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quarta-feira, julho 6, 2022
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Nutrição ideal para o morangueiro requer cuidados

 

André Guarçoni M.

D.Sc. Solos e Nutrição de Plantas e pesquisador do Incaper

guarconi@incaper.es.gov.br

Fotos Shutterstock
Fotos Shutterstock

A cultura do morangueiro tem grande importância econômica e social para determinadas regiões do País, sendo a produtividade e a qualidade do fruto na pós-colheita influenciadas por diversos fatores de produção. Nesse sentido, a correção do solo e a adubação são práticas fundamentais para que se alcance o sucesso no plantio dessa rosácea.

Um programa de adubação deve visar à obtenção de altas produtividades de morangos de boa qualidade, mas com um custo de produção viável e com baixo risco de contaminação do ambiente.

Atualmente, o modo de aplicação de fertilizantes mais utilizado para o morangueiro é a fertirrigação por gotejamento, sobretudo quando se utiliza cobertura do solo com mulching plástico, prática altamente recomendável. Fertirrigação, nesse contexto, nada mais é do que aplicar fertilizante solúvel juntamente com a água de irrigação, via gotejo.

Apesar dos benefícios que esse tipo de fertirrigação pode trazer, especialmente em relação ao aproveitamento de água e fertilizantes e à redução na necessidade de mão de obra, pode ocorrer, por outro lado, contaminação de lençol freático e/ou salinização dos solos. Daí a necessidade de utilizar esta prática de forma criteriosa.

Dentro da técnica de fertirrigação por gotejamento, diversos manejos e produtos são utilizados de acordo com a concepção do responsável pelo programa de adubação. É muito provável que todos sejam capazes de aumentar a produtividade, mas mantê-la elevada por longo período de tempo, com produção de frutos de boa qualidade, e sem contaminação do meio, é o que mais interessa.

Muitos entendidos em fertirrigação preferem trabalhar com concentrações variáveis de diversos nutrientes na solução a ser aplicada via gotejamento. Não é errado e pode realmente apresentar bons resultados. Acontece que há, nesse caso, necessidade de extremo monitoramento, via análise de solução do solo e foliar. Se ocorrer qualquer deslize, as consequências podem ser desastrosas.

O programa de adubação mais eficiente e econômico, a meu ver, é resultado de um bom trabalho de base, fazendo correção do solo com calcário dolomítico e matéria orgânica, com posterior aplicação de adubo fosfatado e adubo fonte de micronutrientes, quando forem levantados os canteiros. Via fertirrigação, apenas nitrogênio (N) e potássio (K), com dose fixa por ciclo produtivo (kg/ha/ciclo de N ou de K).

-O programa de adubação deve visar à obtenção de altas produtividades - Fotos Shutterstock
-O programa de adubação deve visar à obtenção de altas produtividades – Fotos Shutterstock

Exigências nutricionais

O estado nutricional das plantas tem influência sobre o crescimento, a produtividade, a qualidade de frutos e a tolerância ao ataque de pragas e doenças. O equilíbrio entre nutrientes para o morangueiro é fundamental, uma vez que difere bastante do equilíbrio necessário para outras culturas.

Enquanto para a maioria das culturas o nitrogênio (N) é o nutriente mais absorvido, para o morangueiro isso se inverte, seguindo a ordem decrescente de absorção de macronutrientes: K > N > Ca > P > Mg > S.

O potássio (K) é o nutriente mais importante para o morangueiro, não só pela maior quantidade absorvida, mas notadamente por sua relação com o N e com o magnésio (Mg).

Tanto o K quanto o N influenciam positivamente o desenvolvimento vegetativo e a produtividade do morangueiro, sendo a resposta mais acentuada para este último nutriente. Todavia, em relação à qualidade de frutos, apenas o K apresenta efeito positivo, ao passo que o N apresenta efeito negativo, notadamente sobre o teor de sólidos solúveis totais na polpa.

Portanto, K e N devem estar adequadamente balanceados quando se faz a fertirrigação do morangueiro. Caso a concentração de N na planta seja maior do que a de K, em determinados momentos específicos do desenvolvimento haverá aumento no vigor e crescimento das plantas, menor efetividade do processo de indução floral e redução da qualidade organoléptica dos frutos.

O morangueiro, além de exigente nutricionalmente, tem baixa tolerância à acidez - Fotos Shutterstock
O morangueiro, além de exigente nutricionalmente, tem baixa tolerância à acidez – Fotos Shutterstock

Qualidade

Quando Malavolta dizia que o K é o “elemento da qualidade“ em nutrição de plantas, poderia estar pensando no morangueiro, dada a influência que a concentração de K tem sobre a qualidade de seus frutos.

O excesso de K, entretanto, pode reduzir a absorção de Mg, sendo a deficiência deste nutriente frequentemente observada em campo. Muitas vezes, credita-se a ocorrência da deficiência de Mg a uma elevada “exigência“ desse nutriente para a cultura, o que não deixa de ser verdade, mas este é o quinto nutriente mais absorvido pela mesma.

Dessa forma, o balanço K:Mg revela-se como de extrema importância para a cultura do morangueiro, sendo diversas vezes relegado a segundo plano. Assim, a dose de Mg é relativa à dose de K. Quanto mais K for aplicado, mais Mg deve ser também fornecido.

Para a nutrição com micronutrientes, há alguma divergência entre autores, certamente acarretada pelos distintos requerimentos entre as cultivares de morango e pela condução dos trabalhos em campo ou em solução nutritiva.

De qualquer forma, em geral pode-se apresentar a seguinte ordem decrescente de absorção como a mais adequada para o campo: Fe > Mn > B > Zn > Cu; sendo que esta apresenta boa correlação com os níveis críticos de micronutrientes nas folhas do morangueiro.

Fotos Shutterstock
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Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2016  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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