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quarta-feira, agosto 10, 2022
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Novas tecnologias no manejo de enxofre e micronutrientes em cana

Pedro Miguel Bernardes Silva

Edmur Corral Gonzaga de Camargo

Graduandos em Engenharia Agronômica – ESALQ e estagiários do Grupo de Apoio a Pesquisa e Extensão (GAPE)

gape@usp.br

 

Fotos Shutterstock
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O enxofre atua em conjunto com o nitrogênio no metabolismo das plantas, sendo sua principal função como constituinte de dois aminoácidos – cisteína e metionina, e de enzimas relacionadas com a fixação do nitrogênio. A maior metabolização do nitrogênio é obtida com a nutrição adequada de enxofre.

Essencialidade

O uso de micronutrientes tem se tornado cada vez mais necessário à produção da cana-de-açúcar, uma vez que a cultura tem se expandindo para áreas de solos com baixa fertilidade e se tornado mais produtiva, resultando em maior demanda por esses nutrientes.

Segundo Orlando Filho et al. (2001), frequentemente as plantas de cana-de-açúcar não apresentam sintomas visíveis quando deficientes em micronutrientes, fenômeno conhecido como “fome oculta“.

Os micronutrientes são responsáveis por conferir às plantas, entre outros fatores, maior resistência a pragas e doenças, aumentando a qualidade, a longevidade e a produtividade dos canaviais.

Algumas das funções descritas por pesquisadores indicam que os micronutrientes estão envolvidos em processos enzimáticos da planta, como os casos do zinco (Zn), cobre (Cu), manganês (Mn) e molibdênio (Mo). Além de processos enzimáticos, resultados indicam que o boro (B) está envolvido no transporte de carboidratos para o colmo, podendo elevar o ATR dos canaviais.

Mais produtividade

No caso do enxofre, em solos com baixos teores do nutriente a aplicação pode gerar incrementos de até 30% no rendimento do canavial. Em relação aos micronutrientes, experimentos demonstraram que estes podem alavancar a produtividade dos canaviais em até 10 t ha-1, variando de acordo com o potencial produtivo de cada variedade, teores de nutrientes no solo, entre outros fatores.

 FotosShutterstock
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Manejo

O manejo adequado deve ser realizado de forma que na implantação do canavial se aplique a dose correta e suficiente de micronutrientes e enxofre para todos os cortes da cultura, com exceção do boro, que deve ser complementado em cana-soca devido às elevadas perdas deste nutriente no solo.

Os micronutrientes podem ser aplicados junto ao fertilizante NPK no sulco de plantio, enquanto o gesso deve ser aplicado em área total, antes da sulcação.

Dose certa

A dosagem de micronutrientes é definida de acordo com os teores no solo. No caso do Zn, caso os teores estiverem menores do que 1,2 mg dm-3 devem-se aplicar de 3,0 a 5,0 kg ha-1.

Já para o cobre, aplicam-se de 2,0 a 3,0 kg ha-1, caso o solo apresente teores menores do que 0,8 mg dm-3, enquanto para o B, quando o solo expressar teores menores do que 0,6 mg dm-3 sugere-se a aplicação de 1,0 a 2,0 kg ha-1.

Por fim, se o solo apresentar teores de Mn menores que 5 mg dm-3, recomenda-se a aplicação de 3,0 a 5,0 kg ha-1. É importante frisar que, para todos os casos, as menores doses são para solos arenosos e as maiores para solos argilosos. Já para o enxofre (S), quando o solo apresentar teores menores que 15 mg dm-3, recomenda-se aplicação da dose mínima de 500 kg ha-1 de gesso.

O manejo adequado deve ser realizado de forma que na implantação do canavial aplique-se a dose correta e suficiente de micronutrientes e enxofre para todos os cortes da cultura, com exceção do boro, que deve ser complementado em cana-soca devido às elevadas perdas deste nutriente no solo.

Os micronutrientes podem ser aplicados junto ao fertilizante NPK no sulco de plantio, enquanto o gesso deve ser aplicado em área total antes da sulcação.

Custo x benefício

O custo da aplicação dos micronutrientes varia de acordo com a tecnologia utilizada, sendo que o custo operacional muda pouco, pois se recomenda a aplicação junto ao fertilizante de plantio. Já para o caso do enxofre, o custo se refere ao preço do gesso ou fonte alternativa utilizada.

Para a aplicação do gesso, deve-se levar em conta o custo operacional devido à aplicação do mesmo separadamente. O uso adequado destes nutrientes possibilitará maior longevidade, qualidade e produtividade dos canaviais, diluindo, assim, o custo da implantação dos mesmos e gerando maior rentabilidade ao produtor.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro 2015  da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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