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Manga fora de época: Como é possível produzir?

Autor

Givago CoutinhoDoutor em Fruticultura e professor efetivo – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado) – givago_agro@hotmail.com

Manga – Crédito: Shutterstock

Com relação aos principais Estados produtores de manga, o Nordeste brasileiro tem destaque, sobretudo Pernambuco e Bahia, este último tendo liderado a safra 2017, com 438.603 toneladas produzidas, seguida por Pernambuco, com 241.914 toneladas. Já em 2018 a ordem foi inversa, com Pernambuco liderando a produção nacional, com 496.937 toneladas, e Bahia com 378.362 toneladas (IBGE, 2020).

Segundo o IBGE (2020), o rendimento médio da produção (quilogramas por hectare) de manga nos anos de 2017 e 2018 foram 17.023 e 20.097, respectivamente. Com relação às produtividades média por Estado, Pernambuco lidera a produção nos dois anos avaliados, com 22.163          (2017) e 41.308 (2018), respectivamente.

Já os Estados com menores produtividades foram o Rio Grande do Sul (7.647 em 2017 e 6.896 em 2018) e o Maranhão (5.879 em 2017 e 3.845 em 2018), respectivamente.

Viabilidade financeira

De maneira geral, em condições de pomares bem conduzidos, tem-se relatado a produção de cerca de 500 a 700 frutos por hectare a cada ano em plantas adultas. Contudo, há que se atentar que a produção e rentabilidade dependem de vários fatores referentes à cultura, sobretudo a variedade cultivada, clima, solo, tratos culturais, espaçamento, método de colheita, pragas e doenças.

Além disso, a mangueira produz um elevado número de flores que não chegam efetivamente a formar frutos. Assim, a quantidade de frutos colhidos é pequena quando comparada com a quantidade de flores produzidas pela planta.

Em pomares comerciais, o retorno tem início somente a partir do terceiro ano após o plantio. Assim, atenção maior deve ser dada à escolha da variedade adequada, pois o investimento inicial na implantação da cultura é, de maneira geral, elevado.

Oferta x demanda

Hoje a procura pela manga tem sido crescente tanto no mercado interno quanto externo e tem alcançando bons preços. A quantidade de manga produzida no Brasil foi de 1.089.882 toneladas em 2017, enquanto que em 2018 esse valor foi superior em 17,4% (1.319.296 toneladas) (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2020). Além disso, a manga é uma das frutas mais procuradas no mundo.

Técnicas

Para fundamentar a expansão e sucesso no cultivo, novas técnicas de produção foram surgindo e promovendo a mangicultura para novos patamares de produtividade. Dentre essas técnicas podemos ressaltar a indução floral, que permite a produção de manga fora do período tradicional de produção da cultura, o que permite encontrar a manga nas prateleiras do supermercado em qualquer época do ano.

Assim, dominar as modernas formas de produção no cultivo da mangueira permite alavancar a produção e alcançar o sucesso produtivo em termos de mercado regional, nacional e, por conseguinte, internacional. Interpretar o comportamento da mangueira é fator chave para o sucesso, assim como entender como a antecipação da produção de frutos impacta no aumento da produtividade e oferta do produto em épocas em que o mesmo esteja em falta no mercado.

Produção fora de época

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Atualmente, uma técnica de manejo em mangicultura vem despertando o interesse por parte de fruticultores nas principais regiões produtoras do País: a possibilidade de produção durante o ano todo. Tal técnica é denominada indução floral, e com ela é possível, por exemplo, a oferta de frutos no mercado internacional em épocas em que há menor disponibilidade de frutos para compra, o que consequentemente causa aumento no preço de venda.

Em geral, a maior oferta de frutos concentra-se entre os meses de abril a agosto, quando os maiores exportadores de manga estão presentes no mercado.

