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Mercado dos fertilizantes de matriz orgânica

Além dos tradicionais NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), o Brasil importa matérias-primas específicas para a produção de fertilizantes de matriz orgânica, como a leonardita, amplamente utilizados em líquidos organominerais, biofertilizantes e condicionadores. Essa importação destaca a necessidade de explorar e valorizar as fontes locais para fortalecer a autonomia do país nesse setor.

A agricultura desempenha um papel vital na economia brasileira, e a busca por práticas sustentáveis ​​tem levado a uma demanda crescente por fertilizantes de matriz orgânica.

Kleber Nichi, analista de marketing sênior da Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal), explica os benefícios e potenciais desse setor em ascensão.

“Os fertilizantes orgânicos são produzidos por meio da compostagem de resíduos orgânicos de diversas fontes, como agrícolas, pecuárias, agroindústrias e podas de árvores. Já os fertilizantes organominerais são formulados a partir de uma combinação de fertilizantes minerais e compostos orgânicos, como estercos, turfas ou leonardita. Essa diversidade de fontes permite a criação de produtos adaptáveis ​​às necessidades específicas de cada cultura”, detalha.

Benefícios das matrizes orgânicas

As matrizes orgânicas contribuem para o aumento da porosidade e capacidade de retenção de água no solo, auxiliando o processo de difusão de oxigênio para as raízes, reduzindo assim a perda de importantes nutrientes.

Como são produtos que, em sua maioria, contêm alguma atividade biológica, tais fertilizantes introduzem microrganismos benéficos ao solo, além de aumentar a eficiência do processo nutricional.

As substâncias húmicas presentes nesta categoria de produto contribuem para a redução da fixação do fósforo no solo, aumentando as possibilidades para as plantas. As várias formulações desses insumos ajudam também no fornecimento de nutrientes essenciais para o melhor desenvolvimento das plantas, como zinco, cálcio, manganês, potássio, etc.

Potencial brasileiro

Kleber Nichi destaca que o Brasil possui um vasto potencial para a produção de fertilizantes com matriz orgânica. Com amplo acesso a matérias-primas e domínio tecnológico nas indústrias, o país pode suprir a demanda por organominerais, fertilizantes orgânicos e biofertilizantes em diversos modos de aplicação e culturas.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), os fertilizantes organominerais podem reduzir até 25% a demanda de fertilizantes minerais (NPK convencional, sólido para aplicação no solo).

Os co-produtos e resíduos com potencial agrícola podem reduzir em 25% as importações de fósforo (P) e os biofertilizantes, 10% do nitrogênio e 10% de fósforo (P). considerando como fonte fornecedora e como ganho de eficiência.

O Brasil consome aproximadamente 45 milhões de toneladas de fertilizantes anualmente, destacando a importância desse consumo para o setor agrícola nacional.

Mercado de fertilizantes de matriz orgânica

Em 2022, o mercado de fertilizantes de matriz orgânica movimentou expressivos R$ 5.361 bilhões, representando 24,2% das vendas de fertilizantes especiais e aproximadamente 5,0 a 6,0% do volume total de fertilizantes utilizados no país.

Esses números refletem o crescimento e a acessibilidade desses produtos no mercado agrícola brasileiro.

Para Kleber Nichi, a busca por práticas agrícolas sustentáveis ​​está impulsionando o crescimento dos fertilizantes de matriz orgânica no Brasil. “Com um potencial benéfico e benefícios comprovados, esses insumos desempenham um papel crucial na construção de uma agricultura mais sustentável e eficiente no país”, conclui.

Com as guerras em países que são grandes fornecedores desses materiais, atrelado à ascensão da agricultura voltada às questões ambientais e sustentáveis, os fertilizantes de matriz orgânica ganharam destaque no mercado, aumentando o faturamento em 125% nos últimos três anos.

São diversos os tipos desses fertilizantes, sendo os principais os orgânicos, organominerais e condicionadores de solo.

Fertilizantes orgânicos

Os fertilizantes orgânicos são derivados de fontes naturais, como esterco, compostos de resíduos vegetais, farinhas de ossos, entre outros.

Contêm nutrientes essenciais para as plantas em concentrações variadas, dependendo do seu material de origem. São produzidos por meio de compostagem, decomposição de materiais orgânicos ou pela extração de nutrientes de fontes naturais.

