Inicio Revistas Hortifrúti Mudas sadias são o início do sucesso no cultivo de morango

Mudas sadias são o início do sucesso no cultivo de morango

0
531

MichélAldrighi Gonçalves

Engenheiro agrônomo, doutor e bolsista Capes/Embrapa

Luis Eduardo Corrêa Antunes

Engenheiro agrônomo, doutor e pesquisador da Embrapa Clima Temperado

luis.antunes@embrapa.br

 

Fotos Michel Aldrighi Gonçalves
Fotos Michel Aldrighi Gonçalves

A muda é o ponto de partida no cultivo do morango, sendo que o uso de mudas de baixa qualidade compromete todas as demais etapas de produção, independente do sistema de produção adotado.

Recomenda-se que as plantas cultivadas sejam renovadas anualmente ou a cada dezoito meses, dependendo do sistema de cultivo adotado (solo ou fora dele), renovação esta motivada pelo acúmulo de doenças e pragas de um ciclo de cultivo para o outro.

Esta substituição de plantas representa aproximadamente 25% do custo de produção da cultura do morangueiro, sendo este percentual variável nas distintas regiões produtoras do País.

Qualidade

A utilização de mudas de elevada qualidade permite melhores respostas a práticas e tecnologias aplicadas no cultivo. Independente do sistema de produção adotado, a muda de qualidade proporciona o desenvolvimento inicial adequado da planta, obtenção de produções precoces e manutenção da qualidade das frutas durante o período produtivo, além de reduzir custos com controle de doenças e pragas que eventualmente possam ser introduzidas na lavoura por mudas de procedência duvidosa e de baixa qualidade. Sendo assim, é recomendado, sempre que possível, o uso de mudas certificadas.

Mudas certificadas são as únicas que oferecem garantia quanto às melhores características genéticas, fitotécnicas e fitossanitárias. O sistema de certificação pressupõe a existência de plantas básicas, plantas matrizes e mudas certificadas.

Área de produção de mudas em substratos - Fotos Michel Aldrighi Gonçalves
Área de produção de mudas em substratos – Fotos Michel Aldrighi Gonçalves

Influência na qualidade final da fruta

A utilização de mudas com comprovada origem genética e com estado fisiológico e fitossanitário adequado (certificadas) é fundamental para a obtenção de frutas de qualidade.

É importante salientar, entretanto, que a utilização de mudas de qualidade não é garantia de elevadas produtividades e qualidade da fruta, sendo necessários alguns pré-requisitos, como: escolha de cultivares adaptadas à  região de cultivo, manejo adequado do sistema adotado, assim como plantio em local de baixa potencialidade de inóculo de fungos e bactérias que sejam agressivos ao morangueiro.

Mudas pequenas, com idade fisiológica avançada e sistema radicular suberizado terão seu desempenho prejudicado durante o período produtivo, com impacto negativo na produtividade. Mudas grandes e vigorosas se estabelecem mais facilmente e exigem cuidados menos intensivos em relação à irrigação e ao manejo de doenças.

A qualidade da muda está diretamente relacionada com a concentração de carboidratos em seus órgãos de reserva (coroa e raízes), sendo o diâmetro da coroa o principal indicador de qualidade da muda, este influenciado principalmente pelo local de produção e a época de plantio das matrizes.

Muda fresca de raiz nua - Fotos Michel Aldrighi Gonçalves
Muda fresca de raiz nua – Fotos Michel Aldrighi Gonçalves

Critérios para a produção de mudas

Os seguintes passos podem garantir a produção de mudas:

ð Escolher o local adequado para a instalação do viveiro, dando preferência para regiões de elevada altitude que apresentem temperaturas amenas durante o outono;

ðUtilizar terrenos que não foram cultivados anteriormente com morangueiro e solanáceas, devido ao acúmulo de doenças no solo;

ðUtilização de plantas matrizes de qualidade comprovada, com adequada caracterização quanto à fidelidade genética e ausência de patógenos;

ð Realizar o recolhimento de ‘royalties’, sempre que forem multiplicadas cultivares protegidas (lembrando que o pagamento de ‘royalties’ é o mecanismo de retrofinanciamento da pesquisa de novas cultivares);

ðUtilizar sistemas de irrigação eficientes devido à alta probabilidade de ocorrência de déficit hídrico nos períodos de produção das mudas, aliado ao pequeno tamanho do sistema radicular das novas plantas;

ð Realizar um efetivo controle de plantas invasoras da área de produção de mudas, evitando-se a concorrência por nutrientes e posteriores dificuldades na retirada das mudas;

ð Garantir que as mudas não apresentem problemas fitossanitários motivados por imperícias durante o processo produtivo, independente do sistema de produção de mudas adotado;

ð Realizar o arranquio das mudas no viveiro (muda de raiz nua) ou a comercialização (mudas com torrão) no momento adequado, ou seja, quando as mudas atingirem a maturação, esta obtida geralmente com a exposição de 150 a 200 horas de frio (< 7 °C), exigência mínima das principais cultivares de morangueiro exploradas no País;

ðRealizar o transporte das mudas entre o viveiro e o produtor o mais rápido possível e sempre utilizar veículos adequados que minimizem a desidratação das mudas durante este transporte, principalmente quando se tratar de mudas frescas de raízes nuas.

Muda com torrão pronta para o plantio - Fotos Michel Aldrighi Gonçalves
Muda com torrão pronta para o plantio – Fotos Michel Aldrighi Gonçalves

Foto 05

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

SEM COMENTÁRIO