Novas técnicas de cultivo do pepino

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Autores

Hudson Carvalho Bianchini
Professor de Fertilidade do Solo da Universidade José do Rosário Vellano – Unifenas
Douglas José Marques
Professor de Olericultura – Unifenas
douglasjmarques81@yahoo.com.br

O pepino (Cucumis sativus L.) é uma planta da família Cucurbitaceae, assim como a abóbora, o melão, a melancia, o maxixe e o chuchu, entre outras. Os principais países produtores de pepino no mundo são a China, seguido pela Turquia, Irã, e Estados Unidos. Todavia, quando são consideradas as maiores produtividades os três países principais são a Holanda, Reino Unido e Bélgica, devido ao alto nível tecnológico empregado na cultura.

No Brasil, entre os Estados produtores se destacam São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás. Por ser uma cultura desenvolvida principalmente por pequenos produtores, os dados sobre a produção nacional não são muito precisos.

A produção nacional de pepino é suficiente para atender a demanda interna, sendo que parte da produção exportada é constituída basicamente de pepino para conserva. O pepino para conserva não pode ser grande e deve ser colhido precocemente (comprimento em torno de 05 a 07 cm), porém, aqueles que fogem do padrão de exportação podem ser vendidos para o consumo in natura.

Condições para o plantio

O pepino é uma cultura de clima ameno ou quente, mas se for plantado em ambiente protegido é possível produzi-lo o ano todo. Nesse caso, nas épocas mais quentes do ano é necessário manter as partes laterais abertas a fim de evitar temperaturas muito elevadas.

Existem, no mercado brasileiro, quatro tipos de pepino: “caipira” (mais rústico), “conserva”, “aodai ou comum” (maior volume de comercialização) e “japonês ou aonaga” (sabor mais suave e valor de comercialização maior).

A cultura pode ser conduzida na forma rasteira ou tutorada, em ambiente aberto ou em cultivo protegido. O plantio pode ser feito diretamente no campo em covas ou sulcos ou, então, utilizando o transplante de mudas.

As cultivares híbridas são as mais plantadas, principalmente no cultivo protegido, sendo que cultivares de polinização aberta são utilizadas em campo aberto, pois necessitam de agentes polinizadores, que são responsáveis pela fecundação da flor feminina e formação dos frutos, já que o grão de pólen das flores do pepino não é transportado pelo vento. A polinização deficiente pode gerar a podridão da ponta dos frutos ou a sua deformação.

Solo

O plantio deve ser feito preferencialmente em solos leves, areno-argilosos, mantendo o pH entre 5,5 e 6,5. O espaçamento para a cultura rasteira, com frutos destinados ao consumo in natura pode ser 1,5 x 1,0 m, permanecendo duas plantas por cova.

Em plantio de pepino industrial o espaçamento indicado é de 1 m entrelinhas e 0,3 a 0,4 m entre covas, sendo recomendado manter três plantas por cova. Em cultivo tutorado o espaçamento recomendado é de 1,0 m entrelinhas e 0,4 a 0,6 m entre plantas, utilizando apenas uma planta por cova. A profundidade de plantio das sementes é de 1,5 a 2,0 cm.

O uso de adubação orgânica melhora as condições físicas do solo, diminuindo os problemas de compactação, aumentando a retenção de água no perfil, diminuindo a incidência de nematoides, fornecendo parcialmente nutrientes às plantas de maneira gradual e contínua, entre outras vantagens.

Recomenda-se a aplicação de 30 t/ha de esterco bovino ou 8 t/ha de esterco de aves de 20 a 30 dias antes da semeadura ou transplantio das mudas.

Adubação

Os adubos minerais devem ser incorporados ao solo a uma profundidade de 20 a 25 cm, o que proporciona maior crescimento e distribuição do sistema radicular das plantas. Para a cultura tutorada a adubação recomendada é de 50 kg ha-1 de N, 250 – 400 kg ha-1 de P2O5 e 100 – 180 kg ha-1 de K2O.

