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quinta-feira, junho 13, 2024
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MIP e bioinsumos mudam o olhar para o campo

Marcelo Poletti
Engenheiro agrônomo, fundador e CEO da Promip, desenvolvedora de produtos biológicos para manejo integrado de pragas

O interesse por insumos biológicos cresce em ritmo pujante. Conforme dados da consultoria Spark, agora Kynetec Brasil, a movimentação desses produtos totalizou R$ 1,7 bilhão no ciclo 2020-21, 37% acima do ciclo anterior (R$ 1,3 bilhão). Os bionematicidas lideraram as vendas, com a participação de 43% (R$ 724 milhões).

Na segunda posição ficaram os bioinseticidas, que responderam por 25% ou R$ 417 milhões, seguidos dos biofungicidas: 9% ou R$ 159 milhões. Segundo especialistas, os principais fatores impulsionadores desse mercado são a efetividade agronômica de agentes biológicos, inclusive no manejo de populações de pragas resistentes a produtos químicos, e a inocuidade dos bioinsumos frente ao meio ambiente, à saúde das pessoas e ao planeta.

A hora é agora!

A partir de agora, o principal desafio para a continuidade do avanço dos biológicos no Brasil passa pelo chamado mindset (mentalidade, numa tradução simples). Isso pressupõe dizer que a cadeia produtiva do agronegócio tem de assumir, como bandeira, influenciar no mindset biológico do agricultor.

Por sinal, o mindset biológico será alcançado quando todas as operações gerenciais envolvendo bioinsumos forem planejadas com esmero, desde a tomada de decisão de compra até o armazenamento e a aplicação de um bioproduto.

No momento da compra, por exemplo, cumpre ao agricultor investigar referências de fabricantes e fornecedores de bioinsumos. Estes produtos devem estar registrados nos órgãos oficiais Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura.

Observar atentamente rótulos e bulas, ressalte-se, é o procedimento mais recomendado nesse sentido. Faz-se relevante ainda, ao agricultor, estar atento às concentrações de produtos oferecidos como “biológicos”, de modo que ele calcule a melhor relação custo-benefício entre marcas comerciais.

Já após a compra, biológicos devem ser mantidos em condições adequadas, conforme instruções de fabricantes. Produtos microbiológicos (vírus, bactérias e fungos), em geral, permitem armazenamento em prateleiras por mais tempo, cerca de 12 meses. Os baculovírus, como aqueles empregados no controle da lagarta-do-cartucho do milho, se situam entre os de maior prazo previsto para armazenagem.

Mas há várias exceções. Os ácaros predadores, e as microvespas Trichogramma e Telenomus, somente podem ser conservados por poucos dias. Neste caso, será determinante ao sucesso de um tratamento a campo uma perfeita sinergia entre fabricante-fornecedor e agricultor, uma vez que a entrega destes produtos tem de ocorrer dias ou horas antes da aplicação.

Já os chamados produtos macrobiológicos (ácaros, insetos e nematoides) não apresentam mínimas condições de armazenagem, pois são perecíveis. Tratemos, por fim, do momento mais esperado pelo agricultor após adquirir um produto biológico: a aplicação na lavoura.

Não se engane

Se não houver conhecimento e planejamento nesse processo, como em quase tudo na vida, há chance potencial de algo dar errado. Expliquemos: alguns biológicos agem somente sobre ovos de pragas; outros, sobre lagartas.

Há, ainda, bioinsumos que só ‘funcionam’ se houver condições adequadas de temperatura e umidade relativa do ar no momento da aplicação. Torna-se indispensável, portanto, que o agricultor interessado nos biológicos estude, pesquise, consulte, seja curioso em relação a como cada bioinsumo se encaixa na medida da necessidade da produção.

Altamente adequados ao MIP ou manejo integrado de pragas, os bioinsumos constituem uma ferramenta estratégica para mudar, para melhor, a imagem do campo perante a sociedade brasileira, mais exigente a cada dia na posição de consumidora de alimentos. E uma peça central do motor da economia agrícola.

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