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Nutrição e controle de doenças: qual a relação?

Foto: Biogrow

Marcus Altoé
Gerente comercial e técnico da BioGrow Brasil
marcus.altoe@biogrow.com.br

Existe, sem dúvida, uma relação estreita entre qualidade nutricional e fitossanitária das culturas. A defesa natural das plantas tem relação direta com a disponibilidade e equilíbrio dos nutrientes.

Entre eles, os micronutrientes desempenham importante papel na constituição de barreiras de defesa das plantas, por estarem envolvidos em rotas metabólicas associadas à formação desses mecanismos.

Plantas com baixos teores de manganês, por exemplo, apresentam maior suscetibilidade à penetração de patógenos devido à menor produção de lignina na folha, enquanto o ferro, o zinco e o cobre, além de possuírem ação antifúngica, podem estar relacionados tanto à indução de resistência quanto à formação dessas barreiras.

Outro exemplo, é sabido que a nutrição de plantas com silício de forma correta e adequada poderá auxiliar na garantia de uma agricultura mais equilibrada, com menor intensidade de enfermidades e maior otimização no uso de insumos agrícolas.

O cobre

Um dos micronutrientes essenciais e com funções importantes nas plantas é o cobre (Cu). Este, nas plantas, atua como um ativador de enzimas e está diretamente relacionado a processos fisiológicos, como fotossíntese, respiração, distribuição de carboidratos, fixação do nitrogênio, metabolismo de proteínas, metabolismo de parede celular, regulação hormonal, precursor de molécula de clorofila e envolvimento no mecanismo de resistência a doenças.

O cobre, absorvido na forma bioativa como Cu++, está presente em várias proteínas que participam dos processos fotossintéticos, respiratórios, de lignificação e de desintoxicação (em caso de estresse oxidativo).

Sua deficiência está relacionada a baixos teores de amido e carboidratos solúveis, prejudicando severamente a produção de matéria seca e outros processos fisiológicos. A falta de cobre prejudica, também, a formação de grãos, sementes e frutos, pois ovários e anteras são altamente demandantes deste elemento.

Outro importante papel da função nutricional desse elemento é a maior eficiência dos processos do metabolismo secundário, favorecendo a produção de lignina, melaninas e fitoalexinas.

Defesa

A lignificação é, em termos de defesa, a criação de uma barreira mecânica efetiva contra a entrada de patógenos, especialmente percebida em culturas como o tomate, por exemplo, onde folhas mais jovens e tenras se mostram muito mais susceptíveis ao ataque de doenças.

Da mesma forma, as fitoalexinas funcionam como barreiras químicas, pois se tratam de substâncias ativas de efeito fungistático, ou seja, inibidoras de germinação e crescimento fúngico.

Assim, níveis ótimos de cobre aumentam drasticamente os mecanismos de defesa das plantas, deixando-as menos suscetíveis ao ataque de patógenos. Ao contrário disto, a deficiência desse nutriente reduz a síntese de compostos de defesa, acumulação de carboidratos solúveis e redução na lignificação, reduzindo a capacidade de defesa das plantas a doenças. 

Finalmente, o cobre apresenta um efeito tônico, especialmente importante. Esse nutriente suprime o etileno, hormônio naturalmente produzido nos processos de necrose foliar ou como resultado da morte dos fungos epífitos da superfície das plantas. Isso evita queda das folhas, promovendo maior retenção foliar.

Alguns fatores influenciam a absorção do cobre pelas folhas, entre eles, as fontes e sua solubilidade, as doses aplicadas e o tamanho da partícula. As fontes de cobre nutricional de liberação gradual proporcionam maior efeito, pois mantêm suprimento constante do nutriente no tecido foliar, beneficiando a sua absorção.

Diferentes fontes e formulações

Foto: Biogrow

Existe uma enormidade de produtos contendo cobre no mercado, nas mais diversas fontes do elemento e formulações, desde produtos à base de sais simples, como os sulfatos, por exemplo, passando por quelatos, fosfitos, nitratos e, finalmente, as soluções mais modernas, onde o cobre está complexado com moléculas orgânicas específicas.

