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quarta-feira, janeiro 19, 2022
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Nematoides e os prejuízos causados à viticultura

Igor dos Reis Oliveira – Graduando em Agronomia – Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)

Thiago Feliph Silva Fernandes – Engenheiro agrônomo e mestrando em Agronomia/Produção Vegetal –FCAV/UNESP – thiagofeliph@hotmail.com

Uva – Crédito Shutterstock

A Vitis spp. é uma planta originária de regiões de clima temperado, que apresenta grande adaptabilidade a climas tropicais e subtropicais. Em detrimento disto, esta espécie tem sido bastante cultivada no Brasil, estando difundida nas regiões sul, sudeste e nordeste (Mello, 2016).
Os nematoides têm sido encontrados com bastante frequência nos cultivos de uva em todas as regiões do mundo, o quais são associados ao baixo vigor de plantas. Em grande parte dos casos, a relação entre densidade populacional dos fitonematoides e sanidade das plantas não é muito clara, estando diretamente ligada à idade do vinhedo, tipo de cultivar, infertilidade do solo, estresse provocado por outras doenças e pragas, além de estresse hídrico.
Historicamente, vários são os fitonematoides que estão associados ao cultivo da videira em todo o mundo (Zasada et al., 2012), embora alguns ainda não apresentem patogenicidade definida na cultura.
Dito isto, entre os gêneros encontrados na cultura estão: nematoide adaga (Xiphinema cobb.), nematoide-das-galhas radiculares (Meloidogyne göldi), nematoide dos citrus (Tylenchulus semipenetrans Cobb), nematoide-das-lesões (Pratylenchus grahan), nematoide anelado (Mesocriconema andrássy), o Paratrichodorus spp Siddiqi, nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis Linford e Oliveira), e, por fim, Trichodorus spp. Cobb (Telis et al., 2007).

Gêneros

A fim de detectar a distribuição e presença de nematoides em áreas de cultivo de videira no Chile, Persson e Martensson (2009) identificaram aproximadamente 20 gêneros, no entanto, apenas quatro foram considerados como sendo importantes para a cultura: Xiphinema americanum sensu lato (Cobb), X. índex (Thorne e Allen), M. ethiopica (Whitehead), Mesocricnema xenoplax (Raski, 1952) Loof e De Grisse, 1989 e T. semipenetrans.
Um estudo realizado em vinhedos em declínio no Rio Grande do Sul detectou vários gêneros de nematoides, dentre eles o Mesocriconema. A espécie Mesocriconema xenoplax, pertencente ao gênero Mesocriconema, é um ectoparasita polífago, tem ampla preferência por plantas lenhosas, como frutíferas de clima temperado e pinheiros.
Vários são os fitonematoides que estão relacionados com a rizosfera da videira no Brasil, tais como Paratylenchus, Xiphinema, Meloidogyne, Pratylenchus, T. semipenetrans, Mesocriconema, Trichodorus e Paratrichodorus (Naves, 2005).
Estudos realizados no Estado de Oregon, Estados Unidos, a fim de determinar a relação de fitonematoides com viticultura, indicaram a presença de Xiphinema americanum em 94% dos vinhedos, Mesocriconema xenoplax em 81% dos vinhedos, Pratylenchus spp. em 80% dos vinhedos e Mesocriconema hapla em 10% dos vinhedos e (Pinkerton et al., 1999).
Em vários países foram também observados altos níveis de M. xenoplax em sistemas de viticultura com plantas doentes. O parasitismo provocado por este nematoide na cultura da videira pode dar origem ao escurecimento do sistema radicular e posterior destruição dos tecidos vegetais, o que resulta no atrofiamento das raízes.

Enxertia

A escolha de porta-enxerto para implantação do vinhedo é, sem dúvidas, extremamente importante. Isto porque o porta-enxerto deve ser fácil de se propagar, adaptado ao ambiente e resistente a pragas e patógenos (Doná et al., 2013).
Apesar dos prejuízos que esses patógenos causam em vinhedos, ainda são poucas as informações sobre a interação entre M. xenoplax em diferentes lavouras. Além disso, não se tem conhecimento de porta-enxertos resistentes, bem como não há registro de nematicidas, seja químico ou biológico, para a cultura da videira no Brasil, o que dificulta o manejo de fitonematoides nos vinhedos (Agrofit, 2018).

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