As cultivares conduzidas de forma rasteira exigem menos nutrientes, sugerindo-se aplicar no plantio metade das doses sugeridas para as culturas tutoradas. A adubação em cobertura deve ser parcelada em três ou mais aplicações, utilizando 100 – 150 kg ha-1 de N e 50 – 80 kg ha-1 de K2O.

Na primeira adubação em cobertura aplica-se o adubo nitrogenado no início do crescimento da planta, após o desbaste ou transplante da muda, sem aplicação de K. A segunda adubação de cobertura ocorre no início da floração, incluindo a aplicação com N e K e as demais durante o período de colheita, também incluindo o N e o K.

Aplicações complementares de N em cobertura, realizadas quinzenalmente, aumentam o número de flores femininas, favorecendo também o pegamento e o desenvolvimento dos frutos.

Em solos pobres em micronutrientes pode ser aplicado 1,0 kg ha-1 de boro e 2,0 kg ha-1 de zinco, utilizando os fertilizantes bórax e sulfato de zinco. Alternativamente, esses micronutrientes podem ser aplicados via foliar.


Importante saber

O período de maior demanda de nutrientes pela cultura coincide com o início da formação dos frutos e se mantém elevada durante todo o período de produção. O crescimento das plantas de pepino é bastante acelerado durante quase todo o ciclo da cultura.

Ocorre redução no ritmo de crescimento apenas nos estágios finais de desenvolvimento. A ocorrência da senescência se dá enquanto a cultura ainda se encontra em fase de produção e o final do ciclo é definido pela redução, e não pela paralisação da produção.

Na condução da cultura deve-se evitar que as cultivares que apresentam frutos de coloração verde-escura (tipo aodai) cresçam em contato com o solo, pois os frutos irão apresentar uma anomalia conhecida por “barriga branca”, que ocorre devido à falta de luz. Isso reduz o valor comercial dos frutos, sendo o motivo pelo qual o pepino do segmento aodai é cultivado exclusivamente sob a forma tutorada.


Doenças

As doenças mais comuns na cultura são oídio, antracnose, cancro das hastes (podridão de micosferela), míldio, mancha-angular e viroses. As principais pragas são os pulgões, que infestam o pepineiro assim que este inicia seu ciclo vegetativo, sendo que brotos e folhas novas ficam distorcidos, prejudicando o desenvolvimento da cultura.

As brocas também são pragas alarmantes. Possuem um ciclo de vida em torno de 25 a 30 dias até a fase adulta, atacando, preferencialmente, os frutos, cuja polpa apodrece. A mosca-das-frutas, cujas larvas perfuram os frutos, destroem a polpa e também causam o seu apodrecimento. Ainda, o pepineiro pode ser atacado por ácaros.

Colheita

O início da colheita do pepino ocorre entre 40 e 60 dias após a semeadura, podendo se estender por 60 a 80 dias, dependendo das condições nutricionais e sanitárias das plantas. Colheitas em dias alternados estimulam a frutificação e elevam a produtividade.

O pepino tipo caipira é colhido quando os frutos atingem entre 12 e 14 cm de comprimento e os tipos aodai e japonês quando atingem entre 21 e 23 cm.

A durabilidade do pepino depois de colhido é de no máximo sete dias, em condições de prateleira. Contudo, sob refrigeração de 10ºC essa durabilidade pode ser estendida por até 14 dias. Temperaturas abaixo de 7ºC causam injúrias ao fruto, por isso, quando colocados na geladeira, os frutos devem ser embalados em sacos plásticos perfurados e dispostos na porção inferior do refrigerador.


BOX

Novas tecnologias

As vantagens do cultivo hidropônico são muitas, destacando-se:

Ì Aumento da produtividade;

Ì Possibilidade de controle do ambiente, permitindo a produção de diversas culturas em diferentes regiões e épocas do ano;

Ì Redução do ciclo da planta;

Ì Redução no consumo de água, já que o sistema fechado reduz a evapotranspiração;

Ì Proteção contra chuva, granizo e geadas;

Ì Controle do vento e da incidência da radiação solar;

Ì Melhoria nas condições de trabalho dos funcionários;

Ì Possibilidade de produzir e comercializar frutos com padrão de qualidade diferenciado.