A indução floral consiste em provocar a redução no desenvolvimento vegetativo, sem causar alterações metabólicas e, consequentemente, auxilia no processo de floração, o que no cultivo da mangueira é altamente benéfico, visto ocorrer na cultura uma relação de antagonismo entre o vigor vegetativo e intensidade de floração (Figura 1).

Figura 1. Esquema de floração da mangueira. As linhas azuis representam ações promotoras e as linhas vermelhas indicam ações inibidoras de acordo com a indução e a iniciação floral.

Fonte: Davenport (2007).

Neste sentido, para que haja o florescimento é necessária a redução do vigor vegetativo da planta, que em condições naturais é conseguida com baixas temperaturas (frio) e déficit hídrico. Com relação ao fotoperíodo, a mangueira é considerada uma planta neutra.

Preparo de solo

No cultivo da mangueira, as condições do solo do local de instalação do pomar são essenciais. Assim, fatores como a profundidade efetiva, ou seja, a área de exploração pelas raízes, drenagem, textura e estrutura, fertilidade natural e pH são de grande importância no sucesso do cultivo, devendo serem observadas no momento da escolha da área.

Além disso, as recomendações de correção e adubação do solo devem ser seguidas com base na análise de solo.

Detalhes que você precisa saber

Como mencionado, em épocas em que há o predomínio de clima frio e seco, ocorre a paralisação do crescimento da planta e posteriormente o florescimento nas regiões tropicais e subtropicais.

O período de repouso vegetativo da mangueira no Hemisfério Sul corresponde aos meses de maio a julho. Neste período ocorre o desenvolvimento da gema floral, o que corresponde de dois a três meses antes do florescimento.

A temperatura ideal para o crescimento vegetativo da mangueira está em torno de 20 a 29°C, enquanto que temperaturas inferiores a 15°C estimulam o florescimento intenso. O tempo médio estimado para a diferenciação floral da mangueira é entre 30 e 45 dias.

Contudo, de maneira artificial, é possível realizar o manejo do florescimento da mangueira por meio da técnica da indução floral. A técnica tem eficiência distinta entre variedades, sendo que algumas podem responder melhor a técnica que outras.

De maneira geral, as principais variedades seguem a seguinte ordem de resposta ao manejo da indução floral, em ordem decrescente: Rosa > Keitt = Palmer > Tommy Atkins = Van Dyke > Kent. Lembrando que ‘Tommy Atkins’ responde por cerca de 80% da área cultivada com a cultura no Brasil (Almeida et al., 2005).

Um dos produtos mais utilizados no manejo da indução floral da mangueira é o paclobutrazol (PBZ), que atua na regulação do crescimento vegetativo da mangueira, agindo pela inibição da síntese das giberelinas.

A forma de aplicação mais eficiente do PBZ é via solo, próximo da região do colo ou na projeção da copa da planta. Algumas metodologias de indução floral para mangueira já são utilizadas com sucesso nos cultivos comerciais (figura 2).

Figura 2. Esquema para o manejo da floração em diferentes épocas do ano (diferentes condições climáticas, temperatura e precipitação).

Fonte: Oliveira et al., (2010).

O sulfato de potássio está relacionado com o íon potássio, que age interferindo na relação potássio/nitrogênio, o que acaba impedindo a vegetação da planta e elevando os teores de carboidratos. Já os nitratos atuam na quebra de dormência das gemas e estimulam o florescimento da planta.

Além disso, na época de realização da indução floral é necessário que se faça controle rígido da água disponível, devendo-se evitar a realização de irrigação na fase de diferenciação do broto floral e retomada com a emergência das primeiras panículas.

Nota-se que, para a realização da indução floral é necessário um conjunto de estratégias que envolvem a condução das plantas (tipos variados de podas, o que permite a uniformização da idade dos ramos para obter gemas mais homogêneas e de maior fertilidade), em associação com o uso de reguladores de crescimento que visam a redução do vigor vegetativo, o que permite alcançar maior índice de florescimento, frutificação e produção de frutos.

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