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Nutrição inteligente na produção de couve-flor

Lucas Aparecido Gaion

Doutorando em Agronomia (Produção Vegetal), departamento de Biologia Aplicada à Agropecuária, UNESP/FCAV

Fernando Kuhnen

Engenheiro agrônomo, doutor e professor titular da Faculdade Anhanguera de Dourados

kuhnenf@gmail.com

 

Créditos Shutterstock
Créditos Shutterstock

O nitrogênio é um dos elementos que a couve-flor mais exige para a produção dos órgãos vegetativos e reprodutivos, mas em muitas situações a aplicação de fertilizantes nitrogenados normalmente tem excedido a demanda pelas plantas e o nitrato não absorvido pela cultura é lixiviado.

Dessa forma, práticas de manejo que aumentam a eficiência do uso da água e da aplicação de fertilizantes melhoram também o aproveitamento dos fertilizantes nitrogenados pelas culturas, como o uso de fertilizantes nitrogenados de liberação controlada.

Nitrogênio

O nitrogênio é o elemento que proporciona os maiores ganhos de produtividade para a couve-flor (Brassica oleracea var. botrytis), sendo também o nutriente mais extraído pela cultura.

O fornecimento adequado de N é fundamental para a formação do sistema radicular, emissão de folhas e expansão da área foliar, sendo que esta última se correlaciona positivamente com o desenvolvimento da cabeça, que é o produto comercial.

A deficiência do nutriente leva à formação de folhas menores, clorose nas folhas mais velhas, florescimento precoce e redução do limbo foliar. Por outro lado, o excesso causa atraso na emissão da inflorescência, vegetação exagerada (autossombreamento), cabeça pequena e pouco compacta e deficiência de outros nutrientes, como K+ e Ca2+.

Em função dos ganhos em produtividade, é comum o uso irracional de fertilizantes nitrogenados. No Brasil, a principal fonte deste nutriente é a ureia, que apresenta vantagens como alta concentração de N, alta solubilidade, compatibilidade com outros fertilizantes e baixo custo.

No entanto, apresenta desvantagens como grandes perdas de N por volatilização de NH3, fitoxicidez de biureto e perdas por lixiviação. As perdas ocorrem principalmente por meio dos processos de lixiviação do nitrato, volatilização da amônia, desnitrificação e erosão do solo.

Portanto, o uso indiscriminado de fertilizantes nitrogenados, principalmente a ureia, se caracteriza como uma potente fonte de contaminação do solo e água, além da menor eficiência de N aplicado.

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Figura 1. Destino do nitrogênio dos fertilizantes (Blaylock, 2007).

Diante deste cenário, visando o aumento da eficiência do uso do nitrogênio e a redução da contaminação ambiental, tem aumentado o uso da ureia revestida com polímeros ou gel, também conhecidos como fertilizantes de libertação lenta ou controlada.

Os polímeros

Os fertilizantes de liberação lenta ou controlada são produtos que contêm N na forma tradicional, porém, revestidos com enxofre ou polímeros, propiciando uma barreira física contra a exposição do nutriente. No caso do recobrimento com enxofre, a disponibilidade do nutriente ocorrerá pela destruição da cobertura, o que irá depender basicamente da espessura de recobrimento e das condições ambientais.

Os polímeros utilizados são poliuretanos e poliolefinas, sendo que, neste caso, a liberação se dá pela difusão pela camada de cobertura. Os polímeros podem ser produzidos para sincronizar a liberação do N de acordo com as necessidades nutricionais das plantas ao longo do ciclo de cultivo.

A literatura afirma que a produtividade da cultura pode ser mantida utilizando apenas 70-80% da dose de N, em relação ao uso de fertilizantes tradicionais, ou seja, a aplicação de 60-100 kg de N ha-1.

Os fertilizantes de liberação lenta melhoram a qualidade da couve-flor - Créditos Shutterstock
Os fertilizantes de liberação lenta melhoram a qualidade da couve-flor – Créditos Shutterstock

A curva de absorção de nutrientes da couve-flor segue a mesma sequência do crescimento, ou seja, é pequena até os 56 dias, intensificando-se consideravelmente após essa idade. A maior intensidade de absorção de N foi verificada entre 76 e 86 dias (período de formação da inflorescência).

Desta forma, a maior eficiência do N aplicado e a possibilidade de aplicação de toda a necessidade de N da cultura em uma única vez reduz os custos de aplicação e o torna uma opção de ótimo custo-benefício e muito atrativa ao produtor.

Essa matéria você encontra na edição de novembro 2015  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua.

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