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terça-feira, julho 5, 2022
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Míldio da cebola – E agora, o que fazer?

 

Ricardo José Domingues

domingues@biologico.sp.gov.br

Jesus Töfoli

Pesquisadores do Instituto Biológico

Míldio em cebola - Crédito Luize Hess
Míldio em cebola – Crédito Luize Hess

A cebola é uma das hortaliças mais empregadas na culinária em todos os países, das mais variadas formas, sendo utilizada no preparo de sopas, temperos, à milanesa, suflês e em muitas outras receitas. Em termos de importância econômica o cultivo da cebola perde apenas para as solanáceas batata e tomate.

De acordo com dados de 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a produtividade média brasileira em 2012 foi 24,7 ton.ha-1, o que representa um aumento de cerca de 25 % em relação a de 2004. Um dos fatores que ainda impedem uma produtividade maior é a ocorrência de graves problemas fitossanitários, como por exemplo, a doença foliar conhecida como míldio.

São denominados míldios, doenças causadas por microrganismos da família Peronosporaceae (reino Stramenopila, classe Oomycetes), cuja sintomatologia característica se manifesta basicamente em órgãos aéreos das plantas como folhas, ramos e frutos novos na forma de uma eflorescência aveludada.

Em cebola, é causada pelo oomiceto Peronospora destructor (Berk.) Casp., sendo considerada uma doença cosmopolita, cuja importância econômica varia de acordo com as condições climáticas do local de cultivo.

No Brasil, os prejuízos são maiores na região Sul e em algumas áreas do Estado de São Paulo- Crédito Luize Hess
No Brasil, os prejuízos são maiores na região Sul e em algumas áreas do Estado de São Paulo- Crédito Luize Hess

Prejuízos

No Brasil, os prejuízos são maiores nos plantios realizados nos estados da região Sul e em algumas áreas do Estado de São Paulo. Os primeiros sintomas podem ser observados em qualquer estádio de desenvolvimento da cultura, tanto em folhas como em hastes florais aparentemente sadias, por meio da formação de eflorescência acinzentada constituída por esporângios e esporangióforos do patógeno.

Com a evolução da doença ocorre descoloração do tecido afetado que adquire tonalidades de verde mais claras do que as regiões sadias das folhas. Ao aumentarem de tamanho, as manchas se alongam no sentido das nervuras e, em seguida, tornam-se necróticas. Frequentemente ocorre quebra das hastes florais na região das manchas, afetando a qualidade e quantidade das sementes produzidas.

Sintomas de míldio em cebola - Crédito João Wordell
Sintomas de míldio em cebola – Crédito João Wordell

Sintomas

Fungos dos gêneros Stemphylium e Alternaria podem colonizar e esporular abundantemente sobre os tecidos afetados pelo míldio, mascarando os sintomas e dificultando a diagnose correta. Os bulbos podem ser infectados, e quando armazenados, desenvolvem uma podridão aquosa depois de algum tempo. Se plantados, originam plantas subdesenvolvidas e com numerosas manchas brancas pequenas nas folhas, sintomas causados pela invasão sistêmica das plantas.

Os míldios são parasitas obrigatórios, ou seja, necessitam do hospedeiro vivo para sobreviverem. Em geral, não causam a morte do hospedeiro, pois exercem um tipo de parasitismo considerado menos agressivo do que outros grupos de patógenos. As plantas afetadas raramente morrem, porém, folhas atacadas por P. destructor têm a sua capacidade fotossintética reduzida ou podem ser totalmente destruídas afetando o desenvolvimento da planta e do bulbo.

Condições para o míldio

As condições ambientais influenciam o ciclo vital de P. destructor de uma forma relativamente complexa. A esporulação do patógeno depende da alternância de períodos diurnos e noturnos, embora a produção de esporângios ocorra somente à noite e em condições favoráveis, ou seja, com umidade acima de 93% e temperaturas entre 4 a 24ºC.

Temperaturas diurnas acima de 25º C podem inibir a esporulação na noite subsequente. A disseminação dos esporângios é feita através de correntes de ar e respingos de água de chuva ou irrigação. A germinação dos esporângios ocorre apenas quando as folhas estão molhadas e, se a temperatura estiver entre 10 e 12ºC, germinarão entre 90 min e 7 h. O ciclo da doença da infecção à esporulação pode ser completado entre 11 e 15 dias.

Algumas horas de tempo seco e ensolarado são suficientes para frear o progresso da doença que permanecerá latente nos tecidos do hospedeiro aguardando condições favoráveis para se desenvolver. P. destructor apresenta micélio cenocítico que se desenvolve intercelularmente nos tecidos do hospedeiro, retirando nutrientes das suas células por meio de estruturas especializadas denominadas haustórios.

Produzem esporângios em esporangióforos com duas a seis ramificações e que sustentam de três a 63 esporângios piriformes a fusiformes que germinam por meio da emissão de tubos germinativos e, portanto, não liberam zoósporos.

Dentro dos tecidos do hospedeiro, P. destructor forma oósporos que são esporos de origem sexual, resultado da fecundação do oogônio pelo anterídeo. Os oósporos são capazes de sobreviver sob condições adversas, servindo como estruturas de resistência e permanecendo viáveis no solo por vários anos.

Por serem de origem sexual, representam uma importante fonte de diversidade genética para o patógeno. P. destructor pode sobreviver na forma de micélio em bulbos e sementes de cebola, servindo como fonte de inóculo para o próximo plantio.

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