Melancia: A terceira fruta mais produzida no País

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Melancia – Crédito: shutterstock

A melancia representa um importante segmento do agronegócio brasileiro, sendo considerada a terceira fruta mais produzida no País, gerando um valor estimado de R$ 1,3 milhão (Agrianual 2018), com produção de 2.240.796 toneladas em uma área colhida de 101.975 hectares (IBGE, 2019).

A produção mundial de melancia tem apresentado um crescimento contínuo, sendo que o Brasil é considerado o quarto maior produtor mundial, representando cerca de 2% da produção total. Ocupa o primeiro lugar se encontra a China (79.043.138 t), seguido por Turquia (3.928.892 t) e Irã (3.813.850 t), que são responsáveis por aproximadamente 73 % da produção mundial de melancia (FAO 2018).

Na safra de abril a outubro de 2019 o estado de Goiás apresentou 6.500 ha de melancia, um aumento da área cultivada de 10,34% em relação ao mesmo período do ano anterior. Enquanto que a safrinha de São Paulo (fevereiro a abril de 2019), a área cultivada (3.233 ha) reduziu 2,03%, e em Tocantins (safra de junho a setembro de 2019) a redução foi de 26,58 %, cultivando uma área de 3.233 ha.

Safra

Com relação a 2019/20, a safra principal de São Paulo, de outubro a janeiro, obteve uma redução de 1,54% da área comparada à safra de 2018/19. Porém, Rio Grande do Norte e o Ceará (agosto a março) mantiveram 2.000 ha de área de cultivada na safra 2019/20 e Rio Grande do Sul (dezembro a março) aumentou a área em 1,43%, cerca de 150 ha. Houve destaque para o crescimento em Teixeira de Freitas, na Bahia, que apresentou um crescimento de 36,77% na safra 2019/20, com 1.860 ha de cultivo de melancia.

Produtividade

A produtividade média nacional da melancia é de 21,97 t ha-1, abaixo da média mundial (28,16 t ha-1), o que evidencia a carência tecnológica, sinalizando a necessidade de maiores investimentos na pesquisa agronômica, com vistas a eliminar e/ou reduzir os gargalos do sistema produtivo que comprometem a produtividade e a qualidade do produto.

Entretanto, contramão à baixa produtividade nacional, alguns municípios se destacam por apresentar elevada produtividade, como é o caso de Abaeté (MG) (65,00 t ha-1), Cacique Doble (RS) (60, 00 t ha-1) e Iperó (SP) (59,06 t ha-1), enquanto a região centro-oeste apresenta a maior produtividade média do País (32,19 t ha-1), destacando-se Goiás com 40,54 t ha-1.

No Estado de Goiás, mais da metade das melancias produzidas são oriundas do município de Uruana (produtividade média de 50,00 t ha-1), sendo a qualidade do produto, a organização da produção e a rentabilidade não encontram páreo em grande parte do País e da América Latina, visto que a cidade tem mercados garantidos em Goiânia, Brasília, Minas Gerais, São Paulo, Pará, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, dentre outros Estados, além de países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, para onde podem escoar sua produção.

Regiões produtoras

O Nordeste lidera em termos de área colhida (40.876 ha) e de produção (796.967 t), com destaque para o Rio Grande do Norte (391.528 t), Bahia (167.337 t) e Pernambuco (97.975 t), que juntos representam 82,41% da produção da região.

Em seguida vem a região Sul, sendo que Rio Grande do Sul (283.640 t), Paraná (85.968 t) e Santa Catarina (46.012 t) representam 18,54% da produção de melancia do País. O Norte (404.843 t) tem uma produção próxima, sendo responsável por 18,06% do total nacional. enquanto que as regiões sudeste e centro-oeste representam 14,29% e 13,52%, respectivamente, da produção de melancia no Brasil.

Vale ressaltar que essas regiões apresentam Estados que não têm tradição na produção comercial da cultura, com é o caso do Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Oferta e demanda

Segundo a Hortifruti/Cepea (2020) a rentabilidade do cultivo da melancia foi positiva em 2019. Assim, a oferta do produto foi bem distribuída durante o ano, gerando melhores preços no mercado. O preço médio nacional da melancia graúda no período de janeiro a novembro de 2019 teve um aumento de 13% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

No tocante às flutuações de preços no mercado, nota-se que os menores preços acontecem nos meses de janeiro e abril, e pode-se considerar que não existe mais entressafra de melancia no Brasil. Contudo, o mercado da melancia segue as mesmas tendências de anos anteriores, evidenciado pelos índices sazonais de preços e quantidades, com um mercado praticamente estável.

