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sábado, agosto 13, 2022
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Melhoramento da soja x plantas daninhas

Amarilson de Oliveira Cândido

Engenheiro agrônomo especialista em Agroecologia e doutorando em Fitotecnia – Ecologia Microbiana de Plantas Daninhas – UFV

amarilsonoc@hotmail.com

 Crédito Shutterstock
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A cultura da soja constitui-se na mais importante oleaginosa cultivada no mundo. No Brasil a área plantada está próxima dos 30 milhões de hectares, com produtividade esperada para 2016 de mais de 100 milhões de toneladas.

A região centro-oeste continua como a principal produtora da oleaginosa no País, sendo que o Mato Grosso se destaca, e nele o município de Sorriso figurado como o maior produtor mundial dessa commodity.

Nas últimas décadas o aumento constante pelo produto soja promoveu a expansão da área cultivada, mudanças na tecnologia de produção e nos genótipos utilizados. Uma das vertentes de estudos se deu pela presença de plantas daninhas nas lavouras, impedindo que todo o potencial genético da cultura seja expresso.

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As daninhas

As plantas daninhas possuem grande habilidade competitiva nas áreas cultivadas, são eficientes na exploração de recursos do meio ambiente, como água, luz, nutrientes e espaço físico.

Nesse processo de interferência, além da competição em si surge o chamado efeito alelopático, em que várias espécies vegetais liberam substâncias químicas capazes de influenciar negativamente na germinação e/ou crescimento das plantas de soja.

Os prejuízos ocasionados pela interferência das plantas daninhas podem ser de ordem quanti e/ou qualitativa, como a redução causada no rendimento de grãos, que pode atingir níveis de até 90% se nenhuma medida de controle for adotada, redução na estatura das plantas de soja, número de ramos, número de legumes e de grãos por legume, redução no número de nós por caule e no índice de área foliar.

Como efeito negativo da presença das plantas daninhas nas lavouras de soja há, ainda, a possibilidade de serem hospedeiras de pragas, doenças e nematoides, dificultando o controle desses organismos na cultura. Pode, igualmente, encarecer as práticas culturais, dificultar ou impedir a colheita e contaminar os grãos com as sementes de plantas tóxicas, o que inviabiliza seu uso para alimentação.

As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura - Crédito Amarilson de Oliveira
As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura – Crédito Amarilson de Oliveira

As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura - Crédito Amarilson de Oliveira
As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura – Crédito Amarilson de Oliveira

As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura - Crédito Amarilson de Oliveira
As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura – Crédito Amarilson de Oliveira

As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura - Crédito Amarilson de Oliveira
As plantas daninhas podem trazer sérios prejuízos à lavoura – Crédito Amarilson de Oliveira

Novidade

Uma das inovações no controle das plantas daninhas veio a partir da criação de cultivares resistentes ao herbicida glyphosate – a soja transgênica. As primeiras plantações de soja transgênica na América Latina ocorreram na Argentina em 1997, e anos depois, mesmo ilegalmente, foram cultivadas no Rio Grande do Sul, e em seguida difundidas para outros Estados brasileiros. Em 2005 finalmente a comercialização no País foi liberada.

Com a legalização do plantio da soja transgênica houve mudanças nos sistemas de controle de plantas daninhas. Agora, em vez de o produtor utilizar uma combinação de produtos herbicidas para combater as plantas daninhas, poderia utilizar um único princípio ativo: os quase 40 produtos ou combinações de produtos utilizados na soja convencional podiam, enfim, ser substituídos por um único princípio ativo.

Os herbicidas podem ser aplicados antes e após a emergência da cultura, flexibilizando as práticas de controle químico das plantas daninhas, o que facilita o uso de sistemas de semeadura direta, proporcionando maior conservação do solo e,consequentemente, a menor contaminação das águas e do ambiente.

Uma das inovações no controle das plantas daninhas veio a partir da cultivares resistentes - Crédito Shutterstock
Uma das inovações no controle das plantas daninhas veio a partir da cultivares resistentes – Crédito Shutterstock

Fique atento

Mesmo a soja resistente a grupos químicos de herbicidas sofre reduções de produtividade quando submetida à competição com plantas daninhas. O controle destas plantas deve ser realizado dentro do período crítico de prevenção a esta interferência, normalmente realizado nos primeiros 30 dias após a emergência.

Em alguns casos o produtor de soja transgênica deixa de fazer o controle das plantas daninhas que nascem antes da semeadura da soja, aproveitando para controlar com a aplicação de pós-emergência feita na cultura. Acontece que o processo de competição entre a cultura e as plantas indesejadas já pode ter se iniciado, trazendo prejuízos à cultura, muitas vezes não sendo observados visualmente pelos agricultores.

O uso excessivo, frequente e algumas vezes inconsequente de um mesmo herbicida na mesma lavoura tem sido uma das principais consequências do aparecimento de plantas daninhas resistentes. Em médio e longo prazos, as plantas daninhas resistentes selecionadas aumentam nas lavouras e começam a causar dificuldades em seu controle.

Resistência

Inúmeros são os casos de resistência de plantas daninhas aos herbicidas, tanto em lavouras de soja convencional quanto naquelas com tecnologia de soja transgênica.

É importante ressaltar que a tecnologia da soja transgênica deve ser utilizada como parte de um programa de manejo integrado para combate das plantas daninhas. Medidas de prevenção e manejo são ferramentas fundamentais para que os herbicidas sejam usados para o controle eficaz e econômico das plantas daninhas na cultura da soja.

Essa matéria completa você encontra na edição de julho 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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