Nova técnica visa combater doença do maracujá

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Autores

Gabriella Queiroz de Almeida
Engenheira agrônoma e doutoranda em Fitotecnia – Universidade Federal de Viçosa (UFV)
gabriellaqueirozalmeida@hotmail.com
Ronaldo Machado Junior
Engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia e doutorando em Genética e Melhoramento – UFV ronaldo.juniior@ufv.br
Crédito Addolorata Colariccio

O vírus do mosaico do caupi é a doença que mais preocupa os produtores de maracujá no Brasil. A técnica mais recomendada é a erradicação sistemática das plantas com sintomas, que deve ser feita durante toda a produção, por todos os produtores, em escala regional. Para essa técnica funcionar corretamente a inspeção da plantação deve ocorrer semanalmente.

Pesquisas realizadas para comparar a eficiência da erradicação aos sistemas convencionais encontraram que: em plantios sem erradicação o vírus tomou conta de todas as plantas em 120 dias, enquanto em plantios com erradicação, após 180 dias, apenas 8% estavam infectadas e obviamente foram erradicadas.

Associado a essa técnica da erradicação, pode-se pegar um ponto muito positivo da técnica do IAPAR, que é o uso de mudas comprovadamente saudáveis. 

Nova técnica

O Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) lançou um boletim técnico que mostra uma nova técnica para o cultivo de maracujá-amarelo, desenvolvida com o objetivo de viabilizar a produção em áreas onde ocorre o vírus do mosaico do caupi (CABMV).

A recomendação é o plantio das mudas após o risco de geadas, entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro. O período de colheita ocorre entre os meses de janeiro a julho. Após a colheita, todas as plantas são eliminadas para um período de vazio sanitário, no mês de agosto.

O objetivo dessa estratégia é reduzir a incidência do vírus nos primeiros meses após a implantação do pomar. O novo modelo ainda utiliza mudas maiores, com cerca de dois metros, que são produzidas de março a agosto em ambiente protegido (telado) para evitar a presença dos pulgões – vetores que transmitem a doença – e a consequente contaminação pelo vírus.

Sintomas e prejuízos

Os sintomas de CABMV são observados inicialmente nas extremidades dos ramos em crescimento. Nas folhas, eles são caracterizados pela presença de mosaico, às vezes acompanhado de bolhas, enrugamento e deformação do limbo.

As plantas têm seu crescimento prejudicado, com encurtamento de entrenós dos ramos e drástica redução da produção de frutos. Os frutos ficam endurecidos, de menor tamanho, deformados, com aumento da espessura do albedo (parte branca interna da casca) e baixo rendimento em polpa, tornando-se impróprios para comercialização.

As plantas doentes de maracujá servem como fonte do vírus, que é transportado pela saliva do pulgão e, em poucos meses, toma conta de toda a plantação. Como o inseto não coloniza as plantas, apenas passa por elas, o uso de inseticidas não é eficiente para o controle.

O inseticida afeta o sistema nervoso do pulgão, mas demora horas para matá-lo. Quando atingido, o inseto é estimulado a se alimentar de mais plantas, espalhando o vírus mais rápido. Logo, ao invés de combater o vetor, o inseticida estimula a propagação do vírus.

Assim, pomares antigos e abandonados devem ser eliminados, assim como variedades selvagens de maracujá e outras plantas hospedeiras.