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domingo, julho 3, 2022
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Mudanças climáticas x horticultura

Crédito Shutterstock
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As projeções climáticas apontam para o aquecimento da temperatura média do planeta, até o fim do século XXI, entre 0,3 a 1,7ºC. Pesquisas têm apontado para prejuízos na frutificação do tomateiro em decorrência da redução da viabilidade e disponibilidade de pólen quando da ocorrência de temperaturas mais altas, sejam elas diurnas ou noturnas. Menores taxas de germinação de sementes de cenoura e cebola, quando da ocorrência de altas temperaturas, em torno de 35 a 40ºC.

 

Carlos Eduardo Pacheco Lima

Pesquisador da Embrapa Hortaliças

sac@embrapa.br

A maior parte do aumento da temperatura terrestre observada entre 1951 e 2010 foi decorrente do aumento da concentração atmosférica de gases de efeito estufa (GEEs), segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

As projeções climáticas elaboradas por esse órgão apontam para o aquecimento da temperatura média do planeta, até o fim do século XXI, entre 0,3 a 1,7ºC, no cenário mais otimista (com redução significativa das emissões atmosféricas de GEEs por fontes antrópicas) e 2,6 a 4,8ºC, no cenário mais pessimista (com manutenção dos incrementos das emissões de GEEs de fontes antrópicas).

Esse aumento na temperatura média do planeta deve influenciar alterações climáticas que podem variar a depender, por exemplo, da região do globo. Todavia, são esperadas alterações como menor ocorrência de dias e noites frias, maior ocorrência de dias e noites quentes, maior ocorrência e duração de ondas de calor, maior ocorrência, intensidade e quantidade de chuvas intensas e aumento da intensidade e duração de secas.

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O Brasil

No cenário brasileiro, projeções disponíveis e realizadas por diversos órgãos apontam para o aumento generalizado da temperatura média em todas as regiões e estações do ano.

Com relação a alterações nos regimes de precipitação, porém, a análise já é mais complexa. Os modelos atualmente disponíveis e utilizados por essas equipes têm apresentado resultados contraditórios o que, por si só, não permite inferir com precisão sobre tais alterações.

Entretanto, é possível vislumbrar algumas tendências, como a ocorrência de eventos extremos de chuva, levando à intensificação de processos erosivos e enchentes, por exemplo. Outra questão que chama a atenção é a possibilidade de aumento da ocorrência de eventos de seca em regiões atualmente consideradas polos agrícolas, tais como o Sudeste, Centro-Oeste e parte da região Norte.

Na região Nordeste, alguns trabalhos ainda apontam para a possibilidade de aridização da região atualmente semiárida. Para a região Sul diversas projeções, efetuadas por diferentes órgãos, têm apontado para o aumento dos índices pluviométricos, alguns deles apontando para a ocorrência em todas as estações do ano.

Gargalos

Os trabalhos atualmente disponíveis permitem inferir sobre possíveis prejuízos, em diferentes escalas, para diversas culturas agrícolas. De modo geral, plantas com ciclo fotossintético C3 devem sofrer maiores prejuízos que aquelas com ciclo fotossintético C4, como consequência do aumento da temperatura.

Têm sido projetados possíveis prejuízos a culturas agrícolas como café, soja, arroz, feijão, algodão, entre outras. Em menor escala, milho e cana-de-açúcar também podem ser afetados. A potencialização de ocorrência de déficit hídrico também deve ser um fator limitante à produção agrícola.

Outra vertente importante é o comportamento de fitopatógenos e de pragas num cenário futuro de mudanças climáticas. É possível que estresses bióticos comumente observados atualmente percam força no futuro e que aqueles menos importantes hoje em dia ganhem força futuramente.

Especificamente para as hortaliças, têm sido lançadas hipóteses de prejuízos a culturas originárias de regiões com clima ameno ou frio. Aliás, é possível que esse grupo de espécies vegetais seja um dos mais afetados pela mudança do clima, dado suas características intrínsecas. Por exemplo, são esperados prejuízos a hortaliças como espinafre, batata, brócolos, alface, cenoura, couve-flor, cebola, alho, tomate, entre outras.

Impactos menores, possivelmente associados à ocorrência de déficit hídrico, são esperados para aquelas espécies originárias de clima quente, como quiabo, batata-doce, jiló, melão, melancia, entre outros.

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Projeções

Projeções climáticas para o território brasileiro, sobretudo para regiões produtoras, têm apontado para prejuízos, principalmente em decorrência do aumento da temperatura, para culturas como batata, alface, repolho, couve-flor e brócolos, por exemplo.

Outros trabalhos têm apontado para prejuízos na frutificação do tomateiro em decorrência da redução da viabilidade e disponibilidade de pólen quando da ocorrência de temperaturas mais altas, sejam elas diurnas ou noturnas. Menores taxas de germinação de sementes de cenoura e cebola, quando da ocorrência de altas temperaturas, em torno de 35 a 40ºC, também têm sido relatadas na literatura científica.

Vale ressaltar ainda que as hortaliças são, de modo geral, sensíveis à ocorrência de eventos extremos. Como a ocorrência desses eventos deve aumentar num cenário futuro de mudanças climáticas, prejuízos são esperados para os cultivos, principalmente em virtude do aumento da intensidade das chuvas e da duração e intensidade dos eventos de seca.

Além destes, localmente também podem se tornar mais frequentes fenômenos como ocorrência de ondas intensas de frio e geadas. Os fenômenos citados podem levar a prejuízos da qualidade das hortaliças, aumento dos processos erosivos e, consequentemente, de qualidade dos solos, inundação e salinização de terrenos, entre outros, todos esses aspectos com consequências claras sobre os cultivos agrícolas.

 

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