No momento de tomada de decisão de qual produto utilizar, é importante levar em consideração aspectos como objetivo, cultura, calda onde este produto estará inserido, dentre outros.

É sabido, por exemplo, que fontes tradicionais de cobre geram bastante dificuldade em caldas complexas e de baixo volume por hectare, como decantação, entupimento de bicos de pulverização, bem como incompatibilidade com outros produtos.

Neste sentido, novas formulações, onde o cobre bioativo é complexado com uma molécula orgânica, têm se sobressaído. Tais formulações permitem uma segurança muito grande quanto à mistura de calda, evitando os problemas citados anteriormente, bem como possibilitam uma rápida absorção pela cutícula das folhas, reduzindo drasticamente perdas em caso de chuva pós-aplicação.

Outro aspecto importante deste tipo de produto é que o cobre bioativo, uma vez posicionado abaixo da camada de cutícula, vai sendo liberado lentamente e constantemente para o interior da planta, exercendo assim seu papel.

Por último, várias culturas de HF apresentam sensibilidade a algumas formulações de cobre, gerando, a depender do manejo, problemas de fitotoxicidade, e assim dificultando o uso deste importante elemento.

Logo, o emprego de formulações modernas é a chave para superar este problema em tais culturas.

Cobre nutricional e fungicida, qual a diferença?

A diferença entre um produto nutricional e um fungicida à base de cobre está basicamente na quantidade de cobre em equivalente metálico presente no produto. Nesse caso, os fungicidas conseguem entregar uma quantidade muito maior em equivalente cobre metálico comparado a outros produtos, como fertilizantes, fosfitos, indutores, etc.

Contudo, o que mata efetivamente os fungos e bactérias são os íons Cu++, os quais se acumulam nas células do patógeno após a dissociação do sal e não o cobre metálico em si. Normalmente, nas bulas dos fungicidas à base de cobre encontramos a concentração do sal presente no produto e a concentração em equivalente metálico. Contudo, não se observa, de maneira geral, a informação da quantidade de cobre bioativo.

Atualmente, vários estudos têm comparado a eficiência de controle das formulações tradicionais de fungicidas à base de cobre com novos produtos que apresentam formulações voltadas para a nutrição.

Tais estudos têm mostrado a eficiência de controle destas novas formulações de maneira igual ou, em alguns casos, superior. Embora estes estudos não indiquem se o controle se dá pela ação direta do cobre bioativo sobre o agente causal (fungo ou bactéria), ou se tão somente pela contribuição no processo de nutrição e promoção da defesa da própria planta, o fato é que os resultados têm se mostrado muito satisfatórios.

Mais a final, o que é cobre bioativo?

A bioatividade é a ação de um elemento químico sobre uma forma de vida, ou seja, a bioatividade do cobre é a capacidade de impedir que diversos agentes fitopatogênicos (fungos e bactérias) causem danos às plantas.

O cobre metálico não é biologicamente ativo, o que é biologicamente ativo são os íons de Cu++ disponíveis nos fungicidas cúpricos. Portanto, o desempenho de um fungicida cúprico é determinado pelo nível de cobre bioativo disponível para as plantas e não pelo nível de cobre metálico.

O cobre bioativo, então, penetra nos esporos e micélios fúngicos ou nas células, inativando-as, promovendo desordem metabólica generalizada e rompimento da integridade celular.

Da mesma forma, é o cobre bioativo que atua em todos os processos de ativação de enzimas, processos fisiológicos e metabolismo de proteínas, que estão envolvidos no mecanismo de resistência das plantas.

Logo, produtos de última geração que levam ao mercado o cobre na condição de bioativo, complexado com moléculas orgânicas específicas, além de todos os benefícios relativos ao manejo da pulverização (possibilitam uma excelente homogeneidade de calda, reduzindo os problemas de decantação, entupimento de bicos de pulverização, bem como incompatibilidade com outros produtos), são uma ferramenta poderosa para contribuir de forma diferenciada na promoção da nutrição e controle (direto ou indireto) de patógenos, permitindo, finalmente, que tenhamos plantas mais sadias e produtivas.

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