Entre as oportunidades que o cultivo hidropônico pode oferecer, destaca-se:

– Possibilidade de um bom retorno econômico em áreas com pequena escala de produção;

– Atender a demanda de consumidores dispostos a pagar mais por produtos de qualidade, especialmente por hortaliças diferenciadas;

– Disponibilidade do produto para ser comercializado na época de entressafra;

– Trata-se de uma opção viável para regiões com alto custo da terra.


Produção de pepino em calhas no cultivo protegido 

A crescente demanda por hortaliças de alta qualidade e ofertadas durante o ano todo tem contribuído para o investimento em novos sistemas de cultivo que permitam produção adaptada a diferentes regiões e condições adversas do ambiente.

No Brasil, o cultivo de hortaliças em ambiente protegido vem ganhando espaço entre os produtores devido, principalmente, à relativa facilidade de manejo da cultura, quando comparado ao sistema convencional de plantio em campo aberto. O plástico na olericultura tem sido bastante empregado no Brasil desde a década de 70, inicialmente na cultura do morango e posteriormente ampliado também como cobertura em casas de vegetação.

A técnica de cultivo de hortaliças em substratos nas calhas apresenta um grande avanço frente aos sistemas de cultivo no solo, pois oferece vantagens como:

† Manejo mais adequado da água;

† Fornecimento de nutrientes em doses e épocas apropriadas;

† Redução do risco de salinização do ambiente radicular;

† Redução da ocorrência de problemas fitossanitários, que se traduzem em benefícios diretos no rendimento e qualidade dos produtos colhidos.

Produção de pepino em slabs

A técnica de cultivo de hortaliças em substratos embalados em plástico (slabs) apresenta um grande avanço frente aos sistemas de cultivo no solo. O custo de implantação deste tipo de empreendimento, em cultivo protegido, depende da localização, dos materiais empregados e do nível tecnológico a ser utilizado.

De maneira geral, o custo de implantação de uma casa de vegetação, incluindo o sistema de fertirrigação e as sementes, é de aproximadamente R$ 35,00/m2. O custo das embalagens do substrato (slabs) varia de acordo com a região, mas em média está em torno de R$ 7,00 por slabs.

Como o produtor precisa encher os slabs com substrato, o preço final fica em torno de R$ 20,00, variando conforme a disponibilidade do substrato. Existem, no mercado, algumas empresas que comercializam os slabs prontos com o substrato, com custo de aproximadamente de R$ 30,00 a unidade.

Uma das grandes vantagens do uso de slabs é o replantio da cultura por vários ciclos.

Plantio de pepinos do grupo Holandês (Beith-Alpha) 

Os pepinos do grupo Holandês são cultivares alongadas, de formato típico (a região do pedúnculo é mais afilada), de coloração verde média, partenocárpicos, sem sementes, produzidos unicamente em casa de vegetação.

A polpa é crocante e carnuda, adocicada, sem amargor e totalmente digestiva, por não conter cucurbitacina. São produzidos em larga escala na Holanda e em outros países europeus, gozando da preferência por boa parte dos consumidores.

Cuidados ao adotar novas tecnologias

Antes de migrar para um novo sistema de produção, o produtor e também seus funcionários precisam estar capacitados para fazer o manejo correto da cultura, que será diferente do normalmente realizado em campo aberto.

O ataque de doenças em cultivo protegido tende a ser mais severo que em campo aberto. Na maioria das vezes, a maior vulnerabilidade da planta está associada à prática comum de adensamento do plantio, que é realizado no cultivo protegido. Isso cria condições favoráveis para a incidência de muitas doenças. Por isso, é de suma importância o conhecimento das informações técnicas sobre o manejo e condução da cultura, pois o uso de técnicas adequadas determinará a produtividade que será obtida ao longo dos anos.