Geralmente, fazem a liberação dos nutrientes de forma lenta, gradativa e contínua, sendo usados também na melhoria da estrutura do solo.

Os organominerais

Os organominerais possuem a combinação de ingredientes de origem orgânica e mineral. São obtidos das misturas de materiais orgânicos com fertilizantes minerais ou pela adição de compostos orgânicos a fertilizantes inorgânicos.

Assim, são capazes de obter ambos os benefícios, com a liberação lenta e melhoria do solo obtida pela matriz orgânica, e fornecer de maneira mais disponível os nutrientes para as plantas.

Condicionadores de solo

Os condicionadores de solo normalmente são compostos por materiais orgânicos como cascas de arroz, palha, turfa, entre outros, e podem ser enriquecidos com minerais ou outros compostos, porém, não necessariamente possuem grandes quantidades de nutrientes.

São obtidos de maneira natural, ou passam por processos de misturas quando são enriquecidos. Diferente dos outros dois, esse possui o objetivo principal de estruturar o solo, aumentar sua capacidade de retenção de água, reduzir a compactação e promover um ambiente favorável para o crescimento das plantas.

Tecnologias envolvidas

São várias as tecnologias e processos que podem ser adotados na produção e aplicação desses fertilizantes. Dentre eles, podemos citar o processo de compostagem, que é realizada em resíduos naturais, podendo ser de origem animal ou vegetal.

Esses fertilizantes aumentam o teor de matéria orgânica do solo
Foto: Shutterstock

Utiliza-se de microrganismos que podem aparecer de maneira natural ou serem inoculados no material. Pode ser realizada em diversas escalas, desde doméstica até em grandes instalações.

A vermicompostagem é o mesmo processo, porém, utiliza também as minhocas para a decomposição dos resíduos, produzem o húmus extremamente rico e nutrientes. Alguns fertilizantes podem ser enriquecidos com bioestimulantes, como os extratos de algas, substâncias húmicas, aminoácidos, entre outros, que são bons em auxiliar as plantas em processos metabólicos, melhorando o crescimento e desenvolvimento.

Existem algumas tecnologias atualmente que auxiliam na formulação de fertilizantes para garantir a liberação dos nutrientes no meio de forma gradativa e controlada, melhorando a eficiência.

Essas tecnologias, muitas vezes combinadas, têm impulsionado o mercado de fertilizantes orgânicos de matriz orgânica, trazendo produtos de melhor qualidade.

Sustentabilidade colocada à prova

Com consumidores e produtores mais conscientes sobre saúde e questões ambientais, há uma demanda crescente por produtos cultivados de maneira sustentável e orgânica.

Empresas e pesquisadores estão trabalhando no desenvolvimento de novas formulações para melhorar a eficiência, garantir a liberação controlada de nutrientes, adaptar-se às necessidades específicas das culturas, além do custo de produção não ser muito elevado.

A reutilização de resíduos agrícolas e industriais para a produção de fertilizantes orgânicos também tem se destacado, pois serem uma fonte sustentável de nutrientes, ao reduzir o desperdício.

Agricultura regenerativa

Há uma grande tendência no que se diz respeito às práticas agrícolas regenerativas, que utiliza de fertilizantes orgânicos para promover a recuperação da fertilidade e condições de cultivos de áreas degradadas.

Apesar do crescimento do mercado, os produtores desses fertilizantes enfrentam vários desafios. Ainda é difícil conseguir uma oferta estável e suficiente de resíduos orgânicos ou materiais apropriados para a produção, sendo dependentes da localização e da sazonalidade, e assim, encontrar fontes consistentes da matéria-prima pode ser difícil.

Devido à variação desses resíduos, manter os padrões de qualidade, com uma constância na quantidade de nutrientes, pode ser bastante complicado. Os produtores de fertilizantes orgânicos enfrentam desafios para garantir que seus produtos atendam aos padrões e regulamentações necessárias para obter certificações orgânicas reconhecidas.

Os dois lados da moeda

Em comparação com os fertilizantes químicos, os orgânicos podem ser mais caros de produzir, afetando o custo-benefício. A constante necessidade de inovação e pesquisa para desenvolver formulações mais eficazes, métodos de produção mais eficientes e tecnologias avançadas são um desafio para os produtores de fertilizantes orgânicos, pois ainda há falta de conhecimento sobre os benefícios reais dos fertilizantes orgânicos.

