26.6 C
Uberlândia
terça-feira, abril 23, 2024
- Publicidade -
InícioArtigosGrãosMilho + crotalária - Benefícios sem fim

Milho + crotalária – Benefícios sem fim

Anastácia Fontanetti

Doutora e professora do Departamento de Desenvolvimento Rural do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos- UFSCar

anastacia@cca.ufscar.br

O plantio de milho com crotalária é uma excelente opção para o sistema agrícola. Entre as vantagens do cultivo em consórcio ou em sucessão a essa leguminosa destacam-se: o aporte de nitrogênio no solo via fixação biológica de nitrogênio atmosférico, aumento da matéria orgânica do solo (contribuindo para melhorar a estrutura do solo, aumentando a porosidade e a infiltração de água e reduzindo a compactação), redução do banco de sementes e emergência das plantas daninhas, redução da amplitude térmica do solo (contribuindo para a maior atividade microbiana e reciclagem de nutrientes) e ainda, dependendo da espécie de crotalária utilizada, há redução de algumas pragas, como os nematoides.

O manejo

No consórcio de milho com as crotalárias devem-se escolher espécies de porte mais baixo como, por exemplo, a Crotalariaspectabilis, mais utilizada, ou a Crotalariabreviflora, pois essas não podem competir com o milho por água, luz e nutrientes.

O consórcio do milho com a C. spectabilis já foi estudado por pesquisadores da Embrapa e é denominado Sistema Santa Brígida. O preparo do solo é semelhante ao cultivo convencional, e no caso do Sistema de Plantio Direto a dessecação da palhada deve acontecer com duas a três semanas de antecedência do semeio do milho e da crotalária para evitar fitotoxidez.

Para cultivo do milho em espaçamento reduzido (0,5 m) as sementes de crotalária podem ser misturadas com o fertilizante e semeadas na mesma linha do milho, simultaneamente.A população final de crotalárias deve ser de quatro a cinco plantas por metro. Em plantios de milho com espaçamentos maiores (0,8 a 1,0 m), recomenda-se semear uma linha de crotalária entre as linhas do milho.Ela pode ser semeada simultaneamente ao milho ou quando ele estiver com quatro folhas, aproveitando o momento da adubação nitrogenada em cobertura.

A adubação do milho deve seguir a recomendação para a produtividade almejada e baseada na análise de solo.

No cultivo de milho em sucessão àcrotalária podem-se escolher espécies de porte alto, com maior produção de biomassa, como por exemplo: Crotalariajuncea e a Crotalariaochroleuca.

No entanto, essas são espécies de verão e sensíveis ao fotoperíodo, e por isso devem ser semeadas a partir de setembro (desde que haja precipitação), e manejadas (cortadas, dessecadas ou incorporadas ao solo) no mínimo 90 dias após a emergência (para que se alcance valores iguais ou superiores a 6 t ha-1 de massa seca). Esse fato pode atrasar o plantio e, consequentemente, a colheita dos grãos de milho, o que tem despertado o interesse dos agricultores pelo consórcio.

A densidade de sementes de C. juncea, se semeadas em linhas espaçadas a 0,5 m é de 25 ou de 30 kg ha-1, se forem semeadas a lanço. O espaçamento entre as linhas dacrotalária pode ser reduzido para 0,30 m quando se desejar o fechamento mais rápido da área.

 

Milho plantado com crotalária - Crédito Miriam Lins
Milho plantado com crotalária – Crédito Miriam Lins

Produção e colheita

No consórcio, a crotalária é mantida junto com o milho até a colheita, que pode ser mecanizada. Após a colheita, os resíduos do milho e da crotalária podem ser incorporados ao solo (no cultivo convencional) ou deixados em cobertura (no sistema de plantio direto).

Custo

Entre as críticas ao sistema destacam-se o custo das sementes de crotalária e a dificuldade para a compra. Em média, o custo das sementes de C. spectabilis varia entre R$ 8,00 e R$ 10,00 o quilo, perfazendo o custo por hectare de R$ 200,00 a R$ 250,00.

Esse valor pode parecer alto num primeiro momento, mas quando analisamos os benefícios da adubação verde ao longo dos anos, esse custo é amortizado. Há estudos que apontam redução de até 1/3 no uso de herbicidas para controle de plantas daninhas, fato que, além de caracterizar menor custo de produção, é mais sustentável.

Outras pesquisas indicam aumento de produtividade do milho em função do maior aporte de nitrogênio ao sistema. É necessário destacar que a manutenção da fertilidade nos solos tropicais, geralmente muito intemperizados, depende da adição da matéria orgânica. Além disso,os resíduos vegetais e as raízes da crotalária, ao se decomporem, agregam matéria orgânica ao solo.

Essa matéria você encontra na edição de outubro 2016 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

ARTIGOS RELACIONADOS

Fertilizantes organominerais diminuem perdas por volatilização de nitrogênio

Vanessa Junia Machado vanessajm@unipam.edu.br Carlos Henrique Eiterer de Souza carloshenrique@unipam.edu.br Engenheiros agrônomos, doutores e professores do Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM) O nitrogênio figura entre...

Convenção Vital Force atrai produtores para técnicas de produção

A VitalForce promoveu sua Convenção anual no dia 29 de julho, em Barretos (SP). Na ocasião, Evandro Binotto Fagan, professor e pesquisador da Unipam...

A forma certa de aplicar fósforo no feijoeiro

Nilton Gomes Jaime Engenheiro agrônomo, mestre e consultor-proprietário da Cerrado Consultoria Agronômica ngjconsultor@yahoo.com.br   O Brasil é o maior produtor mundial de feijão (Phaeseolusvulgaris L.), com produção média...

XVI Simpósio da Cultura do Milho

Nos próximos dias 4 e 5 de setembro, acontecerá na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) o XVI Simpósio da Cultura do Milho. As...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!