcleo de Estudos em Agroecologia do Instituto Federal de Avaré (SP)

sergiopimentaagronomo@gmail.com

 

Crédito Pedro Togni
Crédito Pedro Togni

Quando em grandes infestações de formas jovens, as ninfas da mosca-branca, além do consumo de seiva das plantas, provocam várias anomalias devido à característica de injeção de toxinas na planta parasitada. Estas toxinas causam sintomas como amarelecimento em diversos órgãos da planta e deformações que podem acabar em secamento. Em algumas plantas, como abóbora, por exemplo, a praga causa um sintoma conhecido por prateamento das folhas.

Como dano indireto ela favorece o desenvolvimento de fumagina, que diminui a fotossíntese das folhas, reduzindo a produção e provocando a desuniformidade de maturação. Isto ocorre porque, da mesma forma que os pulgões e a mosca-branca excretam um líquido adocicado ao se alimentarem, isso acaba facilitando o desenvolvimento de um fungo que cobre toda a folha com sua coloração preta característica.

Este líquido adocicado atrai formigas que protegem as ninfas da mosca-branca de inimigos naturais, o que também ocorre com os pulgões. Entretanto, a principal preocupação dos produtores é que a forma adulta da mosca-branca, apesar de não causar danos significativos, é vetor de transmissão de viroses, como o geminivírus.

A mosca-branca traz prejuízos a vários cultivos em todo o Brasil - Crédito Mirtes Melo
A mosca-branca traz prejuízos a vários cultivos em todo o Brasil – Crédito Mirtes Melo

Controle químico

A mosca-branca é uma praga de difícil controle depois de desenvolver sua população em uma cultura. As ninfas se alojam na parte inferior das folhas, dificultando o acesso. Então, o uso de inseticidas precisa ser feito com um bom espalhante e capricho na pulverização, para cobrir toda a folha, especialmente a parte inferior.

Pode ser necessário repetir esta operação várias vezes para ter a praga sob controle. Por este motivo, os produtores acabam preferindo usar produtos sistêmicos, que não combatem as ninfas e que podem afetar negativamente os inimigos naturais e gerar desequilíbrios, inclusive causando aumento da população de ácaros, o que é muito comum, na prática.

Enquanto a melhor prática seria o monitoramento constante, assim que aparecerem as formas jovens o produtor deveria entrar com produtos fitossanitários que matam as ninfas, porque o crescimento da população adulta é causado pela falta de controle das formas jovens.

Obstáculos

Uma dificuldade para quem cultiva hortaliças é que o programa de extensão de uso de produtos fitossanitários não foi implantado. Já faz mais de dez anos que se discute a questão, e nada ainda foi feito na prática.

As chamadas culturas menores (minorcrops) não contam com registro de uso de diversos grupos químicos que poderiam permitir uma rotação de princípio ativo mais adequado a esta praga, que tem uma grande capacidade de desenvolver resistência.

Na alface, o uso de plástico prateado repele a praga
Na alface, o uso de plástico prateado repele a praga

Alternativas

O principal foco para o controle da mosca-branca é evitar a oviposição e o controle das ninfas. Assim, os controles alternativos se concentram nestas questões procurando evitar, sempre que possível, prejudicar os predadores. Outra área de atuação importante é alterar o ambiente, de forma a incentivar a multiplicação de inimigos naturais e dificultar a reprodução da praga.

Tradicionalmente, foram usadas para controle alternativo de pragas a rotenona, presente no timbó e tefrósia, e a nicotina, que é obtida da planta de fumo. O fumo ainda é usado em pequenos plantios por ser fácil de conseguir e manipular.

Normalmente é usado 500g da planta para cinco litros de água com 50 gramas de sabão, deixado de um dia para outro antes de pulverizar. Muitos preferem fazer uma extração em álcool usando 100g de fumo de rolo em 500 ml de álcool misturado a 500 ml de água.

Depois de 15 dias esta mistura é utilizada misturada a 20 litros de água e 100 g de sabão. Normalmente, os agricultores aguardam uma semana para colher os produtos.

A rotenona foi muito utilizada antigamente, mas agora é difícil de ser encontrada devido à dificuldade de extrair o timbó legalmente nas matas. Atualmente, alguns produtores estão retomando o cultivo de uma leguminosa chamada tefrósia, que também tem este princípio ativo. Espero que no futuro possamos contar com produtos feitos a partir dela, porque a rotenona é um princípio ativo muito eficiente que não deixa resíduos.

O óleo, tanto o vegetal como o mineral, atuam por contato, mas principalmente evitam a oviposição por vários dias, motivo pelo qual os agricultores gostam de usar, apesar de ser necessário muito cuidado com aplicações em dias e horários de muito sol, porque pode causar queima das folhas.

Como repelente, que tem efeito por vários dias, os produtores usam o ácido pirolenhoso e o óleo de alho. Estes produtos são usados inclusive junto com produtos fitossanitários, pois têm efeito de desalojar os adultos.

 

 

Essa matéria você encontra na edição de agosto 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

 

 

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