O que se viu

O ano de 2019 foi de crescimento para a fruticultura brasileira – o setor alcançou a marca de 16% de aumento em volume e 8,5% em valor nas exportações de frutas. Dentre os destaques estava a melancia, com crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior.

No segmento final do consumo, em particular no Brasil, a melancia vem se expandindo, cada vez mais, como complemento das refeições das famílias e, em maior parte, no setor de refeições fora de casa (restaurantes, fast food, hospitais, caeterings e hotéis), onde é consumida in natura ou na forma de sucos.

Outro fato relevante é que, a partir dos anos 1990, a melancia brasileira, por sua excelente qualidade, passou a conquistar espaço cada vez maior no mercado internacional. Nesse contexto, o processo de comercialização envolve complexos logísticos, administrativos, produtores, órgãos governamentais, trades, aduaneiros e portuários que, em conjunto, formam potentes fontes de geração de emprego e renda.

Exportação e importação

De acordo com balanço do setor de Estatísticas do Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (Agrostat), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), no ano de 2019 foram exportados 102.857.910 quilos de melancia, resultando em um incremento de mais de 50% em comparação ao ano anterior, que foi de 67.666.888 quilos.

Esse quantitativo garantiu divisas na ordem US$ 43.892.165,00, representando 38% a mais que no ano de 2018 (US$ 31.721.959,00). Esses recordes de exportação geram uma expectativa positiva para as próximas safras.

Quanto à importação, em 2019 foram importados 497.020.784 quilos, representando apenas 3,58% a mais que os 479.853.123 quilos registrados no ano anterior. Esses valores representaram um montante de US$ 662.061.877,00 em 2019, correspondendo a 5,57% a menos que em 2018, que foi da ordem de US$ 701.107.919,00.

A União Europeia permanece como principal destino comprador, com destaque para os países baixos (Holanda) e o Reino Unido.

Custo de produção e rentabilidade

O custo de produção é bastante variável, a depender da região de cultivo, do sistema de produção, entre outros. Em média, podemos citar um custo médio de produção de R$ 13.000/ha (incluindo operações, insumos e administração) no Baixo São Francisco, com produção irrigada e produtividade média de 35 t/ha.

No geral, a rentabilidade da melancia no ano de 2019 foi positiva, superando a de 2018. Em algumas regiões do País a rentabilidade foi superior a 100% ao custo de produção. Em outras, como no Rio grande do Sul, mesmo com os problemas climáticos, que geraram perdas pontuais na produção e reduziram a qualidade do produto, o aumento da demanda e a oferta restrita de outras localidades garantiu a rentabilidade da cultura.

A oferta foi bem distribuída ao longo do ano, resultando em melhores preços. As perspectivas para 2020 são positivas. 

Tendências para 2020

Apesar do recuo quanto ao plantio em algumas regiões, como no Estado de São Paulo, devido especialmente aos problemas climáticos enfrentados nos anos anteriores, existe uma tendência para aumento de áreas em outras regiões, como Goiás e Bahia.

Espera-se um aumento crescente do uso de irrigação em regiões que tiveram problemas com a escassez hídrica, o que deverá refletir no aumento de produtividade. Além disso, as mini melancias são outra aposta para o próximo ano, visto o saldo positivo perante as exportações.

As melancias sem sementes ou novos híbridos com menos sementes também vêm ganhando espaço a cada safra. Há de considerar, também, que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia trará uma expectativa positiva para a exportação de frutas de hortaliças, mesmo que os resultados não sejam imediatos. No balanço geral, o cenário se mostra bastante positivo.

Autoria:

Deniete Soares MagalhãesDoutora em Fitotecnia e pesquisadora na Universidade Federal de Lavras (UFLA)denieteagro@yahool.com.br

Douglas Correa de SouzaDoutor em Fitotecnia e pesquisador – UFLAdouglascorrea@ymail.com