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quarta-feira, julho 6, 2022
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Micorrizas – Um bom negócio entre plantas e fungos

Giancarlo Couto da Costa

Engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor

giancarlocouto@yahoo.com.br

Crédito Shutterstock
Crédito Shutterstock

As micorrizas (mykes = fungos, rhiza = raiz) são associações estabelecidas com as raízes, enquanto fungos associados são denominados fungos micorrízicos. As micorrizas são, por definição, associações mutualistas, ou seja, tanto a planta quanto o fungo beneficiam-se da relação.

A planta, além de servir de ambiente para o crescimento do fungo, fornece compostos de carbono originados da fotossíntese, que os fungos utilizam para seu crescimento e reprodução, processo conhecido como biotrofismo. Por outro lado, o fungo contribui para a absorção de nutrientes e água do solo, melhorando a nutrição da planta.

As micorrizas podem ser encontradas em plantas arbóreas, em espécies herbáceas e mesmo em epífitas, ocorrendo em mais de 90% das famílias botânicas. No Brasil, essa associação é encontrada nas plantas de todos os biomas.

O fungo penetra nas raízes, porém, esta penetração pode ser intercelular (quando o fungo penetra na parede celular das células do córtex) ou extracelular (quando o fungo restringe-se aos espaços entre as células e não penetra na parede celular).

Benefícios

O estabelecimento dos fungos micorrízicos arbusculares (FMAs) nas raízes e a formação da relação simbiótica têm efeitos diretos e indiretos sobre a planta hospedeira. Esses efeitos podem ser fisiológicos, nutricionais e bioprotetores, mas os efeitos nutricionais são os mais consistentes e importantes na maioria das situações de crescimento das plantas.

A formação da micorriza amplia a área de exploração do sistema radicular e, assim, a capacidade da planta de absorver água e nutrientes, em especial aqueles que apresentam baixa mobilidade no solo, como P, Zn e Cu.

Como o P é o macronutriente que a planta precisa em grandes quantidades, qualquer íon de P que chega à superfície da raiz é rapidamente absorvido pela planta, resultando numa zona de depleção ao redor da raiz, que não é rapidamente reposta por esse nutriente devido à sua baixa mobilidade e quantidade na solução do solo.

As hifas dos fungos que colonizam o córtex radicular crescem além dessa zona de depleção e conseguem absorver fósforo em regiões do solo além da raiz, aumentando, assim, o volume de solo explorado. Como resultado, plantas micorrizadas possuem uma maior absorção de P do que plantas não micorrizadas.

A contribuição da micorriza arbuscular é tão importante que se estima que elas possam fornecer até 80% da absorção de P para as plantas. Para milho e soja, Siqueira (1994) observou que a associação micorrízica com fungos eficientes pode reduzir de 34 a 56% o requerimento externo de fertilizantes fosfatados, representando uma diminuição de 30 e 60 kg de P2O5 a ser aplicado nessas culturas.

Finalmente, as micorrizas arbusculares possuem um efeito biorregulador, interferindo nas relações água-planta e aumentando a tolerância ao déficit hídrico.

Essa matéria você encontra na edição de novembro 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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