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terça-feira, julho 5, 2022
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Monitoramento nutricional em florestas de eucalipto

 

Arthur Henrique Cruvinel Carneiro

Técnico em Agricultura e Zootecnia e graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA)

arthurhcruvinel@hotmail.com

Lucas Guedes Silva

lucasguedes123@hotmail.com

Gustavo Henrique do Nascimento

gustavohenriqn@hotmail.com

Graduandos em Agronomia na UFLA

Créditos Shutterstock
Créditos Shutterstock

A falta ou excesso de um ou mais nutrientes na planta pode provocar anormalidades visíveis (clorose, necrose dos tecidos, redução de crescimento), denominadas sintomas visuais, sendo estes característicos para cada nutriente. Quando os sintomas se manifestam, o crescimento e a produção já foram, de certa maneira, comprometidos.

A avaliação do estado nutricional das folhas fornece informações complementares à análise de solo, que de forma alguma pode ser substituída pela análise foliar.

Entretanto, nem sempre a interpretação dos resultados das análises é fácil, ocorrendo, com grande frequência, erros de diagnósticos. O uso de métodos baseados no equilíbrio e balanço nutricional permite uma melhor interpretação dos resultados.

Sendo assim, os métodos DRIS e índices balanceados de Kenworthy têmse destacado como ferramentas de monitoramento nutricional em florestas de eucalipto. O sucesso no uso dessas ferramentas depende principalmente da obtenção de amostras representativas e coletadas de maneira correta, realização das análises em laboratório idôneo e credenciado, e de uma interpretação transparente e imparcial.

Monitoramento nutricional

A adubação mineral do eucalipto é feita, em geral, no plantio, e posteriormente em duas adubações de cobertura nos dois primeiros anos. No entanto, os critérios para definir a quantidade e a época destas aplicações não estão totalmente estabelecidos.

Dessa forma, análises químicas de tecidos (análise foliar) e a observação de deficiências ou de toxidez são vistos como os procedimentos mais adotados no monitoramento nutricional, tornando possível detectar rapidamente desequilíbrios nutricionais e realizar as adubações corretivas, assim como ajustes nos programas de adubação estabelecidos previamente.

A análise foliar consiste em examinar o solo usando a planta como solução extratora. As folhas são os órgãos que geralmente melhor refletem o estado nutricional da planta, isto é, respondem mais às variações no suprimento de nutrientes pelo solo ou pelo adubo.

Entretanto, para que a diagnose foliar possa ser utilizada com sucesso, três premissas básicas devem ser obedecidas, existindo relação direta entre as seguintes variáveis:

ÃœSuprimento de nutriente via solo e a produção; ou seja, solos mais férteis devem proporcionar maiores produtividades;

ÃœSuprimento do nutriente por meio do solo e teor foliar; sendo que à medida que se aumenta o fornecimento de nutriente via solo deve-se aumentar a concentração do mesmo no tecido foliar;

ÃœTeor foliar e produção; assim, o aumento da concentração do nutriente no tecido foliar deve proporcionar maiores produtividades.

O monitoramento é feito por meio da realização de amostragens, nas quais se realiza a coleta das primeiras folhas completamente desenvolvidas, normalmente o quinto ou sexto par de folhas do ramo, que deve estar localizado no terço superior da copa da árvore, sendo amostradas 10 árvores por hectare e coletadas um total de 40 a 80 folhas por talhão, que formarão a amostra representativa da respectiva área.

Após a coleta, estas devem ser devidamente acondicionadas em sacos de papel ou plástico, identificadas com o número da amostra, nome da espécie, localidade e data da coleta do material, para finalmente serem enviadas ao laboratório que realizará a análise.

A análise foliar é importante para detectar os níveis nutricionais da planta - Créditos Shutterstock
A análise foliar é importante para detectar os níveis nutricionais da planta – Créditos Shutterstock

Interpretação

A interpretação dos resultados é feita com base na comparação dos mesmos com padrões nutricionais já preestabelecidos, os chamados níveis críticos, que apresentam valores mínimos para os teores foliares, correlacionando-os com valores limítrofes que se apresentam associados com perdas na produtividade.

Após a comparação entre os dados, obtêm-se as doses e os nutrientes a serem adicionados ao sistema florestal por meio de adubações corretivas.

Frequência

A diagnose foliar exige grande rigor na amostragem, pois ela deve ser altamente representativa e mostrar de forma clara e precisa a real condição nutricional do povoamento florestal.

Porém, para isso seja possível, é necessário respeitar os padrões já preestabelecidos no que se refere ao tipo de folha coletada; época de coleta e número adequado de folhas.

A coleta deve ser realizada entre o verão e o outono em plantas que apresentam de 12 e 18 meses após o plantio. Entretanto, plantas que já apresentam sintomas de deficiência nutricional (amostragem corretiva) podem ter suas folhas coletadas em qualquer época do ano, recomendando-se: anotar as características do sintoma, verificando sua distribuição na área e na planta, coletar folhas recém maduras de quatro posições da parte mediana da planta; e apresentar ao laboratório no mínimo duas amostras compostas, uma de plantas sadias e outra de plantas com sintomas.

Essa matéria completa você encontra na edição de dezembro 2015/ janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

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