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MIP pode reduzir em 50% o uso de inseticidas

A adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) pode levar a uma redução de até 50% no uso de inseticidas na agricultura.

A Embrapa, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), desenvolve, desde a safra 2013/14, um trabalho em diversas áreas agrícolas do Paraná para estimular a adoção de boas práticas agrícolas, o que inclui a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Na safra 2019/20, enquanto a média de aplicação de inseticidas em lavouras de soja no Paraná foi de 3,9, as áreas que adotaram o MIP fizeram apenas 1,9 aplicações, em média. “Isso mostra que a adoção do MIP pode reduzir em 50% a aplicação de inseticidas”, ressalta o pesquisador Adeney de Freitas Bueno.

Biológicos

Segundo a CropLife Brasil, a indústria de produtos biológicos faturou, em 2021, R$ 1,8 bilhão, representando uma ampliação acima de 35% em relação ao ano de 2020. Até 2025, estima-se uma taxa de crescimento da ordem de 35%.
Em 2022, foram contabilizados 502 produtos biológicos com registro ativo no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sendo 299 (51%) bioinseticidas, 98 (17%) biofungicidas, 82 bionematicidas (14%), 42 feromônios (7%) e 25 reguladores de crescimento (5%). A soja ocupa 46% do mercado.
Bueno afirma que o MIP é fundamental para o sucesso do controle biológico de pragas. “O MIP é um conjunto de práticas que envolvem o monitoramento de pragas por meio de amostragem para aplicação de inseticidas, apenas no momento apropriado, além da pulverização de produtos mais seletivos ou menos impactantes ao ambiente e que devem ser aplicados quando as pragas apresentem prejuízos econômicos”, explica.
Consoante o pesquisador, o MIP tem papel fundamental no controle biológico natural, que é quando o próprio equilíbrio do sistema consegue manter as populações de insetos-pragas controladas.
Por outro lado, Bueno relatou ainda informações sobre o controle biológico aplicado que se divide em macro biológicos (uso de parasitoides e predadores no ambiente) e os microbiológicos (uso da tecnologia Bt, baculovírus e fungos entomopatogênicos). “Já existem produtos eficientes no mercado e muitas pesquisas em andamento”, revela.

Tecnologia de aplicação

O pesquisador Samuel Roggia, Embrapa Soja, alerta como a pulverização de produtos fitossanitários é uma ferramenta importante para o manejo de insetos. Além disso, mostra como a evolução tecnológica vem proporcionando a adoção de diferentes ferramentas para o processo de pulverização, visando maior eficácia e rapidez, com menor custo e mitigação de riscos de contaminação ambiental e humana.
Em estudos realizados a campo, Roggia comprovou, por exemplo, o bom desempenho de drones agrícolas, como veículos de pulverização no controle de duas importantes pragas da cultura da soja no Brasil: o percevejo-marrom e a lagarta-falsa-medideira Rachiplusia nu. Os equipamentos foram testados nas safras 2020/21 e 2021/22 em comparação a outros métodos, como tratores e pulverizadores costais, para aplicação de produtos químicos e biológicos.
No caso do percevejo, a pesquisa mostrou que o uso de drones é capaz de atingir a praga em partes das plantas de soja que, normalmente, são dificilmente alcançadas pelos métodos tradicionais de pulverização, como o interior do dossel (estrutura aérea da planta).
“A combinação do espectro de gotas do pulverizador – ponta, pressão de trabalho e concentração de produtos na calda – e do efeito do movimento das hélices do drone (downwash) proporcionou maior penetração de inseticida no interior do dossel da soja, aumentando a eficiência de controle”, destaca Roggia.
Os ensaios indicaram que a pulverização com drone proporcionou melhor depósito do inseticida no estrato inferior das plantas de soja. Já nos estratos superior e médio da soja o depósito foi equivalente aos demais tratamentos avaliados.
A Embrapa Soja está desenvolvendo ainda estudos de aplicação localizada sobre armadilhas de amostragem de pragas em soja. “Também temos estudos de sensoriamento remoto para detecção de percevejos e estudos sobre automação de métodos de geração de mapas”, explica.

Manejo de resistência

Na opinião do chefe de Pesquisa e Desenvolvimento Rafael Major Pitta, da Embrapa Agrossilvipastoril, o desenvolvimento de pragas resistentes se deve principalmente às táticas de manejo adotadas localmente e regionalmente, e que o manejo da resistência demanda, da mesma forma, de ações integradas locais e regionais.
Segundo ele, o processo de resistência nada mais é do que evolução, ou seja, seleção de indivíduos mais adaptados. “Temos que conviver com a resistência, porque à medida que fazemos pulverizações, naturalmente selecionamos indivíduos resistentes. Porém, quando a resistência se torna um problema, precisamos olhar de forma customizada e regionalizada ao manejo de resistência”, explica.
O pesquisador exemplificou o caso de mosca-branca resistente a inseticida em propriedades de algodão, em Mato Grosso, que chegaram a fazer até cinco pulverizações com apenas 50 dias da lavoura no campo. “Se a pulverização não está controlando as pragas, porque continuar pulverizando. As pulverizações desnecessárias além de aumentar os custos de produção, irão selecionar indivíduos resistentes”, avalia.
Neste sentido, Pitta entende ser preciso ter estratégia adequada de manejo, o que passa pela adoção do MIP. “A melhor forma de enfrentamento do manejo de resistência é a adoção do MIP nas propriedades”, reforça. “O MIP é uma estratégia que busca o equilíbrio entre pragas e inimigos naturais, estimula a racionalização no uso de inseticidas, assim como incentiva outras ações que podem colaborar com o manejo de resistência”, conclui.

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