Essenciais para o solo

Os fertilizantes orgânicos desempenham um papel fundamental na construção e recuperação da fertilidade do solo.

Quando adicionados ao solo, eles aumentam o teor de matéria orgânica, melhorando a estrutura e sua capacidade de reter água e nutrientes. Contêm uma variedade de nutrientes essenciais para as plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio e micronutrientes.

Esses nutrientes são liberados de maneira mais lenta e gradual, fornecendo um suprimento constante para as plantas ao longo do tempo, assim, reduzem a lixiviação de nutrientes no solo. Isso significa que menos nutrientes são perdidos por escoamento, contribuindo para a eficiência nutricional das plantas.

Os fertilizantes orgânicos desempenham um papel fundamental na recuperação da fertilidade do solo
Foto: Shutterstock

Promovem a atividade microbiana no solo. Os microrganismos benéficos quebram a matéria orgânica em nutrientes facilmente absorvíveis pelas plantas, auxiliando na decomposição e ciclagem de nutrientes.

A matéria orgânica presente nos fertilizantes orgânicos ajuda a melhorar a estrutura do solo. Isso resulta em solos mais arejados, com maior capacidade de retenção de água e redução da erosão.

O uso contínuo de fertilizantes orgânicos pode reduzir a compactação do solo, permitindo que as raízes das plantas se espalhem mais facilmente e a água penetre melhor no solo.

Alguns fertilizantes orgânicos podem ajudar a equilibrar o pH do solo, tornando-o mais favorável para o crescimento das plantas. Os fertilizantes orgânicos ajudam a reduzir a dependência de produtos químicos sintéticos, que podem ter impactos adversos no meio ambiente e na saúde do solo a longo prazo.

Ao melhorar a saúde do solo, os fertilizantes orgânicos promovem a sustentabilidade a longo prazo, mantendo a fertilidade do solo para futuras safras, resultando em cultivos mais saudáveis, mais abundantes e com produtos de melhor qualidade nutricional.

Atenção!

Antes de aplicar qualquer fertilizante, é importante realizar análise de solo para determinar os nutrientes que estão em falta, e assim, direcionar a aplicação dos fertilizantes de forma mais precisa.

Deve-se conhecer a fenologia da cultura que será implantada para fazer a aplicação em época adequada, levando em consideração o ciclo de crescimento das plantas e a necessidade de nutrientes em momentos específicos.

Durante a aplicação na área, é preciso garantir uma distribuição uniforme dos fertilizantes no solo, para evitar a concentração excessiva em certas áreas, o que poderia resultar em desequilíbrios de nutrientes.

Se possível, após a aplicação, incorporar os fertilizantes orgânicos no solo, e assim, acelerar o processo de decomposição, melhorar a disponibilidade de nutrientes e minimizar possíveis perdas por volatilização.

Cobrir o solo com material orgânico, como palha, folhas ou restos de cultura, pode ajudar a reter a umidade, reduzir a erosão e manter a temperatura do solo. Utilizar adubos verdes em conjunto pode ser uma estratégia eficaz, pois eles ajudam a fixar nitrogênio e melhorar a estrutura do solo, enquanto os fertilizantes orgânicos complementam com outros nutrientes.

Incrementar, quando viável para o sistema, a rotação de culturas, e adoção de práticas mais sustentáveis como o plantio direto, minimizando o revolvimento do solo, também é importante.

O futuro logo ali

Foto: Shutterstock

São bastante promissoras as perspectivas para o mercado de fertilizantes orgânicos. Com o aumento da consciência dos consumidores sobre alimentação saudável, a crescente conscientização sobre os impactos ambientais dos fertilizantes químicos, e também as regulamentações ambientais mais rígidas estão impulsionando essa mudança de comportamento dos produtores.

A constante inovação na produção de fertilizantes orgânicos, juntamente com avanços tecnológicos, resulta em formulações mais eficientes e práticas mais sustentáveis, auxiliando a produção, a aplicação e a eficácia desses fertilizantes.

Há um aumento em pesquisas nessa área, com resultados atestando as melhorias que esse tipo de produto causa nas áreas produtivas, garantindo eficácia ao produtor rural. Ademais, governos e entidades estão oferecendo incentivos, subsídios e apoio para práticas agrícolas sustentáveis, o que inclui a utilização de fertilizantes orgânicos. 

Esses fatores indicam um cenário promissor para o crescimento do mercado de fertilizantes orgânicos nos próximos anos.

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